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Posição da Fundação Portuguesa do Pulmão por ocasião do Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)

A DPOC atinge, segundo a OMS 210 milhões de pessoas no Mundo, sendo 64 milhões sintomáticos e causando anualmente a morte a 3 milhões de pessoas. É ainda uma doença que acarreta frequentemente incapacidade moderada ou grave, sendo, no homem responsável anualmente pela perda de 1,5 milhões de anos de vida ajustados pelo grau de incapacidade. A DPOC é das poucas doenças crónicas com tendência a aumentar nas próximas décadas, tanto em número de casos, como em mortalidade (passará a ser a terceira causa de morte) como em incapacidade que provoca.

A situação em Portugal é semelhante ao resto da Europa. Teremos cerca de 500.000 doentes sintomáticos, tivemos em 2008 mais de 9000 internamentos hospitalares por DPOC e os últimos dados do INE apontam para 2872 óbitos em 2006, o que significa um aumento de 5.7% em relação a 2002 (dados do 5º Relatório do ONDR). A doença causa em Portugal, anualmente uma perda de mais de 74.000 anos de vida ajustados por grau de incapacidade e os custos no ambulatório destes doentes está estimado em mais de 240 milhões de euros anuais (Miguel Gouveia, Margarida Borges, A. Vaz Carneiro e all).

A DPOC é pois um problema grave em Portugal que pensamos deverá ser abordado em duas frentes.

A primeira é na área da prevenção primária. A doença é causada em 85 a 90% dos casos pelo fumo de tabaco. É pois fundamental que sejam desenvolvidas estratégias que levem a que os jovens não se iniciem no vício de fumar, o que deverá ser uma tarefa da família e das escolas.

A DPOC é uma doença crónica cuja história natural conduz a uma progressiva deterioração da função pulmonar e que se inicia por sintomas insidiosos e inespecíficos. As intervenções terapêuticas precoces melhoram a qualidade de vida dos doentes e o prognóstico. Por isso o diagnóstico precoce é fundamental e este assenta numa atenção do médico aos sintomas e sinais e numa confirmação através da realização dum exame da função respiratória muito simples a espirometria.

O acesso a esse meio de diagnóstico deve ser fácil e, por isso deve ser possível a nível dos cuidados primários. Saúda-se por isso a criação da Rede Nacional de Espirometria, nos Centros de Saúde. Contudo a sua implementação tem sido muito lenta.

Recomendamos pois que a Rede Nacional de Espirometria esteja operacional urgentemente. Cremos que deverá assentar na existência de técnicos de cardiopneumografia, colocados ou que se desloquem, aos Centros de Saúde e numa sensibilização dos Médicos de Família para a necessidade de considerarem o pedido deste exame como fundamental para muitos dos seus doentes.

Recomendamos também que exista coordenação destes técnicos pelos Serviços de Pneumologia dos Hospitais da área e articulação dos médicos de família com os Serviços Hospitalares, constituindo-se elos duma verdadeira Rede de Cuidados Respiratórios.

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