Cancro do Pulmão

Por Fernando Barata

  • O que é o cancro do pulmão?

    Todos os órgãos do nosso corpo são compostos por células, que na sua maioria se vão renovando ao longo do tempo. As células que morrem são substituídas por novas células que ocupam o seu lugar, de forma exacta. Quando as células perdem a capacidade de reconhecer o seu lugar no organismo, começam a crescer e a multiplicar-se de forma desordenada. Esta multiplicação celular anormal e desregulada origina o cancro. Estas células ao crescerem originarem massas ou tumores, invadem os tecidos que lhes estão próximos e entram nos vasos sanguíneos, vindo a fixar-se noutras partes do corpo, onde novos tumores se desenvolvem (metástases).


    Como todos os órgãos do nosso corpo, os pulmões são feitos de muitos tipos de células, e o cancro do pulmão acontece quando algumas destas células se desregulam. Ao crescer originam o tumor, que a certa altura pode invadir outras zonas do tórax ou passar para o sangue e atingir outros órgãos, nomeadamente o fígado, os ossos e o cérebro.

  • O que causa o cancro do pulmão?

    O cancro do pulmão é o cancro mais frequente no Mundo. A sua incidência aumenta a um ritmo de 0.5% por ano. Em Portugal ocupa o 4º lugar em termos de incidência e o 2º lugar em mortalidade. Estima-se mais de 3000 novos casos/ano.


    Pensa-se que o aparecimento do cancro do pulmão esteja ligado a factores exógenos (exteriores ao indivíduo) como o fumo do tabaco e as radiações, e a factores endógenos (próprios do indivíduo), como por exemplo a predisposição genética. Quando um indivíduo susceptível é posto em contacto com um agente carcinogénico, após um período de latência mais ou menos longo, as suas células vão sofrer alterações que levam ao aparecimento do cancro do pulmão.


    A principal causa do cancro do pulmão é o tabaco (85 a 90% dos casos surgem em fumadores). O fumo do tabaco possui perto de 5 000 substâncias, e destas pelo menos 50 são carcinogéneos (substâncias capazes de provocar o cancro).


    Mais tarde descobriu-se que um dos componentes do fumo do tabaco, a nicotina, era uma droga que provocava dependência, passando a perceber-se a dificuldade que muitos fumadores têm em parar de fumar. Quanto mais se fuma, maior é o risco de desenvolver esta doença. Nunca é tarde para parar de fumar, mesmo em doentes com cancro do pulmão, pois consegue-se assim diminuir queixas como a tosse e a falta de ar, e prevenir o aparecimento de outras doenças como a bronquite, os enfartes e outros cancros.


    Embora o fumo do tabaco seja a maior causa de cancro do pulmão, outros factores externos podem estar envolvidos, como a poluição atmosférica (produtos de combustão dos veículos a motor, emissão de gases de máquinas industriais, cozinhas e lareiras), a radiação (mineiros em minas de urânio), a exposição ao amianto (substância utilizada durante muito tempo para isolamento térmico.


    Outros estudos mostram ainda que existem doenças respiratórias que podem aumentar o risco de cancro do pulmão, como a tuberculose, a silicose, a fibrose pulmonar e todas as doenças que condicionem processos cicatrizantes.

  • Que tipo de tumor é?

    Quase todos os tipos de cancro do pulmão são carcinomas. São habitualmente divididos em dois grandes grupos: carcinoma pulmonar de pequenas células (CPPC) e carcinoma pulmonar de não pequenas células (CPNPC). Esta divisão existe porque os dois grupos têm um comportamento e logo um tratamento diferente.


    O carcinoma pulmonar de pequenas células representa cerca de 12% a 15% dos carcinomas pulmonares, e está muito relacionado com o tabaco. É um tumor muito indiferenciado, multiplica-se muito rapidamente, é muito agressivo e metastiza muito cedo para outras partes do corpo. Responde relativamente bem à Quimioterapia e à Radioterapia.


    O carcinoma pulmonar de não pequenas células divide-se em três tipos, de acordo com as células que o compõem: carcinoma de células escamosas ou epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O carcinoma epidermóide tem uma localização mais central, provocando sintomas mais cedo. Tem crescimento lento, sendo um dos tumores que permanece mais tempo localizado. O adenocarcinoma é o tumor mais frequente nos não-fumadores. Muitas vezes não provoca sintomas por se localizar mais na periferia do pulmão. Metastiza cedo para os gânglios linfáticos e para outros órgãos. O carcinoma de grandes células é o menos frequente dos CPNPC Provoca habitualmente tumores grandes à periferia, e também tem capacidade precoce de metastização.

  • É possível o rastreio no cancro do pulmão?

    Detectar a doença num ponto da sua história natural passível de tratamento prolongando a esperança de vida e reduzindo a mortalidade é o objectivo do rastreio. Quando o cancro do pulmão é detectado num estádio precoce, com a ressecção cirúrgica podem atingir-se cifras na ordem dos 60% a 80% de sobrevidas aos 5 anos. No passado, os vários procedimentos de rastreio com recurso à citologia convencional da expectoração e/ou à radiografia torácica, embora tivessem concluído por um aumento do número de tumores diagnosticados em estádio passível de ressecção e por um aumento da sobrevida foram incapazes de diminuir a taxa de mortalidade por cancro do pulmão.


    Em 1999, investigadores da Clínica Mayo (EUA) iniciaram um amplo estudo utilizando a TAC espiral de baixa-dose. Eram elegíveis para o estudo indivíduos com mais de 50 anos; fumadores ou ex-fumadores (< de 10 anos da cessação) e sempre com uma carga tabágica de 20 UMA ou mais (UMA= unidade maço ano, correspondendo, 1 UMA a 1 maço/dia durante um ano); sem história oncológica e com uma esperança de vida superior a 5 anos. A TAC espiral e uma citologia da expectoração foram realizadas no recrutamento e anualmente durante 3 anos. Dum total de 1520 indivíduos foram detectados 56 cancros (2% do total). Em 62% os tumores foram diagnosticados no estádio inicial sendo realizada cirurgia com intenção curativa na esmagadora maioria. Desconhecemos ainda o impacto da TAC espiral na taxa de mortalidade global por cancro do pulmão. Decorre actualmente nos EUA um amplo estudo randomizado com TAC espiral versus RX tórax. Pretendem os autores englobar 50.000 participantes em dois anos e acompanhá-los por 5 a 8 anos.


    A TAC espiral, presumivelmente em conjunto com marcadores moleculares, abre novas perspectivas no diagnóstico precoce desta doença.

  • Podia ter sido descoberto mais cedo?

    O cancro do pulmão pode crescer durante muito tempo sem dar qualquer sintoma ou sinal. Isto dificulta o seu diagnóstico em fases iniciais. Quando este tumor se torna visível na radiografia do tórax, já percorreu cerca de ¾ da sua evolução.


    Quando aparecem sintomas, estes podem ser derivados do crescimento local do tumor, da invasão loco-regional (à volta do tumor), da metastização sistémica (à distância), do compromisso geral (degradação do doente), ou de síndromes paraneoplásicas (conjunto de manifestações clínicas que aparecem ao mesmo tempo que o tumor, desaparecem com o tratamento e reaparecem se há recidiva).


    tosse é a manifestação inicial mais frequente. Nem sempre é valorizada porque pode ser causada por inúmeras outras doenças, e também porque habitualmente se trata de fumadores, que habitualmente têm esta queixa. A tosse deve ser valorizada sempre que persista muito tempo, ou quando se modifica.

    hemoptise ou expectoração hemoptóica (hemorragia pela boca de sangue vivo acompanhada de tosse) é geralmente o sintoma que mais assusta o doente e o leva rapidamente ao médico. É mais frequente nos tumores centrais.

    dor torácica significa que o tumor atinge a pleura (membrana que envolve o pulmão), a parede torácica ou o mediastino (espaço central entre os dois pulmões).Pode ser também causada por metástases nos ossos, tromboembolia pulmonar (trombos que tapam pequenas artérias impedindo o sangue de chegar a zonas do pulmão) ou pneumonias. É a queixa inicial em 25 a 50% dos casos, e geralmente não cede aos analgésicos.

    Outros sintomas também comuns são a dispneia (falta de ar), a pieira, a rouquidão, e ainda sintomas que aparentemente não estão relacionados com os pulmões, como a disfagia (dificuldade em engolir), as dores ósseas, dores de cabeça, etc.

  • Como é feito o diagnóstico?

    Habitualmente perante um conjunto de sintomas e sinais, o seu médico interroga-o sobre a sua história pessoal e familiar, sobre os seus hábitos tabágicos e profissionais, sobre a evolução no tempo dos seus sintomas. Após o exame físico, pede-lhe um RX do Tórax e outros exames que julgue necessários. O mais comum é a TAC (tomografia axial computorizada) torácica que permite com grande detalhe observar os pulmões e outros órgãos vizinhos torácicos.


    Embora suspeitando, a única forma de saber se tem cancro ou não, é obter-se algumas células da zona suspeita para observação microscópica pelo patologista. Então faz uma biópsia. Habitualmente escolhe-se uma destas técnicas:


      a) Broncofibroscopia que permite ao médico ver a sua traqueia e brônquios e em qualquer área suspeita, aspirar secreções para estudo das células e realizar biópsias. A anestesia local e os modernos aparelhos reduzem o desconforto e engasgamento provocado pela passagem de um tubo fino flexível pelo nariz, faringe e laringe;
      b) Biópsia aspirativa transtorácica. Com uma agulha fina, com controlo da TAC torácica, aspiramos e biopsamos uma área suspeita não acessível ao broncofibroscópio;
      c) Exame do líquido pleural. As pleuras são sacos humidificados que rodeiam os pulmões e que quando com líquido secundário ao cancro, este pode ser retirado por toracocentese e analisado;
      d) Biópsia aspirativa de gânglios aumentados de volume;
      e) Algumas vezes pode ser necessário uma biópsia cirúrgica, realizada com anestesia geral em sala própria para este acto e pode ainda biopsar-se outras áreas do corpo suspeitas de terem lesões cancerosas.

  • Pode ser feita a prevenção do cancro do pulmão?

    Actualmente não se conhece nenhuma substância que seja eficaz para evitar o aparecimento do cancro do pulmão. Estão vários agentes em fase de investigação, que poderão mais tarde vir a ser usados para prevenção dos cancros em geral.


    Sabemos, no entanto, que o tabaco é o responsável por cerca de 87% dos casos de neoplasia maligna do pulmão e 30% das mortes por cancro em geral - pulmão, faringe, rim, pâncreas, estômago, etc. Existe uma relação muito bem definida entre o risco de vir a ter cancro do pulmão e o número de cigarros/ dia, o grau de inalação e a idade de início do hábito. Sabe-se ainda que a exposição passiva ao fumo do tabaco (pessoas que não fumam mas vivem em ambientes poluído) também aumenta o risco de cancro do pulmão.


    Assim sendo, o modo mais eficaz para prevenir o aparecimento do cancro do pulmão, hoje em dia, é não iniciar o consumo de tabaco, e caso se seja fumador, parar!

  • Quais os tratamentos recomendados?

    A cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia, isoladamente ou em associação constituem as principais opções terapêuticas no cancro do pulmão. Associado a qualquer das opções, devemos prescrever toda a terapêutica de apoio procurando durante qualquer tratamento a melhor qualidade de vida.

    A opção por cirurgia versus quimioterapia versus radioterapia ou uma terapêutica de combinação depende do tipo de cancro, estádio da doença e estado geral do doente.


    A Cirurgia - terapêutica de eleição nos estádios iniciais - é realizada quando é provável que todo o tumor possa ser retirado. A escolha quanto ao tipo de cirurgia está dependente do tamanho do tumor, sua localização, extensão e estado geral do doente.

    A Quimioterapia é geralmente uma combinação de fármacos, recebidos periodicamente. O seu objectivo é eliminar todas as células cancerosas ou diminuir o seu crescimento, prevenir a sua disseminação ou mesmo aliviar os sintomas causados pelo cancro. Mesmo quando não cura, pode ajudar de modo paliativo a viver mais tempo e de forma mais confortável.

    A Radioterapia actua fazendo incidir sobre a área tumoral diariamente, uma quantidade programada de radiação com o objectivo de lentificar ou inibir o crescimento tumoral.

  • Vale a pena ir ao Estrangeiro?

    Hoje a nível Europeu e mesmo Mundial, estão publicadas e recomendadas, as normas de orientação clínica oncológica, quer no campo diagnóstico, quer no campo terapêutico.


    A nível Europeu de Oriente a Ocidente está recomendada uma metodologia científica correcta. Face à suspeita clínica, exige-se um diagnóstico exacto, um sequencial estadiamento anatómico e fisiológico. A melhor opção terapêutica deverá ser tomada em consulta de decisão multidisciplinar. Mais tarde todo o processo de seguimento e avaliação deve ser respeitado.


    Hoje, grande parte dos centros nacionais são centros de referência e qualidade reconhecidos internacionalmente. Neles são realizados estudos e ensaios internacionais e executadas as mesmas terapêuticas.

  • Como posso saber se o tratamento está a ser eficaz?

    O seu médico utiliza diversas formas para saber se a medicação está a ser eficaz. Desde as conversas em consulta, aos frequentes exames físicos e laboratoriais, todos servem como indicadores de eficácia.


    Habitualmente o seu médico estabelece consigo um programa de avaliação mais completo quando faz 2 ou 4 ciclos. Então repete a TAC torácica ou o estudo abdominal ou cerebral. É com base neste conjunto de provas ou exames que o vai informando sobre a resposta à quimioterapia.


    As pessoas pensam por vezes que por não terem efeitos secundários, os medicamentos não estão a resultar versus se têm muitos efeitos secundários então a quimioterapia está a resultar. Os efeitos secundários traduzem muito pouco da eficácia da quimioterapia. Eles variam muito de pessoa para pessoa, de medicamento para medicamento, de combinação de medicamentos para outra combinação e nada têm de relação com a eficácia da quimioterapia.

  • Vou-me curar? Quanto tempo vou viver?

    Quanto mais precocemente o cancro for detectado, maior sucesso terá o tratamento, maior será a taxa de cura. Factores como estádio da doença, tipo histológico, estado geral, emagrecimento, doenças associadas influenciam o tratamento, sobrevivência e taxa de cura.


    É verdade que muitos tumores, quando diagnosticados se encontram em estádios localmente avançados ou mesmo avançados com menores possibilidades de cura. Apesar do quadro mais reservado, modernas terapias isoladas ou combinadas têm duplicado e triplicado o tempo de sobrevida associado a parâmetros de excelente qualidade de vida destes doentes.


    Todos os dias surgem pequenos avanços no tratamento desta doença. Investigações recentes têm sublinhado a importância de factores genéticos, modificadores moleculares, novas terapias.

  • Como vai ser a minha vida sexual?

    Saúde sexual significa a capacidade de desfrutar de uma actividade sexual, e de exercer essa actividade livre de sentimentos negativos como a culpa e o medo, que inibem a resposta sexual.


    O cancro e os seus tratamentos afectam os doentes na esfera física, psicológica e social. Física, uma vez que podem existir sintomas como o cansaço, a fadiga, náuseas e dor que diminuem a libido (apetite sexual). Psicológica, uma vez que associado ao diagnóstico de cancro surgem muitas vezes a ansiedade, o medo e a depressão. Por fim, o diagnóstico e o tratamento do cancro também podem alterar as relações interpessoais, ao modificar a imagem que o doente tem de si próprio e assim fazê-lo evitar a intimidade. Em resumo, a não ser em casos de tratamentos muito particulares, não há qualquer razão para que o doente continue a ter uma vida sexual satisfatória. Caso existam problemas, não deve ocultá-los do seu médico, que o poderá ajudar orientando para um apoio psicológico ou mesmo prescrevendo medicamentos que os podem resolver.

  • Posso engravidar?

    Em relação à capacidade de ter filhos durante ou após o tratamento do cancro do pulmão, sabemos que 90% dos medicamentos que se usam para tratar esta doença provocam alterações hormonais, que na mulher podem parar os ciclos ováricos (a menstruação), de forma passageira ou mesmo permanente, podendo a mulher ficar estéril (não pode ter filhos). Em relação ao homem, embora os estudos existentes sejam escassos, aparentemente não há alterações da espermatogénese (formação dos espermatozóides), mantendo por isso a sua fertilidade.

    É conveniente, de qualquer forma, uma vez que não sabemos qual seria o efeito dos medicamentos usados para tratar o cancro no feto, que durante os tratamentos a mulher e o homem usem métodos anti-concepcionais não-hormonais. Hoje em dia também existe a capacidade de preservar esperma ou óvulos, que poderão ser usados mais tarde se a doença ou o tratamento provocarem esterilidade.

  • Quais os efeitos secundários da Cirurgia?

    Depende duma correcta avaliação pré-operatória, especialmente pulmonar e cardiológica a percentagem de complicações ou efeitos secundários da Cirurgia Pulmonar. Podemos dividir os efeitos secundários em agudos e crónicos.


    Entre os efeitos agudos major, observados entre 10 e 15%, destacamos a insuficiência respiratória, o enfarte miocárdio, o empiema (infecção aguda purulenta da cavidade pleural) e a fístula broncopleural (comunicação anormal entre um brônquio e a pleura). Entre os efeitos agudos minor, observados entre 15 e 20%, destacamos a arritmia e o derrame pleural.


    Dentro dos efeitos secundários crónicos de destacar a perda da função pulmonar mais marcada nos primeiros meses com uma recuperação gradual nos meses imediatos e a dor torácica. Embora 20% dos doentes refiram que a dor interfere nas suas vidas muitas vezes durante largos meses após a cirurgia, só cerca de 10% exigem um tratamento analgésico não opióide e cerca de 5% exigem tratamento opióide ou intervenções anestésicas importantes.

  • Quais os efeitos secundários da Radioterapia?

    A Radioterapia é administrada geralmente 5 dias por semana durante 6 a 7 semanas. Quando usada com finalidade paliativa o tempo de tratamento não ultrapassa as 3 semanas. Escolhido o campo de tratamento, habitualmente usam-se pequenas doses de radiação diária que associa um efeito terapêutico sob a área lesada com algum efeito protector sobre os tecidos vizinhos normais. A dose total e o número de sessões depende do estado geral do doente, tamanho, localização e tipo de cancro.


    Os efeitos secundários podem ser agudos ou tardios. Precocemente podemos observar irritação ligeira cutânea e perda de cabelo na área de tratamento. Na irradiação das cadeias mediastínicas pode surgir esofagite aguda (dificuldade na deglutição com dor e ardor retro-esternal), depressão medular (anemia com fadiga, febre e infecção secundária à diminuição de produção de glóbulos vermelhos e brancos a nível medular) e eventualmente mielite. A nível pulmonar a complicação mais temível embora rara é a pneumonite rádica, seguida de fibrose manifestada por um quadro de insuficiência respiratória progressiva e irreversível.

  • Quais os efeitos secundários da Quimioterapia?

    As células cancerosas caracterizam-se por crescer e dividir-se mais rapidamente que as células normais. Muitos medicamentos são desenvolvidos procurando destruir essas células anormais de rápido crescimento.


    Infelizmente não o conseguem duma forma selectiva. Certas células normais e saudáveis pelas suas funções, têm como característica um tempo de multiplicação igualmente rápido. Logo, podem ser afectadas pela quimioterapia. É este efeito prejudicial sobre as células normais que causa os efeitos secundários. São as células sanguíneas que se formam na medula óssea, as células do canal digestivo (boca, estômago, intestino), as células do sistema reprodutor e células dos folículos pilosos as mais afectadas.


    Os principais efeitos secundários da quimioterapia são: náuseas, vómitos e diarreia; anemia com fadiga, aqui definida como incapacidade para fazer as coisas que fazia normalmente ou que queria fazer; febre e infecção, devido ao baixo número de glóbulos brancos tão importantes na defesa do organismo contra bactérias, vírus e fungos; perda de cabelo.


    A intensidade e duração destes ou outros efeitos secundários é variável. Depende do tipo e dose da quimioterapia por um lado e da reacção individual por outro. Habitualmente a recuperação dos efeitos secundários é quase total e poucos danos permanecem por anos. Também hoje os progressos na prevenção e tratamento dos efeitos secundários são enormes estando as células saudáveis mais protegidas.

  • Posso tomar produtos das ervanárias / homeopáticos/ fazer acupunctura?

    Todos os dias chegam até nós através de uma revista, da opinião de uma amigo, de uma página da NET, tratamentos alternativas alguns associando resultados fantásticos e curas milagrosas.


    As terapêuticas administradas em meio hospitalar são baseadas em normas universais de orientação clínica, estabelecidas por peritos mundiais e baseadas numa extensa literatura e investigação científica do nível mais básico ao nível da prática clínica. Depois essas orientações terapêuticas são confirmadas e autorizadas por organizações credíveis internacionais, para mais tarde serem revistas, actualizadas e auditadas periodicamente.


    Qualquer fármaco usado em oncologia, passa por um longo processo de investigação e estudo inicialmente laboratorial, mais tarde animal e muito mais tarde humano. Só ultrapassada com eficácia e segurança todas essas barreiras chega à prática clínica diária onde deverá ser utilizado exclusivamente nas doses e indicações aprovadas a nível mundial, europeu e nacional.


    A utilização de outros tipos de tratamentos físicos, químicos ou outros deverá ser precedida de um conhecimento exaustivo, entre outros, do modo de acção, da eficácia, toxicidade, interacções com outros fármacos.


    Antes de decidir optar por qualquer forma de medicina alternativa usada isoladamente ou em combinação com a terapêutica prescrita, não se esqueça de conversar com o seu médico. Em muitos casos a toxicidade dessas terapêuticas sobrepõe-se aos benefícios.

  • Posso / devo fazer exercício? Qual?

    Algum exercício adaptado ao estado geral do doente é importante. Atitudes simples como pequenos passeios, alguma actividade profissional normal, pode prevenir muitos dos problemas associados à imobilidade como atrofia e rigidez muscular, perda de capacidade respiratória, obstipação, perda de apetite e alterações cutâneas.


    É recomendável que todos os doentes mantenham os hábitos de higiene pessoal, façam as refeições junto com os familiares à mesa, façam um pequeno passeio duas vezes por dia. Ficar na cama durante todo o dia é muito prejudicial. Se é difícil deslocarem-se para o exterior é desejável que façam pequenos passeios em casa ou mesmo quando sentados executem pequenos movimentos articulares quer a nível dos membros superiores, quer dos membros inferiores.

  • O que posso ou devo comer? Posso beber bebidas alcoólicas?

    É importante comer bem. Comer bem é comer variado. Comer bem implica comer frutos e vegetais; alimentos ricos em proteínas como carne, peixe, ovos, queijo, gelatina, iogurtes; alimentos ricos em hidratos de carbono como massa, batata, arroz, cereais; alimentos ricos em cálcio como leite, iogurte.


    Comer bem é fundamental. Significa ingerir bastantes calorias e proteínas que evitam a perda de peso. Aqueles doentes que conseguem comer bem durante o tratamento toleram-no melhor, com menos efeitos secundários, mais força e energia.


    O álcool, típico da refeição tradicional nacional, deverá sempre que possível ser evitado durante o período de tratamento mais intenso.


    Há doentes que não têm apetite, outros deixam de sentir o gosto pelos alimentos, outros sentem-se cansados por comer e outros sentem-se permanentemente enjoados, com vómitos e feridas na boca. Converse com o seu médico sobre como ultrapassar estas questões. Hoje toda uma moderna terapêutica de suporte permitem passar o período de tratamento com qualidade nomeadamente apetite e bem-estar.

  • Posso tomar outros medicamentos?

    Alguns medicamentos podem interferir com a quimioterapia. Não esqueça de levar ao seu médico uma lista de todos os medicamentos que toma - nome, dose, razão porque toma e desde quando o toma.


    Não se esqueça de mencionar também todos os medicamentos de venda livre como vitaminas, laxantes, analgésicos, aspirina, anti-inflamatórios bem como suplementos minerais ou proteicos.


    Já durante a quimioterapia não se esqueça de consultar o seu médico se vai iniciar nova terapêutica por muito banal que seja ou decide alterar ou interromper uma medicação que já fazia. O seu médico irá esclarecê-lo sobre os medicamentos que deve ou não tomar durante a quimioterapia.

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