Asma

Por Mário Morais de Almeida

Leia por favor estas frases:


- Com bastante frequência sinto tosse, e/ou falta de ar, e/ou pieira, e/ou uma opressão no peito, ficando com muito cansaço;
- A tosse e a falta de ar, limitam o meu dia-a-dia e acordam-me durante a noite;
- É-me muito difícil fazer esforços físicos, pois fico com tosse e pieira no peito;
- A tosse, a falta de ar, o cansaço, obrigam-me a faltar ao trabalho ou á escola;
- As queixas respiratórias são piores quando me constipo ou na Primavera, ou se estou num ambiente com muito pó, ou com fumos ou cheiros intensos;
- Sinto-me pior nos dias com temperaturas muito baixas ou muito elevadas;

Identifica-se com estas descrições? Reconhece como suas, ou do seu filho, uma ou mais?

Provavelmente tem asma. É boa ideia falar destas queixas ao seu médico.
Simplifique, não complique.

  • Quantos asmáticos existem em Portugal?

    Considerando a população em geral, desde a primeira infância ao adulto idoso, cerca de 10% dos cidadãos residentes em Portugal têm asma, sendo a doença mais prevalente em idade pediátrica. Em termos de gravidade, a asma pode variar de ligeira até formas muito graves, motivando internamentos e até colocando a vida em risco.


    A acrescentar que, frequentemente, as doenças alérgicas co-existem; como exemplo diríamos que até 80% dos asmáticos têm rinite e cerca de 40% dos doentes com rinite têm asma.

  • A asma é então muito frequente na criança?

    Sim, os episódios de dificuldade respiratória, geralmente acompanhada de tosse, são situações muito frequentes neste grupo etário. Cerca de metade das crianças até aos 2 anos de idade têm pelo menos um episódio de dificuldade respiratória, geralmente identificado como "bronquiolite". Uma percentagem inferior refere vários destes episódios, por vezes de enorme gravidade, que se repetem ao longo da primeira infância. Entre os 3 e os 5 anos, cerca de um quarto das crianças têm, pelo menos, um episódio de falta de ar e 10% têm 4 ou mais. 10 a 15% das crianças em idade escolar têm asma. São muitos casos e podem ser causa de muito sofrimento.

  • Na criança quando é que podemos começar a falar de asma?

    Considera-se que uma criança que repete episódios de pieira ou sibilância, com tosse, pode ser classificada como asmática. A implicação óbvia relaciona-se com o facto de se poder iniciar um tratamento de prevenção, para além do simples controlo dos sintomas durante as crises.


    E será muito importante conhecer, para além dos sintomas, os seus factores de agravamento e de alívio, a história familiar de asma e doenças alérgicas, a existência de outras doenças alérgicas na criança, como a rinite ou o eczema atópico, o ambiente social e familiar e a existência de sensibilizações alergénicas.


    A colocação de um correcto diagnóstico, baseado na avaliação clínica efectuada por um médico com experiência suficiente, tem implicações no início de um programa preventivo, com evicção alergénica precoce e de exposição ao tabaco, entre outras alterações de estilos de vida da família.

  • A asma em idade pré-escolar, será uma doença única?

    A asma, em especial na idade pré-escolar, deve ser considerada uma síndrome. Vários estudos epidemiológicos têm identificado diferentes tipos ou fenótipos de "asma" em idade pediátrica, dos quais citamos os principais: sibilância precoce transitória, sibilância não atópica e sibilância atópica.


    Podendo surgir nos primeiros meses de vida, a sibilância precoce transitória geralmente desaparece após os 3 anos de idade, tendo por isso um bom prognóstico. Atingindo mais o género masculino, o principal factor de risco será o reduzido calibre das vias aéreas e a etiologia viral é factor quase universal no desencadear das crises que podem ser muito graves, tal como acontecerá nos casos de sibilância não atópica, situação em que existirá uma maior sensibilidade ou reactividade das vias aéreas, sendo que nestes últimos casos as queixas, em frequência e gravidade, tendem a atenuar-se significativamente até ao início da adolescência.


    A sibilância atópica, que definirá a maioria dos casos de asma pediátrica que persiste para a idade adulta, pode começar em qualquer idade, mas mais frequentemente a partir dos 2 ou 3 anos, e pode ter uma gravidade variável; sensibilização alergénica, associação a outras doenças alérgicas, história familiar, são características que sugerem este diagnóstico. Efectivamente, de todos estes fenótipos, apenas o atópico parece identificar uma doença mais persistente, em que pode ocorrer um declínio progressivo da função respiratória, assemelhando-se aos quadros de asma que encontramos no adolescente e no adulto jovem. Nas crianças com sibilância precoce não atópica, não existe evidência do efeito benéfico de uma terapêutica de controlo prolongada; mas nas crises várias hipóteses farmacológicas utilizando broncodilatadores ou anti-inflamatórios, nomeadamente corticosteróides inalados, podem ser opções válidas. Já nas crianças com asma atópica existem diferentes opções de controlo, embora os corticóides inalados em doses baixas e os fármacos anti-leucotrienos assumam uma clara liderança.

  • A asma é uma doença que depende só da genética?

    A asma é uma doença complexa, dependendo da influência da genética e das variáveis do ambiente, isto é, se pensarmos na idade pediátrica, na qual se iniciam a maioria dos sintomas asmáticos, já pode existir uma carga genética transmitida pelos seus pais, que vai condicionar uma maior probabilidade da ocorrência desta doença, embora na maioria das situações, seja a exposição ambiental que vai condicionar o aparecimento e a própria gravidade da doença.


    O estilo de vida associado ao desenvolvimento das populações, o sedentarismo, o facto da população passar mais tempo dentro de casa e menos tempo a realizar actividades físicas, o aumento da poluição atmosférica, a exposição ao fumo do tabaco, as alterações da alimentação a obesidade, são alguns dos factores que se sabem predispor para a explosão das doenças alérgicas como uma das principais patologias deste Século.

  • A poluição pode aumentar o número de pessoas a sofrer de asma e de outras doenças alérgicas?

    Os alérgicos, são claramente prejudicados quando estão expostos a zonas onde a poluição industrial e automóvel é preponderante e, por exemplo na Primavera, quando coexistem pólenes e poluentes a situação pode tornar-se muito mais complicada.


    Agora indiscutível é que a exposição a poluentes é um claro factor de risco para a maior gravidade das doenças alérgicas, da criança ao adulto, para além de que pode condicionar novos casos de doença alérgica, isto é, aumenta a sua incidência.

  • O excesso de peso pode relacionar-se com a gravidade da asma?

    De há muito se conhece que a obesidade é um factor de risco para a ocorrência de muitas outras doenças crónicas, entre elas as respiratórias, para além de se associar, só por si, a uma maior taxa de mortalidade. É bem sabido que a obesidade condiciona alterações significativas da função respiratória, mesmo em indivíduos sem patologia respiratória prévia.


    Muito estudos, embora não todos, revelaram a existência de uma relação directa entre obesidade e maior expressão da asma, independentemente da existência de alergia, para a qual seria um importante factor de risco, nomeadamente para a sua gravidade. Por outro lado, a redução de peso em asmáticos, obesos ou simplesmente com excesso de peso, melhora significativamente o curso da doença.

  • Como podemos então definir a asma?

    A asma define-se pela existência de uma inflamação crónica das vias aéreas, provocando-lhes um estreitamento que dificulta a passagem do ar. Inicialmente existe uma contracção dos músculos dos brônquios, mas a situação vai-se complicando pelo evoluir do processo inflamatório e, como consequência, surgem os sintomas, como a dificuldade em respirar, a pieira, a tosse, a opressão torácica e o cansaço. Este mecanismo é agravado sempre que há exposição a factores desencadeantes, normalmente tolerados pelos indivíduos saudáveis. Infecções respiratórias, alergénios de ácaros ou de animais de companhia, pólens, exercício, fumo de tabaco, mudanças de temperatura, cheiros intensos e ingestão de alguns alimentos, são o suficiente para provocar no asmático uma crise que, sem tratamento, pode ser fatal.


    Para além dos sintomas referidos, durante uma crise aumenta, quer a ansiedade, quer a angústia, situação bem conhecida dos asmáticos ou de quem com eles convive.

  • Qual a diferença entre alergia e asma?

    "Alergia" não é uma doença, identificando isso sim um defeito imunológico que traduz a existência de anticorpos contra alergénios, com que contactamos habitualmente (por exemplo contra os ácaros, os pólens, os fungos, os alimentos ou os medicamentos). Ou seja, substâncias que habitualmente toleramos, passam a ser consideradas ameaças para o nosso organismo, mas esta situação pode ser apenas um achado ou então acompanhar-se de sinais e sintomas de diversos órgãos.


    E a alergia não é uma "falta de defesas", antes pelo contrário, pois corresponde a um exagero ou excesso de resposta imunitária.
    A "asma" é uma das doenças em que as alergias estão frequentemente envolvidas, mas a sua presença não é obrigatória para o diagnóstico. A asma até pode não ser alérgica...
    Os doentes preocupam-se excessivamente com as alergias, mas aceitam mal o diagnóstico de asma. Até o evitam e ignoram! E assim não se pode controlar esta doença crónica.

  • Como se diagnostica a asma?

    O diagnóstico é fundamentalmente clínico, isto é, valorizam-se os sintomas e os sinais, caracterizando o calendário e a sazonalidade, os desencadeantes e o que os alivia.


    Alguns exames auxiliares de diagnóstico podem ser necessários, mas habitualmente poucos. Os estudos funcionais respiratórios encontram-se na primeira linha mas infelizmente continuam a ser muito pouco solicitados. Os testes cutâneos, são muito informativos, mas não são fundamentais para a abordagem inicial. Algumas análises e estudos radiológicos podem estar indicados em várias situações de doença, nomeadamente na valorização ou exclusão de outras patologias, nomeadamente de doenças co-existentes.


    Mas insistimos, a clínica é o mais importante, embora paradoxalmente continuemos a ver muitos exames e pouco controlo, e muitos exames que contribuíram muito pouco para a qualidade de vida dos asmáticos que acompanhamos.

  • Como podemos actuar para controlar a asma?

    Para o controlo da asma temos excelentes medidas que permitem alcançar uma excelente qualidade de vida: evicção alergénica, educação, tratamento de crise ou de agudização e finalmente tratamento preventivo ou de controlo, incluindo as vacinas anti-alérgicas. São estes os grandes pilares da abordagem terapêutica.


    A população com asma, da criança ao idoso, quer trabalhar, estudar, correr, brincar, rir, ..., mas não quer que lhe falte o ar. Assim não podem ser felizes. E tantos que o não são. E, na maioria dos casos, é tão simples ser asmático mas viver sem a sentir.

  • É possível para os asmáticos levar uma vida normal ?

    Antes de mais, os asmáticos, correctamente diagnosticados e acompanhados, não devem ter medo do tratamento, pois é a asma que cronicamente, dia após dia, ano após ano, década após década, lhe perturba a qualidade de vida, por não estar controlada. E falta de controlo significa passar mal durante o dia e/ou dormir mal, não ter uma actividade física normal, necessitar de muita medicação de alívio e, ainda mais preocupante, ter crises de falta de ar.


    O tratamento divide-se em várias abordagens, mas baseia-se, primeiro, num diagnóstico bem estabelecido. E este, com demasiada frequência, insistimos, não foi ainda efectuado. E não é muito difícil de o fazer, seja na criança, seja no adulto. Fale com o seu médico assistente e refira os seus sintomas ou os dos seus filhos.

  • O que pode desencadear ou agravar a asma de exercício?

    A asma induzida pelo exercício define-se como o aumento da resistência das vias aéreas resultante da obstrução brônquica que ocorre após esforço físico. E o esforço pode ser a prática desportiva, mas também pode ser uma actividade do dia-a-dia, no trabalho, na escola, nas deslocações, quando se ri. Os sintomas, que podem surgir em até 80% dos asmáticos, incluem tosse, pieira, falta de ar, opressão torácica ou cansaço que surgem durante e principalmente até 10 minutos após parar o exercício; estes sintomas são habitualmente de curta duração mas podem ser muito aflitivos. É habitual uma recuperação espontânea num intervalo de até 1 hora.


    Entre as actividades desportivas, são consideradas como mais asmogénicas a corrida de fundo, o ciclismo, o futebol, o basquetebol e o rugby, e as modalidades praticadas em ambiente frio e seco como vários desportos de Inverno, particularmente o esqui alpino e a patinagem no gelo. Muito melhor tolerada é, por exemplo, a prática da natação ou do ténis.


    A asma de esforço representa uma importante limitação na qualidade de vida do doente asmático. Para a criança representa provavelmente o maior impacto negativo da sua doença crónica, nomeadamente em termos psicológicos e sociais, condicionando limitações na actividade escolar e recreativa, nomeadamente no relacionamento com os seus pares.


    O objectivo primordial do tratamento é prevenir a resposta ao exercício de modo a que não constitua restrição à escolha de uma actividade física ou limitação ao nível de desempenho. Para tal, importa conseguir o melhor controlo possível da asma. E isso é possível. De facto algumas medidas simples, onde se inclui o uso de alguns medicamentos, podem resolver e ultrapassar o problema.

  • Como é que um doente deve reagir perante uma crise asmática?

    Os asmáticos, os seus familiares e demais conviventes, devem saber reconhecer os sinais e sintomas de agravamento da asma, traduzido no aumento de intensidade das queixas, por vezes bruscamente, por vezes lentamente. E devem saber como actuar. Devem ter um esquema de crise escrito, onde está indicado como usar os medicamentos de alívio, nomeadamente os broncodilatadores inalados e quando ou como utilizar outros fármacos como ao corticóides inalados ou em comprimidos.


    E devem saber que se a situação não está controlada, "se algo não está bem", devem contactar o seu médico assistente ou recorrer ao serviço de urgência. É que não devemos correr riscos pois as crises podem ser mesmo muito graves.


    Após uma crise grave o asmático deverá ser observado numa consulta especializada idealmente num período inferior a 1 mês.

  • Sendo uma doença crónica, qual a melhor forma de tratamento da asma?

    As bases fundamentais do tratamento da asma são:


      - a educação do doente e da sua família;
      - a evicção de factores de agravamento, como são, por exemplo, a redução da exposição aos alergénios ou a poluentes com destaque para o fumo de tabaco e também a redução da ocorrência de infecções, possível através de vacinas adequadas;
      - o tratamento dos episódios agudos ou crises, com utilização de medicamentos que aliviam a obstrução dos brônquios;
      - o planeamento da terapêutica preventiva ou de controlo, recorrendo a medicamentos anti-inflamatórios por períodos prolongados, permitindo o controlo sintomático e funcional desta doença crónica;
      - utilização de vacinas anti-alérgicas por médicos especialistas com experiência na sua aplicação.

      Todos estes aspectos do programa de tratamento, que podem incluir a reabilitação funcional ("cinesioterapia respiratória"), assentam numa adequada relação entre o doente / família e a equipa de saúde. São estes os fundamentos para o sucesso da intervenção, com a melhoria da qualidade de vida que é possível a um custo razoável na maioria das situações alérgicas, como é o caso da asma.

  • Quais são os principais medicamentos usados na asma?

    Para o controlo das agudizações ou crises, recorre-se principalmente aos broncodilatadores inalados de curta acção, embora existam alguns destes medicamentos de acção prolongada que também podem ser utilizados para este fim. Em crises mais graves ou de maior duração pode associa-se ao tratamento outros broncodilatadores, também por via inalada ou sistémica, bem como podemos recorrer a anti-inflamatórios, nomeadamente aos corticóides, por via oral, injectáveis ou por inalação.


    Para o controlo da asma a longo termo, recorremos a medicamentos anti-inflamatórios, nomeadamente aos corticóides inalados, associados ou não a broncodilatadores de longa-acção, ou aos anti-leucotrienos orais, permitindo assim obter o controlo sintomático e funcional desta doença inflamatória crónica. Numa percentagem muito pequena de asmáticos podemos recorrer a outros medicamentos por via oral ou injectável.

  • As grávidas asmáticas podem fazer tratamento?

    A asma não controlada durante a gestação relaciona-se com importantes complicações, que podem até por a vida em risco, as quais são minimizadas com uma abordagem adequada da doença, prevenindo as consequências da hipóxia na mãe e no feto, devendo ser realçado que o tratamento da gestante asmática é muito semelhante ao de todas as asmáticas.


    A gestante asmática deverá ser seguida, sempre que justificado, por especialistas nesta doença, incluindo a realização de consultas regulares, de mensais a trimestrais, e de provas funcionais respiratórias.


    O impacto da asma durante a gravidez, é prevenível antecipando-se as necessidades de controlo antes que as complicações surjam e o recurso a medicações mais agressivas seja inevitável, devendo a grávida ser activamente envolvida no auto-controlo da sua doença.

  • A asma trata-se com "bombas"?

    Na asma não se usam "bombas" mas sim inaladores.


    A terapêutica inalatória, de que muitos têm receio infundado, é fundamental, sendo a via preferida para a administração de fármacos, quer nas agudizações, quer na prevenção da doença. Comparada com a via oral, para o mesmo tipo de medicamentos, é mais eficaz e segura, tendo uma acção mais rápida usando doses menores. Existem três tipos de inaladores adaptáveis a adultos e crianças desde os primeiros meses de vida: os nebulizadores ("aerossóis"), os inaladores pressurizados ("sprays") e os inaladores de pó seco ("pós").


    Os nebulizadores, demasiado populares no nosso país, praticamente só permitem fazer medicação para as crises, e as condições em que se encontram a funcionar nos domicílios são frequentemente assustadoras, com grande risco infeccioso. Em idade pediátrica, quer no serviço de urgência, quer no domicílio, deve preferir-se a utilização de inaladores pressurizados, associados a câmaras de expansão, embora estes possam ser utilizados por todos os grupos etários, principalmente nos serviços de urgência.


    Os inaladores de pó seco a partir da idade escolar e no adulto, são os preferidos no tratamento regular da asma, incluindo as crises controladas no domicílio. O sucesso terapêutico será dependente de uma técnica correcta. O ensino ou educação do doente e da família tem que ser feito no local onde o tratamento é indicado, e na farmácia poderá ser feito um reforço do ensino, já com o respectivo dispositivo de inalação.


    Em todas as consultas dever-se-á verificar a técnica, ouvir as dúvidas, esclarecer e corrigir, pois é frequente haver erros que se instalam ao longo do tempo, e por razões várias - pressa, impaciência, comodismo,... E assim o controlo da doença não se atinge. Crenças e mitos, associam o uso destes medicamentos a perigos irracionais, o que é óbvio para quem acha que, no tratamento da asma, se usam "bombas"...

  • O que se deve recomendar aos doentes com alergia aos pólens quando estes existem em elevada densidade no ar ambiente?

    Primeiro que tudo: não devem deixar que as alergias controlem as suas vidas! Para o doente alérgico, com asma e/ou com rinite, o conhecimento do Boletim Polínico é imprescindível, permitindo uma correcta actuação preventiva e terapêutica.


    Assim, deverá antes de mais reconhecer os seus sintomas alérgicos e iniciar ou efectuar modificações nos medicamentos, de acordo com as indicações do seu médico assistente. Se o doente já está a fazer terapêutica com vacinas anti-alérgicas, com o aumento dos níveis dos pólens, poderá necessitar de ajustar a dose da vacina.

  • É possível evitar completamente a exposição aos pólens?

    No caso da alergia aos pólens, infelizmente, não é possível uma evicção alergénica muito eficaz, sob pena de se afectar muito as actividades diárias do alérgico. No entanto algumas medidas podem permitir alguma protecção minimizando os sintomas, tais como:
      - evitar, se possível, áreas de elevada polinização;
      - reduzir a actividade em ambiente exterior, especialmente durante a manhã;
      - manter as janelas fechadas quando as contagens de pólens forem elevadas, particularmente em dias de vento forte, quentes e secos;
      - usar filtros de partículas de grande eficácia nos carros e viajar com as janelas fechadas; no caso dos motociclistas deverão usar capacete integral;
      - usar óculos escuros fora de casa;
      - evitar praticar desportos ao ar-livre, campismo, caça ou pesca;
      - evitar caminhar em grandes espaços relvados ou cortar relva.

  • Como evitar os alergénios do ambiente interior?

    Os ácaros do pó doméstico representam a principal causa de alergia na população portuguesa. As medidas aconselhadas para evitar a exposição aos ácaros do pó, são:


      - manter um arejamento e ventilação adequadas;
      - evitar alcatifas e carpetes (substituir por pavimento de linóleo, mosaico ou madeira envernizada);
      - utilizar colchões recentes;
      - colocar coberturas anti-ácaros nos colchões e almofadas;
      - utilizar lençóis de algodão, almofadas e edredão sintéticos;
      - lavar a roupa da cama e as cobertas plásticas com água a 60ºC;
      - remover do quarto peluches ou objectos que acumulem pó (ex. livros);
      - usar aspirador com filtro de alta eficiência (HEPA);
      - controlar a humidade relativa em valor inferior a 50% (os desumidificadores podem ser úteis);
      - os produtos acaricidas podem ser uma medida complementar de controlo ambiental, mas não substituem a aspiração regular.

      Nos doentes alérgicos a fungos, as medidas de controlo ambiental são semelhantes.
      Nos doentes alérgicos a animais domésticos - gato, cão, coelho, hamster, entre outros - pode ser necessário remover os animais domésticos da habitação, não devendo estes frequentar os quartos de dormir e deve aumentar-se a ventilação da casa.

  • O fumo do tabaco é muito prejudicial para os asmáticos?

    O fumo do tabaco aumenta o risco de aparecimento de asma e de outras doenças alérgicas e, especialmente nas crianças asmáticas, é um conhecido factor desencadeante das crises, associando-se a maior gravidade da doença, com aumento do risco de crises graves com internamento hospitalar e mortalidade. A própria resposta ao tratamento anti-asmático pode ser comprometida em quem está exposto activa ou passivamente a este factor de poluição.

    Os pais das crianças asmáticas deverão ter consciência de que se fumam ou deixam que outros fumem perto dos seus filhos (em casa, no carro, etc.) estão a prejudicar gravemente a saúde dos seus filhos, aumentando de forma significativa o risco de uma crise e a gravidade da doença. É preciso não esquecer que a criança pequena não pode manifestar verbalmente o seu mal-estar, e que a tosse é habitualmente a sua única forma de expressão.

    Mas não devemos esquecer que todos os asmáticos devem evitar hábitos tabágicos, sendo ideal que não iniciem o seu consumo, mas devendo ser ajudados a abandonar o mesmo no caso de já serem dependentes.

  • A asma é uma doença evitável?

    A asma é uma doença claramente prevenível. Várias medidas podem ser eficazes:


    Prevenção primária (evitar sensibilizações e doenças)


    Prevenção secundária (evitar doenças em sensibilizados)
    Tratar o eczema atópico, para tentar prevenir o aparecimento de alergias respiratórias;
    Tratar os doentes com rinite para evitar a evolução para asma;
    Reduzir a exposição a alergénios.


    Prevenção terciária (tratar as doenças alérgicas, limitando o seu impacto)

    Evitar a exposição aos alergénios relevantes ou a outros factores de agravamento;
    Quando indicado, tratamentos de controlo da asma como medicamentos anti-inflamatórios. Prescrição de vacinas anti-alérgicas se indicado.


    Educação dos doentes, das famílias, da equipa de saúde, da equipa educativa, aumentando competências e autonomia;

    Estimular a prática de desporto / exercício e promover bons estilos de vida.

  • Que crenças e mitos devem ser esclarecidos no que respeita à asma?

    Na maioria dos casos a asma não é muito difícil de diagnosticar, mesmo na criança.

    A asma não passa com a idade.

    Os sintomas são a base do diagnóstico da asma.

    A asma pode afectar muito a qualidade de vida.

    A asma pode ser controlada. Os tratamentos para a asma não são perigosos, se bem utilizados.

    Os corticóides de aplicação por via inalatória são seguros.

    Os broncodilatadores se bem utilizados não "fazem mal ao coração".

    A asma durante a gravidez deve estar bem controlada, podendo ser usados medicamentos.

    É muito perigoso deixar a asma controlar a vida dos que dela sofrem.

  • Que mensagem devemos transmitir aos doentes asmáticos?

    Se sabe que tem asma, então saiba que o controlo não é difícil.

    Se não sabe, não espere mais. A tosse, a falta de ar, o cansaço, a frustração que sente há tanto tempo, pode ser devida a uma doença crónica que se chama asma. Também espirra muito, coça os olhos e o nariz, sente o nariz tapado, será que tem rinite?

    Chegou a hora, fale com o seu médico.

  • Qual o significado do Dia Mundial da Asma?

    Portugal é um dos poucos países mundiais em que existe um Programa Nacional de Controlo da Asma. As críticas ao mesmo são muitas, mas os resultados positivos desta parceria, entre sociedades científicas e associações de doentes, entre outras entidades, apoiada pelo Ministério da Saúde, são evidentes. Exemplificando, na última década, em Portugal, a mortalidade por asma reduziu-se para um terço. A principal razão para esta excelente evolução relaciona-se com o aumento de consciência sobre a doença, entre os doentes, entre os profissionais de saúde, na população em geral. Todas as muitas acções realizadas foram potenciadas. Alguma notoriedade foi alcançada.

    É este o racional que justifica a existência de efemérides a propósito de doenças crónicas como é o caso da asma, cujo Dia Mundial se comemora na primeira terça-feira do mês de Maio.

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