DPOC

Por João Almeida

  • O que é a DPOC?

    Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é a designação para uma doença respiratória que causa diminuição do calibre das vias aéreas respiratórias e destruição do tecido pulmonar. Causa tosse, expectoração e dificuldade respiratória, sendo quase sempre causada por contacto com agentes poluentes, principalmente o fumo de tabaco.

  • DPOC e Asma são diferentes?

    A DPOC e a Asma têm em comum a diminuição do calibre das vias aéreas respiratórias e a limitação dos débitos aéreos. No entanto, na Asma, esta diminuição do calibre das vias aéreas varia significativamente de dia para dia e no decorrer de cada dia, enquanto que na DPOC esta diminuição é relativamente fixa e não varia de uma forma tão significativa. Por outro lado, estudos têm demonstrado que apesar de ambas as doenças serem inflamatórias, a inflamação envolve células diferentes.

  • Qual a causa da DPOC?

    A causa mais importante de DPOC é o consumo de tabaco. Alguns casos, no entanto, ocorrem como resultado da respiração frequente de alguns tipos de poeiras. Outros casos são causados por aumento hereditário da susceptibilidade aos efeitos de poeiras e químicos inalados.

  • Todos os fumadores desenvolvem DPOC?

    Não. Entre 20 a 35% dos fumadores não desenvolvem sintomas de DPOC. Muitas vezes não apresentam sintomas mas, se forem avaliados, apresentam alterações da função respiratória. Não se conhecem as razões porque é que uns fumadores são afectados e outros não. O número de cigarros fumados e a idade precoce de início de consumo de tabaco tornam mais provável o aparecimento de DPOC. Estes factos são ainda mais verdadeiros no sexo feminino.

  • A DPOC afecta apenas os pulmões?

    A maior parte dos sintomas da DPOC são devidos aos seus efeitos sobre os brônquios, mas a DPOC afecta igualmente os vasos sanguíneos dos pulmões e pode causar sobrecarga sobre o coração. Tem igualmente efeitos negativos sobre a massa muscular, particularmente nos membros.

  • Pode curar-se a DPOC?

    Não. As lesões causadas nos pulmões pela DPOC não regridem, mas a cessação do consumo de tabaco previne a perda acelerada da função respiratória observada nos fumadores. Até agora nenhum tratamento mostrou impedir a progressão da doença, podendo no entanto retardá-la, em termos funcionais.

  • Como se diagnostica a DPOC?

    Habitualmente é diagnosticada com base nos sintomas do doente e na existência de consumo tagágico; no entanto, para estabelecer um diagnóstico preciso de DPOC é necessário demonstrar a existência de estreitamento das vias aéreas e que este estreitamento não varia muito de dia para dia e em resposta à terapêutica. Para fazer esta demonstração é necessário a realização de uma espirometria que é uma prova da respiração que mede a quantidade de ar expirado pelos pulmões.

  • O que fazer para prevenir a DPOC?

    A DPOC é muito pouco frequente em não fumadores e pessoas que não são fumadores passivos. Evitar o tabaco e utilizar protecção respiratória, como uma mascara de protecção se existir exposição a poeiras de origem profissional ou não, são as melhores formas de prevenir a DPOC.

  • Qual o tratamento da DPOC?

    O tratamento da DPOC depende dos sintomas e da gravidade da doença. Muitos doentes não necessitam de tratamento crónico, fazendo apenas tratamento nos períodos de exacerbação da doença. Os doentes com sintomas regulares necessitam habitualmente de tratamento com inaladores, que reduzem o estreitamento das vias aéreas, relaxando os músculos destas vias. Os doentes com obstrução grave das vias aéreas e com exacerbações frequentes podem ser tratados com corticosteróides inalados, na tentativa de redução da frequência destas exacerbações, podendo mesmo fazer corticosteróides orais nas exacerbações mais graves. Nas situações mais graves pode, igualmente, ser necessária a utilização de oxigénio, quer por pequenos períodos, durante as exacerbações, quer de forma contínua quando há insuficiência respiratória crónica, sendo necessário, nestes casos, realizar oxigenoterapia pelo menos durante 16 horas por dia.

  • O que é uma exacerbação?

    É um período em que os sintomas de DPOC se agravam, a medicação parece ser menos eficaz ou desenvolvem-se novos sintomas. Muitos doentes referem apresentar uma infecção pulmonar e efectivamente muitas exacerbações são desencadeadas por infecção, nomeadamente infecção viral. Noutros casos as exacerbações podem ser desencadeadas por inalação de poluentes ou mesmo por alterações climáticas.

  • Como posso saber se preciso de oxigénio?

    Os doentes não podem dizer se necessitam de oxigénio; no entanto, se apresenta cada vez mais dificuldade respiratória na realização das tarefas mais simples, como lavar-se ou vestir-se, poderá necessitar de oxigénio, sendo necessário que o médico avalie dessa necessidade, medindo os níveis de oxigénio no sangue.

  • Devo praticar exercício físico?

    O exercício físico regular, dentro das limitações impostas pela dificuldade respiratória, mantém a condição física e reduz a incapacidade. Mesmo aqueles doentes que não têm o hábito de praticar qualquer exercício físico beneficiam com a realização de exercícios graduais, particularmente quando estes exercícios estão integrados num programa de reabilitação respiratória.

  • O que é a reabilitação respiratória?

    A reabilitação respiratória constitui um modo eficaz de melhorar a respiração dos doentes, a sua capacidade de realizar as tarefas de todos os dias e a sua capacidade de viver com a doença. A reabilitação tem o objectivo de ajudar os doentes a recuperar alguma da sua condição física, realizando, sob supervisão, exercícios suaves. Proporciona a possibilidade de partilhar com outros doentes experiências de vida com a doença; proporciona, igualmente, educação para ajudar os doentes a compreenderem a sua doença, os seus tratamentos e o modo de lidar com a doença. A maior parte dos programas de reabilitação são realizados a nível hospitalar, mas há uma tendência crescente para que se realizem na comunidade. Estas sessões de exercício nos estabelecimentos hospitalares são complementadas por, pelo menos, uma sessão de exercício no domicílio.

  • Devo vacinar-me contra a gripe?

    Está indicado que todos os doentes com DPOC devem fazer a vacina antigripal anual.

  • Posso ir de férias?

    Muitos doentes com DPOC continuam a viajar. Alguns podem necessitar de oxigénio a bordo do avião ou apoio de cadeira de rodas nos aeroportos ou nas estações ferroviárias. Os procedimentos e custos para requisitar estes serviços varia com as diferentes companhias, pelo que tal deve ser verificado no momento da reserva da viagem. É necessário tratar destas viagens com antecedência para que seja assegurada a existência de oxigénio no avião e também a autorização médica para o fazer. Quando viaja, o doente deve certificar-se que leva as quantidades suficientes de medicação que faz, para além de ter um seguro apropriado para a viagem.

  • Irei sofrer à medida que a DPOC se agrava?

    Na DPOC avançada os sintomas são os mesmos da doença leve; no entanto desenvolvem-se de forma mais frequente e mais grave após a execução de tarefas cada vez mais simples. Os tratamentos mais modernos são capazes de aliviar estes sintomas apesar de não conseguirem curar a doença.

  • É necessário ter uma consulta regular?

    Uma vez que a DPOC é uma doença progressiva é importante que exista uma avaliação anual dos sintomas e da função respiratória e, desde que esteja bem entre as duas avaliações, não existe evidência que seja necessário uma vigilância mais regular. Deve, no entanto, contactar o médico caso exista qualquer alteração significativa ou mantida dos seus sintomas. No Outono deve fazer no a vacina antigripal.

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