Sindroma de Apneia Obstrutiva do Sono


O sindroma da apneia obstrutiva do sono - SAOS, é um problema da saúde pública que, no espaço de cerca de três décadas passou, de quase desconhecido, a muitíssimo presente na comunidade.

Todos conheciam pessoas que ressonavam muito, que tinham muito sono durante o dia, geralmente muito obesas, mas as capacidades de corrigir o problema eram muito limitadas. Um conselho, já antigo, e que continua actual, era o de emagrecer. No entanto, isso não chegava para controlar o problema.

Todos nós fazemos durante o sono algumas paragens da respiração, retomando depois o ritmo regular; nos doentes com SAOS o que acontece é que fazem muitas paragens da respiração durante o sono (que são presenciadas pelos familiares). Ao parar de respirar o oxigénio começa a baixar e o cérebro, detectando a anomalia, quase faz a pessoa acordar, e a respiração reinicia-se. Este pára/acorda repetido faz com que a pessoa não chegue a ter períodos suficientes de sono profundo ? assim, a pessoa está a dormir, mas não está a descansar; torna-se evidente a causa da sonolência diurna e a sensação de acordar mais cansado do que ao deitar...

O peso excessivo, as obstruções das vias aéreas (as superiores, muito denunciadas pelo ressonar e as inferiores, relacionadas com várias doenças brônquicas) e outros factores, aumentam o trabalho respiratório e provocam essas paragens.

Roncopatia, sonolência diurna, obesidade, são sintomas muito sugestivos de sindroma de apneia obstrutiva do sono. Há uma prevalência maior nos homens com mais de 50 anos, mas em qualquer idade e sexo estes problemas existem.

Como sempre, é o seu médico assistente a base  segura para uma primeira abordagem. Quando há suspeita desta afecção, um estudo da função respiratória durante o sono pode detectar os casos que necessitam de correcção. Hoje dispomos de aparelhos que conseguem corrigir o problema das apneias, permitindo aos doentes dormir descansados e sem paragens respiratórias. Dormindo com uma máscara ligada a um ventilador, que não vai respirar pelo doente, mas torna a respiração mais fácil, deixa de haver paragens repetidas e o doente pode ter um sono repousante.

"Como é que vou dormir com um máscara"?, é o que todos pensam ao deitar; no dia seguinte, ao levantar, a resposta começa ser dada.


Artigo publicado em "A voz dos reformados" julho/agosto 2019
por Dr. José Miguel Carvalho



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