Os estudos do Coronavírus


Os estudos, as descobertas, os tratamentos, a cura, as vacinas... tudo sobre o Coronavírus e a Covid-19!

A desmistificação.

Numa altura, como esta, em que não se sabe ainda como apareceu o vírus - se foi fabricado, se veio de um morcego ou do pangolim - em que não se conhece muito bem o seu modo de transmissão, ou que ações patogénicas precisas provoca no ser humano, em que não se tem a certeza como a doença evolui e se associa e/ou complica doenças preexistentes, ou como surge a mortalidade - se provocada pelo próprio vírus ou por complicação ou agravamento de outras patologias - é muito prematuro aceitar, como definitivos, estudos, ensaios, revisões, reflexões ou qualquer outro tipo de informações que pululam nas redes sociais.

A facilidade com que a informação nos chega às mãos, a perplexidade sobre o pouco que sabemos sobre esta pandemia, a ansiedade e o medo que a contenção e o isolamento, a que somos e nos sentimos obrigados, nos provoca fazem criar todo este tipo de ânsia sobre tudo o que é publicado, e rapidamente espalhado, muitas vezes com títulos bombásticos e aparentemente definitivos, a propósito desta nova doença.

Na minha opinião acho que devemos manter um espírito sereno, mas muito crítico e muito pouco crente sobre tudo o que nos cai nas mãos ou no écran do computador ou do smartphone e que os amigos rapidamente espalham com o aviso de "muito importante", ou "não deixem de ver isto", ou "foi publicado na revista XPTO"...

Esta epidemia, esta doença, não é matemática, embora a epidemiologia e as estatísticas se resumam a números e a operações aritméticas mas, mesmo assim, os conhecimentos daí resultantes não são, muitas vezes, pouco mais do que simples probabilidades... A curva ora sobe, ora desce, ora aplana, o número de infetados depende do número de testes que se fazem - o Alentejo até há muito pouco tempo não tinha infetados, apenas porque não foram feitos testes (os custos da interioridade rural) -, a mortalidade é menor ou maior consoante se contam exclusivamente os infetados ou se contabilizam as comorbilidades que aceleram o aparecimento da morte, os tratamentos com isto, com aquilo, o facto de as populações terem ou não sido vacinadas com o BCG, tudo isto precisa de TEMPO para tudo ser devidamente avaliado, assimilado e consolidado pelos cientistas, pelos médicos, pelos responsáveis.

Lembrar que a Pneumónica ou Gripe Espanhola, que há 100 anos matou 50 a 70 milhões de pessoas em todo o mundo, só há poucos anos foi devidamente esclarecida na sua patogenia, na sua transmissão e nas consequências imunitárias.

Por isso, em vez de andarmos super ansiosos sobre a utilização ou não do paracetamol, da hidroxicloroquina, de antirretrovirais, de citostáticos, de voltar a vacinar com o BCG ou outro tipo qualquer de tratamentos ou curas, façamos o possível para nos mantermos serenos, com o espírito aberto, mas crítico, com muita paz de espírito e, também, com muito bom senso!

Os cientistas, os profissionais de saúde, os investigadores, os responsáveis estão a tratar disso... os médicos vão, cada dia, com a experiência vivida com os seus doentes, ganhando mais conhecimentos e confiança para melhor tratarem esta e outras doenças.

Só mais uma coisa!
Mais do que tratar uma doença, a melhor coisa que há a fazer é PREVENIR o seu aparecimento!

Por isso, cumpram-se as regras da prevenção: isolamento (não significa prisão solitária ou degredo), afastamento social (a regra dos 2 metros é muito importante), etiqueta respiratória (ao tossir, ao espirrar), lavagem das mãos (com tempo, com sabão, preferentemente com água quente) o uso de máscaras, do gel alcoólico.

Assim, as saídas à mercearia e ao mercado, as idas à farmácia ou serviço de saúde, o passeio com o cão, ou o simples passeio ou corrida à volta do quarteirão não são passíveis de mais risco do que aquele de ficar todo o tempo em casa, fechado, trancado, cheio de medos, angústias e ansiedades.

Façamos deste tempo de Pandemia um tempo, também, de reflexão de como tem sido a nossa vida em sociedade, de trabalho, de stress, de tanta competição e angústia!

É que a VIDA SÃO, SÓ, DOIS DIAS!

Artigo por Dr. Raul de Amaral Marques
Fundação Portuguesa do Pulmão



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