Este ano ainda é mais importante protegermo-nos das infeções respiratórias


A Covid-19 veio introduzir um novo fator de preocupação para o próximo período Outono-Inverno. É que se há coisas que sabemos - por exemplo, que neste período vão aumentar as infeções respiratórias - há outras que não sabemos, como se vai ou não haver uma segunda onda pandémica do SARS-CoV-2, ou quais os risco potenciais resultantes da circulação conjunta deste vírus com os vírus da gripe sazonal.
Outra coisa que sabemos é que neste período há necessidade de proteger as pessoas mais frágeis das infeções respiratórias, e se tal era uma prática habitual, este ano, pelos motivos referidos, ela torna-se ainda mais importante. Todas as pessoas, sobretudo as mais frágeis, devem proteger-se das infeções respiratórias!
Neste contexto surgem naturalmente três perguntas: Quem são essas pessoas? Quais são essas infeções? Como nos podemos proteger?
As pessoas de maior risco são as que estão nos extremos da vida (crianças e idosos), todas os que têm deficiências da imunidade (por exemplo, pessoas sem baço, as que têm doenças do sistema imunitário, as que estão a fazer tratamentos que deprimem este sistema, ou os infetados pelo VIH), pessoas que sofrem de cancro, e todos aqueles que sofrem de doenças crónicas, com um particular ênfase para a diabetes e as doenças crónicas dos órgãos vitais (coração, rim, fígado e, sobretudo, o pulmão). Todas estas pessoas têm maior probabilidade de contrair essas infeções, terem formas mais graves das mesmas e de descompensarem as suas doenças-base.
Quanto à segunda pergunta, as infeções respiratórias que predominam no período mais frio do ano são as infeções do trato respiratório superior, as viroses, as bronquites - com um particular realce para as agudizações infecciosas da DPOC -, as pneumonias, a gripe e, este ano, a Covid-19.
Quanto à forma de nos protegermos, e para além das ferramentas preventivas à nossa disposição - medicamentos e vacinas -, uma palavra para as atitudes comportamentais. O distanciamento social, o uso de máscara sempre que em ambientes fechados e a desinfeção das mãos, são atitudes importantíssimas, as únicas que temos para a Covid19 enquanto não existir uma vacina, mas que ultrapassam este âmbito: são atitudes preventivas muito úteis relativamente a todas as infeções respiratórias!
Porém, as armas preventivas por excelência são as vacinas que dispomos para duas temíveis infeções respiratórias: a gripe e a pneumonia.
A vacina antigripal está indicada para outros grupos de pessoas, para além daqueles que foram referidos. Como o objetivo é o de cortar o mais possível a respetiva cadeia de transmissão, pessoas como os profissionais de saúde, pessoas internadas ou institucionalizadas, grávidas ou cuidadores de pessoas de risco devem igualmente ser vacinadas. 
Quanto à vacina da pneumonia (vacina antipneumocócica), realçar a sua importância nas crianças e nas pessoas com mais de 65 anos. A vacinação antipneumocócica nas crianças está resolvida com a sua inclusão no Plano Nacional de Vacinação. Quanto às pessoas com mais de 65 anos, o seu nível de vacinação é muito baixo e uma das formas mais eficazes de o aumentar seria o da sua gratuitidade ao nível do SNS, copiando, aliás, o modelo já implementado, com tanto êxito, para a vacinação antigripal.
Outra arma na prevenção das infeções respiratórias são os medicamentos imunomoduladores, fármacos com capacidade de estimular as células imunitárias, sobretudo as implicadas na imunidade antiviral. Entre nós existem os lizados bacterianos, fármacos com fragmentos das bactérias mais frequentemente implicadas nas infeções respiratórias. São fármacos com indicação para serem utilizados nas crianças, nos doentes que sofrem de infeções respiratórias recidivantes e em todos aqueles que padecem de doenças respiratórias crónicas.
Atenção, este inverno vai ser um inverno particular, que exige de todos nós uma estratégia defensiva e preventiva para não ficarmos doentes e não transmitir essas infeções a outras pessoas. É não só uma atitude sanitária como também cívica.


Artigo por Dr. Jaime Pina
Fundação Portuguesa do Pulmão



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