Plantas no interior da habitação


Os efeitos positivos desta prática ultrapassam os meros objetivos decorativos. A cor verde tem em nós um efeito relaxante e calmante, efeito potenciado pela beleza de muitas das flores dessas plantas.

 Mas os efeitos benéficos vão mais longe; muitos idosos ou pessoas que vivem em solidão podem melhorar as suas capacidades cognitivas, porque passam a ter um novo interesse na vida, que os vai entreter preencher: tratar das suas plantas.

Ultimamente este assunto tem motivado uma nova perspetiva: há vantagens ambientais em ter plantas em casa? A resposta, como veremos, não é linear.

As plantas verdes, a partir do seu pigmento clorofila, na presença de luz elaboram os seus nutrientes a partir dos elementos do ar: retiram dele o anidrido carbónico e em troca libertam o oxigénio. É a chamada função clorofilina. Podemos, pois, aceitar que durante o dia uma habitação com plantas tenha ganhos ambientais - fica mais rica em oxigénio, um dos elementos fundamentais à vida e ao bom funcionamento do organismo, e mais pobre em anidrido carbónico, um gás venenoso.

Por outro lado, as plantas acrescentam humidade ao ambiente em que se encontram, podendo tal constituir uma vantagem, caso a habitação se encontre excessivamente seca, ou uma desvantagem ambiental caso se verifique o contrário.

Desde a década de 90 do século passado que se tem tentado responder a uma outra pergunta: as plantas contribuem para purificar o ar no interior das habitações?

Relativamente a esta questão os estudos mais sérios foram realizados pela NASA, integrados na investigação sobre a melhoria da qualidade do ar no interior das naves espaciais e as conclusões foram positivas: as plantas conseguem absorver do meio ambiente produtos tóxicos como o CO2, compostos orgânicos voláteis (por exemplo, o formaldeído, a amónia e a acetona) e hidrocarbonetos, como o benzeno, tricloroetileno, xileno e o tolueno. Todos estes elementos, que resultam das diversas atividades do Homem e que contaminam o ar que respiramos, são absorvidos do ar, quer pelas folhas das plantas, quer por microrganismos existentes na terra que as alimenta.

Porém, nem tudo são vantagens. Algumas plantas de interior são tóxicas para os humanos e para os animais: hederas, antúrios, ficcus, dracaenas, sanseviérias, aloés, dieffenbachias e crisântemos, entre outras, podem causar problemas de saúde, sobretudo a crianças pequenas e a animais domésticos. Por exemplo, já se registaram casos mortais com a planta Dieffenbachia, também, conhecida por "comigo ninguém pode", presente em muitas casas, na sequência de reações alérgicas graves. Dermatites, gastroenterites, reações alérgicas e perturbações neurológicas são as repercussões mais frequentes.

Outro aspeto desta problemática prende-se com a presença de plantas no quarto do doente alérgico respiratório, sobretudo quando essa alergia é a pólenes ou fungos. É que se as plantas existentes polinizarem, tal situação poderá desencadear crises de alergia respiratória. O mesmo se passa relativamente aos fungos. Neste caso, devido à presença de fungos que normalmente existem na terra dos vasos ou nos respetivos pratos há, igualmente, condições para o desencadeamento de problemas respiratórios. E para que tal aconteça não são necessárias existirem muitas plantas. Paracelso, o extraordinário médico e alquimista que viveu no século XVI dizia que "Tudo pode ser veneno, depende da dose. Só a dose faz o veneno". Neste caso, na doença respiratória alérgica a pólenes e a fungos, a dose é irrelevante; basta uma simples planta para desencadear a crise.


Texto por Dr. Jaime Pina
Fundação Portuguesa do Pulmão



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