Covid-19. Os nossos dados são inconsistentes? Porquê?

Nunca se fizeram tantos testes para determinar a prevalência de uma doença e muito se tem falado sobre a inconsistência dos seus resultados. No entanto, é importante referir que as irregularidades são causa das dificuldades de colheita, de análises, de reporte, que fazem passar os números de um dia para o outro, por vezes para a semana seguinte.

Gráficos 1 e 2Gráficos 3 e 4


Os gráficos antes expostos foram executados com dados dos relatórios diários da situação do ministério de saúde. Têm irregularidades no número de casos novos e nas suas percentagens relativas aos números dos dias anteriores, pequenas, compensadas no dia seguinte. Olhando para as curvas é óbvio que no dia 29 e 30 de março foi registado um número menor, compensado pelos casos do dia 1 (Gráfico 3).
Os mesmos dados em percentagem são bem mais consistentes (Gráfico 4). Desenha-se uma curva consistente descendente, clara, evidente, bem-vinda. As irregularidades são causa das dificuldades de colheita, de análises, de reporte, que fazem passar os números de um dia para o outro, por vezes para a semana seguinte. Nada tem a ver com menor número de colheita de testes. Desde o dia 1 de março foram executados (último relatório) 75.564 testes.

 


Em valor por milhão de habitante:

Nada tem a ver com os testes serológicos ou com a sua falta. Nunca se fizeram tantos testes para determinar a incidência de uma doença. Os testes serológicos serão importantes, mas agora são irrelevantes, entre outras coisas pela demora da resposta imunológica, pela urgência do diagnóstico da doença. Seria importante determinar o antigénio (CoVID SARS 2), para diminuir a percentagem de falsos negativos. Será importante no futuro para a decisão de cura e de determinação portadores crónicos, indivíduos que embora tenham anticorpos, tenham também antigénio.

Quanto aos gráficos 1 e 2, são consistentes. A única irregularidade é a percentagem de internamento que foi artificialmente controlada. Depois desse momento, vemos dados consistentes e ótimos, baixa taxa de internamento, taxa de letalidade semelhante aos melhores, maior no grupo etário mais velho e respeitando o género.

Numa palavra, os números estão corretos e são os melhores possíveis tendo em conta situação atual. Seria, será, interessante especular as causas de tão bons resultados. Teremos tempo, agora precisamos de não nos deslumbrar. De ser pacientes e vigilantes. Manter o isolamento profilático duas semanas após a %0 de crescimentos e a vigilância nas fronteiras.

As alternativas são simples, descobrir um tratamento ou aguardar a vacina. O desvario, ainda que contido, pode deitar tudo a perder.

Artigo por
Prof. Dr. José Alves
Fundação Portuguesa do Pulmão



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