Covid-19: Médico de Coimbra relativiza elogios ao BCG


A posição científica tem-se pautado pela expectativa, havendo vários estudos em curso para avaliar o eventual benefício da vacinação contra a tuberculose, designadamente em trabalhadores da saúde, vincou o pneumologista em declarações ao diário "Notícias de Coimbra".
 

Embora o objectivo da administração do BCG consista em prevenir a tuberculose, alguns estudos sugerem que a sua aplicação induz uma resposta imune inespecífica, que pode ter efeitos protectores para além do bacilo Mycobacterium Tuberculosis, designadamente em infecções por vírus, esclarece o delegado em Coimbra da Fundação Portuguesa do Pulmão e antigo director de serviço no CHUC.

O médico Mário Loureiro reconhece, por outro lado, que em países como Portugal e a Roménia, onde a vacinação com BCG foi feita em larga escala, há taxas de mortalidade por covid-19 relativamente baixas.

Pessoalmente, não me parece haver grande vantagem na administração do BCG a pensar no novo coronavírus, porque nos casos graves de covid-19 não há falta de resposta da imunidade inespecífica; antes pelo contrário, surge tempestade imunitária, originando graves problemas inflamatórios.

A vacina BCG foi desenvolvida, no século XX, a partir de um bacilo vivo, o Mycobacterium Bovis, bactéria responsável pela transmissão da tuberculose entre bovinos, cuja virulência foi atenuada para conferir imunidade contra a tuberculose humana. O produto deve o seu nome aos imunologistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin.

Em Portugal, a vacinação deixou de ser feita, de forma universal, à nascença, em 2017, tendo passado a ser administrada a crianças de famílias com risco acrescido para a tuberculose ou que vivem numa comunidade com elevada incidência da doença.

Artigo por Mário Loureiro no jornal "Notícias de Coimbra" a 14 de Maio
Responsável Delegação de Coimbra Fundação Portuguesa do Pulmão



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