COVID-19 e o fim do confinamento


Discute-se o fim do confinamento. A premência económica assim o impõe. Por outro lado, a população está cansada "de fazer de morto". Fazer de morto também cansa, estamos a entrar na sexta semana de isolamento profilático. As pessoas querem assumir a sua vida normal que decorre da normal economia e leva à normal economia. Compreende-se. Mas, outra coisa bem diferente é fazer de Portugal um milagre. Não há aqui milagre nenhum, pode haver fatores insuspeitados que contribuam para uma resposta portuguesa diferente, parece-me que, pelo contrário, a resposta foi adequada, atempada e da responsabilidade do Presidente da República e do Primeiro Ministro.

Quadro 1


Quadro 1


Estamos bem, porem, morrem em média 30 pessoas por dia com a COVID-19, temos 1200 internados, 220 em UCI, 20.000 infetados conhecidos. Os hospitais do SNS, longe da rotura, estão também longe da normalidade. Todas as cirurgias não urgentes foram adiadas, a maioria das consultas são feitas por telefone ou videochamada, as visitas estão proibidas e os profissionais de saúde estão à beira de um ataque de nervos, extenuados física e emocionalmente. Estamos bem, mas à beira do precipício, pela catástrofe eminente, imediata pela mortalidade nos grupos etários mais elevados, mas também pelo desconhecimento das particularidades desta nova doença.

Nesta altura em Portugal, como no mundo há a questão dos portadores, dos doentes que passaram a fase aguda, mas que continuam positivos. A fase crónica, chamemos-lhe assim, atinge todos os grupos etários e é por enquanto completamente desconhecida, a sua clínica e a sua gravidade. As suas consequências e o seu efeito no resto da comunidade.


Quadro 2


Quadro 2


Dito de outra maneira, ainda estamos longe de baixar a guarda e assumirmos a vida normal. Poderemos abrir parcelarmente sectores de atividade económica, da vida social, mas nunca esquecendo que em Wuhan estiveram isolados setenta dias e não quarenta como nós começamos a projetar.

Sempre se soube que quanto melhor corresse a nossa atitude de isolamento e melhores fossem os resultados mais longa seria. Ora, estamos no planalto, estamos, mas não estamos na planície (quadro 1). É cedo demais para desistir de "fazer força na mola". Por outro lado, o que vai acontecer com os casos ativos (quadro 2)?

É cedo para responder, só o futuro nos trará respostas. É cedo para parar.

Artigo por
Prof. Dr. José Alves
Fundação Portuguesa do Pulmão



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