COVID-19, ainda.


Ainda o confinamento e o seu fim. Não podemos encerrarmo-nos, infinitamente, como se fosse idade média e não houvesse interesses, economia, que só ativados nos podem libertar deste aperto de alma individual, e de liberdade coletiva. A certeza da oportunidade de levantar o cerco é pouca. Temos ouvido sempre, se for preciso voltamos atrás, a questão é, e se for tarde de mais?

O SNS não entrou em rotura, quadro 2, por causa do planalto, quadro 1. Não será cedo de mais para cantar vitória? nos últimos três dias contaram-se, em média 310 casos novos diários. Diferente dos 800 de há um mês. Mas ainda assim 310 e longe de 50.




Por outro lado, há duas semanas que desce o internamento e as UCI. Desce, mas pouco. É baixo e desce. Estamos muito agradados com as nossas taxas (Quadros 3 e 4) mas não se sabe porque são assim, e se, bem mais grave, podem deixar de ser. É impossível continuar a "fazer de morto" sob pena de morrer de fome, mas é necessário percebermos que vamos interromper a única razão plausível para os nossos números estarem a correr bem, se se pode chamar a isto correr bem! Talvez seja mais correto dizer, o menos mal possível.



O fim do estado de emergência não pode ser o fim de estado prevenção. Redobrado e musculado. Vamos ter reveses, segunda vaga, sim, não podemos, no entanto, deixar que a segunda vaga seja pior que a primeira. Seria mau de mais. A população que se confinou antes de ser obrigatório, tem de continuar a ser diferente e manter as distâncias sociais e os cuidados que tem vindo a ter. Não há necessidade de sermos obrigados ao confinamento, podemos manter o bom senso por mais algum tempo.

  A COVID-19 é uma desconhecida. Sabemos muito pouco sobre ela. Até agora preocupámo-nos com a mortalidade, pusemos de lado a morbilidade. Porque é que há tantos casos positivos que não curam (Quadros 5 e 6)? Independentemente das taxas de falsos negativos e da metodologia de execução, a fração de positivos é enorme. Os números são assustadores quer a nível mundial quer a nível nacional.

O que quer dizer ser positivo? Quer dizer três coisas:

  • Mantem-se a replicação do vírus, mantêm-se células infetadas a morrer, mantem-se a doença.
  • Mantem-se a contagiosidade.
  • Obriga-nos a pensar em formas crónicas com eventuais sequelas sejam elas orgânicas ou apenas sociais, impedindo os portadores de trabalhar.



Temos ouvido vezes sem conta que estamos no princípio da pandemia. Estamos. Estamos agora na orla de uma mudança de atitude, o fim dos estado de emergência que toda a economia deseja, irremediavelmente inadiável. Mas. Mas temos obrigação de nos manter atentos, mais atentos agora do que antes, mais vigilantes do que nunca.

Artigo por
Prof. Dr. José Alves
Fundação Portuguesa do Pulmão



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