COVID 19. Ainda a oportunidade do desconfinamento.


As nossas cidades estão diferentes. A vida começa a fluir como era usual antes da pandemia. O trânsito parece normalizar no seu exagero das horas de ponta. Aqui e ali podemos usufruir das, ainda não esquecidas, filas que nos exasperavam a rotina diária. Respira-se um ambiente de descontração merecido e desejado. Aspira-se a normalidade, mas? Mas não podemos exagerar.

Por exemplo, as reuniões não podem ter mais de 10 pessoas, as máscaras não podem ser esquecidas. Temos de evitar que a segunda vaga seja pior que a primeira e, de preferência, evitá-la. As máscaras, bem utilizadas, e por todos, são o equivalente ao confinamento. As máscaras, não as viseiras. Estas são importantes em determinados ambientes de alta possibilidade de contaminação, ou como complemento de máscaras, mas não devem, não podem ser usadas isoladamente porque pura e simplesmente não funcionam isoladas.

O SARS-COV-2 está espalhado na população geral e é nosso dever pessoal e social evitar a nossa contaminação. Assim, reiteramos a necessidade da obrigatoriedade das máscaras em locais fechados ou deficientemente ventilados. A COVID 19 não desapareceu com o fim do estado de emergência. Ainda faz parte dos nossos dias. A propósito, para lembrar o que é a COVID 19 trago duas figuras, uma conceptual e conhecida, a figura 1, divide todos os casos sintomáticos de acordo com a sua gravidade, outra, a figura 2, é composta com dados nacionais. Relaciona o número de casos novos nas duas últimas semanas com a necessidade de enfermaria e UCI.

grafico desconfinamento

Estas percentagens não estão longe das conhecidas, contrariariam a ideia que se quer passar de que a COVID é maioritariamente uma doença leve e, assim sendo, pouco perigosa. Ela é maioritariamente ligeira, mas no nosso caso, 21,7 % precisam de cuidados especiais, incluindo a ventilação artificial em 3,6. Nada de novo. Porque voltar a isto? É que parece esquecido pelos repetidos momentos relacionados com a sustentação da economia. O nosso SNS, abençoado seja, não aguentará mais doentes que aqueles que tivemos. Os profissionais estão exaustos, as estruturas abanam. Quem conhece os hospitais por dentro, ao nível das enfermarias, das camas, das macas, sabe que é assim. Portugal aguentou o primeiro impacto com muito melhor desempenho que Espanha, França ou Itália, graças aos portugueses, ou a qualquer outro fator por identificar ou por essas duas razões e mais uma série que ainda desconhecemos. Pouco importa por agora. Não podemos esquecer que a pandemia não acabou. Apenas acabou de começar.

Não podemos baixar a guarda. Não podemos morrer na praia. A máscara é, agora, a nossa arma.

Artigo por
Prof. Dr. José Alves
Fundação Portuguesa do Pulmão



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