A 2ª fase do desconfinamento

Cerca de um mês depois da segunda fase do desconfinamento a região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) ultrapassou a região Norte (NRT), mantendo a percentagem de casos (45%), o número absoluto de casos é maior (17527/17339) Figura 1a e 1b.

 Figura 1a e 1b


Entre 22 de maio e 24 de junho registaram-se 9904 casos novos, perto da média mensal anterior. No entanto, são referentes a uma parcela da população diferente (Fig. 2a e 2b).
A percentagem de casos divididos pela idade era a 22 de maio, 33% na população com mais de 60 anos e 66% entre as pessoas com menos de 60%. Desde então até hoje, a ocorrência relativa alterou-se significativamente, 20% nos mais idosos e 80% com menos de 60 anos.

 Figura 2a e 2b

O vírus não ficou menos virulento, ou agressivo, é muito cedo para esse tipo de evolução. Com o tempo serão selecionadas estirpes menos letais, provocando uma doença muito menos grave, mas para já os resultados diferentes dos anteriores prendem-se com a diferença da população atingida. Sendo mais jovem, tem menor morbilidade e menos mortalidade (Fig. 3a e 3b).

 Figura 3a e 3b

Pelas razões enumeradas, o sistema nacional de saúde (SNS) não está em rotura e o que está a acontecer em LVT, a subida de casos novos, não tem tido, eventualmente não terá, como consequência o aumento do número de mortes nem a rotura do SNS. Mas, estas questões circunstanciais são características de LVT, não do Alentejo, nem do Algarve, nem do Norte nem das regiões insulares. Em todas elas houve subida de casos novos a seguir aos feriados de 10 e 11 de junho, altura em que as autoestradas faziam lembrar a A2 nas mudanças de quinzena dos meses de verão.

Factos positivos. A percentagem de mortes (fig. 3a) que chegou a 4,3 tem vindo a descer até aos atuais 3,8, mas pode vir a subir dentro de duas semanas. Entretanto, apesar da subida de casos novos, os internamentos mantem-se estáveis há quase um mês (fig. 3b). Compreende-se que a premência da economia, associada à estabilidade dos casos graves, leve a pensar que o pior está passado. Engana-se quem pensa assim. Estamos longe de estar em segurança. Nós, a Espanha, a França, a Itália, etc. O vírus está longe de perder virulência. Temos por isso que manter a guarda, evitar mensagens de falsa estabilidade ou segurança.

É muito cedo para dar a luta por terminada.

Artigo por
Prof. Dr. José Alves
Fundação Portuguesa do Pulmão



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