Pneumonia atípica

Pneumonia atípica

A pneumonia é um processo infeccioso dos espaços alveolares do parênquima pulmonar e a imagem de opacidade na radiografia deve-se ao seu preenchimento por exsudado inflamatório e células reaccionais. A maioria das pneumonias adquiridas na comunidade (PAC) são resultado de infecção por diversas bactérias, de que a principal é o pneumococo, em mais de metade dos casos, e que se caracterizam por inícios agudos, febres altas e tosse com expectoração.

Na pneumonia atípica, cerca de um terço das PAC, um outro grupo de agentes, de que se salienta o Mycoplasma pneumoniae, a Chlamydia, a Legionella, e alguns vírus, podem causar pneumonia mas cursando com sintomas variados e de instalação mais insidiosa, febres que podem ser baixas, tosse seca, congestão nasal, garganta inflamada, cefaleias. A variação dos sintomas, por vezes arrastados, podem sugerir os estados gripais e constipação. O prolongar das queixas e/ou o seu agravamento, deve ser avaliado em consulta pelo seu médico, para se conseguir o diagnóstico clínico e o tratamento adequado; na actualidade, com a facilidade de acesso nas farmácias a alguns testes diagnósticos de várias doenças virais, corre-se o risco de apenas se tomar paracetamol ou similar e não recorrer à consulta.

A designação de pneumonias atípicas reune um conjunto que, como dissemos, têm sintomas menos claros, e que apresentam alterações radiológicas variadas, com pequenas manchas no pulmão; numa pneumonia ?típica?, pneumocócica, as imagens de opacidade tendem a ocupar um segmento do pulmão.

Os factores de risco principais são a idade (crianças e idosos), os ambientes fechados (propiciando a transmissão da infecção, como em escolas, quartéis e lares), as doenças crónicas e as diminuições da imunidade e o tabaco.

As medidas de prevenção, além dos ambientes correctamente arejados e das medidas de higiene geral e das mãos, passam pela detecção precoce dos casos e seu tratamento correcto para eliminar as fontes de infecção; a vacinação antigripal e antipneumocócica são importantes nos grupos de risco.

José Miguel Carvalho

Artigo publicado em "A voz dos reformados" janeiro/fevereiro 2026
por Dr. José Miguel Carvalho

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