Doença dos legionários

Doença dos legionários

Em Julho de 1976, num hotel de Filadélfia, teve lugar uma convenção da Legião Americana; nos dias seguintes, tendo já regressado a suas casas, começou a haver notícia de um número elevado de casos de doença grave entre as centenas de veteranos de guerra que tinham estado presentes: febres altas, tosse persistente, dificuldade respiratória e até mortes. Deste surto de pneumonias e outros quadros nesta população idosa não se conseguiu identificar inicialmente um agente contagioso comum. A investigação prolongou-se e só 6 meses depois se conseguiu isolar a bactéria (até aí desconhecida) que foi designada Legionella pneumophila.

A transmissão faz-se por aerossóis de águas que estão inquinadas pela bactéria e neste caso foi o ar condicionado a via de difusão; a ingestão da água não transmite a doença, só a via inalatória pode causar infecção. Águas paradas e não tratadas, em reservatórios, torres de arrefecimento e sistemas de aquecimento das águas, podem ser os causadores destes surtos; estas fontes de infecção podem ser controladas, impedindo o desenvolvimento destas bactérias. Actualmente fazem-se controles dessas águas, detectando situações de risco; no entanto, vamos tendo o registo de casos isolados e por vezes de surtos (como o que se passou na zona de Vila Franca de Xira em 2014).

A pneumonia a legionella, é uma das pneumonias atípicas, caracterizada por tosse, febre, dores de cabeça e musculares, fadiga, diarreia e dor abdominal, sintomas semelhantes aos da gripe. A doença provocada pela legionellapode ser ligeira e autolimitada, mas também pode evoluir com quadros de pneumonia e alteração grave do estado geral. A antibioterapia existe e é eficaz, mas alguns casos evoluem negativamente, podendo ser fatais; os indivíduos com diminuição das defesas, os idosos, os fumadores e com doença pulmonar crónica, têm um risco acrescido.

O conhecimento da legionelose, e as medidas de controle da qualidade das águas, permitem uma maior segurança e prevenção dos surtos da doença.

José Miguel Carvalho

Artigo publicado em "A voz dos reformados" março/abril 2026
por Dr. José Miguel Carvalho


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