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Pneumologista. Fundação Portuguesa do Pulmão Não encontra resposta à sua questão? |
As perguntas mais frequentes 1. Qual é a situação
actual da tuberculose no mundo?
A tuberculose constitui, no início do século XXI,
um dos maiores problemas mundiais de saúde pública
tendo sido declarada uma emergência pela Organização
Mundial de Saúde. Morrem mais pessoas por tuberculose em
todo o mundo, do que por qualquer outra doença infecciosa
curável. Calcula-se que a cada ano que passa, surjam mais
9 milhões de casos de tuberculose e que destes, 1,8 milhões
acabem por morrer. Esta é uma situação particularmente
grave se pensarmos que se trata de uma doença curável
e cujo tratamento custa apenas 20 euros. Apresenta uma grande assimetria
mundial. É na Ásia, África e Europa de leste
que apresenta os mais altos valores de taxa de incidência
(aparecimento de novos casos) (mapa 1).
2. Quais são os novos
problemas associados à tuberculose?
A tuberculose surge com manifestações mais graves,
mais difíceis de diagnosticar e tratar particularmente entre
os grupos de doentes imunodeprimidos.
Outro problema que tem vindo a surgir asssociado ao tratamento da tuberculose, tem sido o aparecimento de estirpes de Mycobacterium tuberculosis resistentes aos tratamentos, o que a torna mais difícil ou mesmo impossível de tratar quando é resistente a todos os fármacos que temos disponíveis. 3. Qual é a situação
da tuberculose em Portugal?
Em Portugal, a tuberculose constitui ainda um problema grave,
apesar de termos vindo a assistir a uma diminuição
gradual do seu número no país. Em cada 100 mil portugueses,
27 ficaram doentes com tuberculose durante o ano 2007.
4. Qual é o agente
responsável pela tuberculose?
O agente responsável pela tuberculose é o Mycobacterium
tuberculosis, também chamado bacilo da tuberculose ou bacilo
de Koch (BK).
5. Como se transmite a tuberculose?
A tuberculose transmite-se de pessoa a pessoa por via aérea
e por isso regra geral, só são contagiosas as pessoas
com tuberculose pulmonar ou laríngea. Cada vez que um destes
doentes tosse, fala, ri, canta ou espirra, liberta pequenas gotículas
que transportam o bacilo de Koch. Estas gotículas são
invisíveis a olho nu e podem ficar em suspensão no
ar ambiente durante várias horas, particularmente se o doente
estiver em local não ventilado. A probabilidade de se ser
infectado com o bacilo de Koch, depende do número de gotículas
infecciosas no ar, do tempo e local de exposição e
da susceptibilidade do indivíduo exposto nesse ambiente.
6. Como podemos minimizar
o risco de transmissão da tuberculose?
Sendo a tuberculose uma doença de transmissão
inalatória, devemos evitar contactos respiratórios
próximos não protegidos, com pessoas que têm
tuberculose em fase contagiosa, essencialmente se estes não
estiverem a tomar medicação, ou se a tomam de uma
forma irregular. Perante a impossibilidade de se evitar o contacto
com a pessoa doente deve-se ter cuidado com o local onde esse vai
ocorrer. Os locais de contacto devem ser arejados e expostos à
luz solar, pois o bacilo da tuberculose é muito sensível
á acção dos raios ultravioleta. Em locais não
ventilados deve-se sempre utilizar máscara.
Como a transmissão não ocorre por via digestiva, genital ou cutânea não se justifica a separação da louça dos doentes. 7. Todos os doentes com
tuberculose são contagiosos?
Não, apenas os doentes com tuberculose pulmonar ou das
vias aéreas superiores são contagiosos. Estes doentes
são habitualmente bacilíferos – contêm
bacilos na expectoração. São estes que ao tossir,
falar ou espirrar eliminam os bacilos para o ar.
8. Quando é que o
doente com tuberculose deixa de ficar contagioso?
Habitualmente, se o doente tomar a medicação conforme
a prescrição do médico, ao fim dos primeiros
15 dias começa a reduzir o risco de contagiosidade. O médico
vai avaliando esse risco através de análises à
expectoração que vai permitindo a contagem desses
bacilos e a análise da sua viabilidade (se se multiplicam).
É perante esses dados que o médico pode garantir que
o doente já não está contagioso e que pode
retomar a sua vida social.
9. Porque é que nem
toda a gente que tem contacto com a tuberculose fica doente?
O doente com tuberculose pulmonar ou das vias aéreas
liberta bacilos para o ar ao tossir, falar, espirrar, cantar ou
rir. Esses bacilos que ficam no ar entram no organismo dos contactos
através da respiração. Ao inalar o ar com bacilos,
estes vão alcançar e depositar-se nos pulmões.
Nessa altura podem ocorrer três situações. As defesas imunitárias conseguem eliminar os bacilos e o indivíduo fica saudável ou os bacilos vencem as defesas do organismo evoluindo para doença com o aparecimento de sintomas como tosse, expectoração prolongada, emagrecimento, sudorese nocturna ou febrícula de predomínio vespertino (ao fim do dia). Numa terceira alternativa as nossas defesas não conseguem eliminar eficazmente o bacilo, mas conseguem mantê-lo inactivo no interior do organismo. Esta situação pode durar anos, ou mesmo o resto da vida. Estes indivíduos estão saudáveis, não estão doentes, não são contagiantes, mas têm uma probabilidade de 10% de vir a ficar doentes alguma vez na sua vida, sendo esse risco maior nos dois anos a seguir à infecção. Esta situação é chamada tuberculose latente. 10. Como é feito
o rastreio dos contactos?
É muito importante o rastreio dos contactos próximos
dos doentes com tuberculose, particularmente daqueles com tuberculose
pulmonar ou das vias aéreas superiores, as formas contagiosas
da doença.
Além de possibilitar a detecção de novos casos de tuberculose, o rastreio permite também diagnosticar os casos de tuberculose (infecção) latente e tratá-los, estando demonstrada a eficácia desta actuação. Dos procedimentos do rastreio faz parte (1) averiguar a existência de queixas, (2) realizar radiografia pulmonar, (3) prova tuberculínica ou de Mantoux e (4) em algumas situações um teste sanguíneo, o doseamento do interferon gama. 11. Quais são as
queixas de um doente com tuberculose?
A tuberculose tem habitualmente uma apresentação
clínica insidiosa, que se vai instalando sem que o doente
se aperceba ou valorize os sintomas. Esta situação
vai surgindo ao longo de dias, semanas ou mesmo meses.
São queixas frequentes o cansaço, falta de apetite, emagrecimento, sudorese nocturna e febrícula (37,5ºC) de predomínio ao fim do dia. As restantes queixas estão relacionadas com o órgão que está envolvido. No caso da tuberculose pulmonar (a mais frequente) associa-se tosse que pode inicialmente ser seca ou com expectoração podendo ou não conter sangue. 12. Como se diagnostica
a tuberculose?
O diagnóstico de tuberculose é bacteriológico,
com identificação do Mycobacterium tuberculosis. Quando
há suspeita de doença é efectuada colheita
do líquido biológico (expectoração,
urina, liquido pleural, liquido pericárdio) ou tecido suspeito
que é analisado ao microscópio com coloração
de Ziehl-Nielsen – exame directo.
De seguida procede-se ao exame cultural que vai permitir a identificação do Mycobacterium tuberculosis e analisar a sensibilidade aos antibióticos (antibacilares) utilizados no tratamento da tuberculose. Este exame demora em média 2 a 6 semanas. Com o desenvolvimento de técnicas de biologia molecular pode ser feita a identificação de material genético do Mycobacterium tuberculosis nos produtos estudados. 13. Como se trata a tuberculose?
Os medicamentos (anti-bacilares) mais eficazes e mais vezes
utilizados são administrados por via oral, sob a forma de
comprimidos, cápsulas ou xaropes.
A duração mínima do tratamento são seis meses, embora a duração total varie em função do órgão envolvido, evolução ou gravidade da doença, podendo ser superior a um ano. Podem existir interferências entre os anti-bacilares e outros medicamentos (pílula anti-concepcional, anti-diabéticos, anti-epilépticos, anti-coagulantes, metadona, etc...), que devem ser tidas em conta pelo médico que segue o doente. O tratamento correcto e eficaz leva a uma cura em mais de 95% dos casos. É fundamental o rigoroso cumprimento da medicação pelo tempo total estipulado, caso contrário pode haver desenvolvimento de resistência aos antibacilares. 14. Pode-se morrer por tuberculose?
O tratamento da tuberculose é bem conhecido e eficaz
na grande maioria dos casos, tanto mais quanto mais rápido
for o início do tratamento e quanto mais rigoroso for o seu
cumprimento. No entanto, a tuberculose é uma doença
contagiosa que pode ser grave e mesmo mortal, principalmente nos
doentes mais debilitados, naqueles que cumprem irregularmente o
tratamento ou que o abandonem antes do fim previsto ou se o diagnostico
é feito muito tardiamente.
15. Onde é feito
o tratamento da tuberculose?
A maioria dos casos de tuberculose é tratada em regime
de ambulatório nas consultas de tuberculose nos Centros de
Saúde ou nos Centros de Diagnóstico Pneumológico
(CDP) da sua área de residência, sem necessidade de
internamento. O internamento é habitualmente proposto sempre
que as condições clínicas o exijam, pela gravidade
da doença e/ou mau estado geral do doente e nos doentes contagiosos
sem condições sociais/psicológicas para restrição
do contágio ou cumprimento da medicação prescrita.
Todos os doentes são preferencialmente tratados em regime de toma observada directamente (TOD), o que significa que o doente se dirige diariamente ao local onde é efectuada a consulta de tuberculose ou numa unidade de saúde onde seja possível efectuar TOD para a administração da terapêutica. A TOD permite não só a confirmação do rigoroso cumprimento da medicação, como a avaliação dos efeitos secundários da mesma. 16. Quais são os
órgãos que podem ser atingidos?
Na grande maioria dos casos a tuberculose manifesta-se no pulmão,
até porque o contacto do bacilo com o organismo é
feita por via inalatória. No entanto outros órgãos
podem ser afectados – gânglios, meninges, pericárdio,
ossos, rins, pele, intestinos, entre outros. Estas manifestações
são extra-pulmonares. As formas extra-pulmonares da doença
não são, regra geral, contagiantes.
17. A vacina BCG protege
contra a tuberculose?
A vacina BCG (bacilo de Calmette-Guérin) tem utilidade
na prevenção das formas graves e disseminadas na criança,
apesar de não evitar o contágio ou mesmo o desenvolvimento
de doença. Todos os recém nascidos devem por isso,
ser vacinados.
A revacinação ao longo da vida não aumenta o grau de protecção não sendo por isso aconselhada. 18. O que se comemora no
dia 24 de Março, o Dia Mundial da Tuberculose?
Todos os anos, se celebra, a 24 de Março, o dia em que
o Dr. Robert Koch, em 1882, descobriu a causa da Tuberculose, o
bacilo da TB. Foi o primeiro passo para a cura da TB.
19. Como se diagnostica
a infecção latente?
Para o diagnóstico de tuberculose infecção
latente (estado em que o bacilo está adormecido, não
estando a causar doença) é necessária a pesquisa
de sintomas sugestivos de tuberculose, a realização
de uma radiografia pulmonar, um teste tuberculínico (ou teste
de Mantoux) e em algumas situações do doseamento de
interferon gama.
Numa primeira fase, o médico exclui tuberculose activa (doença) através da exclusão de sintomas sugestivos de doença e perante um exame físico e uma radiografia pulmonar normais. O diagnóstico de tuberculose infecção latente é dado através dos dois outros testes, o teste tuberculinico e o doseamento do interferon gama que permitem identificar a existência de memória imunológica nas nossas células de defesa contra o bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Esta informação, aliada a uma história de exposição recente a doente com tuberculose, pode torná-lo elegível a iniciar um tratamento que vá prevenir a evolução da infecção para tuberculose activa. |
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