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Nasceu em Lisboa em 1949. Pneumologista e Imuno-alergologista pela Ordem dos Médicos. É Chefe de Serviço Hospitalar de Pneumologia. Foi docente da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, integrou a Direcção da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e dirigiu o Serviço de Pneumologia II e o Departamento de Pneumologia do Hospital Pulido Valente. Actualmente é presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e vice-presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão. Não encontra resposta à sua questão? |
As perguntas mais frequentes 1. O que é a sinusite?
A sinusite é uma inflamação dos seios perinasais
geralmente associada a um processo infeccioso que pode ser originado
por vírus, bactérias ou fungos. É, nos dias
de hoje, uma das doenças mais frequentes da humanidade, mais
geradora de consultas médicas, mais consumidora de antibióticos
e pode interferir na qualidade de vida e no desempenho profissional
e social.
2. O que são os seios
perinasais?
Os seios perinasais são cavidades arejadas, forradas
por uma membrana mucosa idêntica à das fossas nasais,
que existem nos ossos da cara que rodeiam o nariz e que comunicam
através de pequenos orifícios com as fossas nasais.
Os diversos seios perinasais adquirem o nome dos ossos em que estão
localizados, havendo assim, seios frontais, etmoidais, maxilares
e esfenoidal.
3. Quais as causas da sinusite?
Há várias causas por detrás de uma sinusite
mas, todas elas têm como ponto comum uma deficiente drenagem
das secreções nasais que, após se acumularem
infectam.
A alergia respiratória é uma causa importante e frequente: a mucosa intumescida pela inflamação alérgica pode dificultar a drenagem dos seios perinasais e provocar a sua infecção. Nesta perspectiva, o pó doméstico, os pólenes e os pelos dos animais são os principais agentes agressores. Porém, podemos ter sinusites provocadas outras causas: infecções que afectam as vias aéreas, como a gripe e outras viroses respiratórias; más condições climáticas associadas ao binómio frio-humidade, geradoras de uma resposta inflamatória da mucosa respiratória; traumatismos do nariz, com particular destaque para as mudanças bruscas de pressão associadas ao voo ou ao mergulho (causa cada vez mais frequente); poluição atmosférica, sobretudo a poluição automóvel e o tabagismo; má higiene nasal, por exemplo, naquelas pessoas que nunca se assoam ou têm o hábito de colocar os dedos dentro do nariz transportando, assim, para o seu interior os microrganismos neles existentes; má formação das cavidades nasais, com um particular destaque para os desvios do septo nasal. 4. Qual é a diferença
entre uma sinusite aguda e crónica?
Há duas perspectivas. Na primeira, a temporal, diz-se
que uma sinusite é aguda quando a sua duração
se situa entre uma e quatro semanas; sub-aguda quando a sua duração
se situa entre as quatro semanas e os três meses; crónica
quando a sua duração vai para além dos três
meses. Porém, para além desta perspectiva simplista,
há uma outra que tem a ver com a funcionalidade da mucosa
nasal: enquanto que após um episódio de sinusite aguda
a funcionalidade da mucosa do nariz e dos seios perinasais é
recuperada em pouco tempo, podemos considerar que na sinusite crónica
essa funcionalidade pode estar definitivamente comprometida, originando
que o doente apresente uma maior fragilidade e que os episódios
recorrentes de sinusite aguda sejam mais frequentes.
5. Como se manifesta uma
sinusite?
A sinusite tem uma expressão por vezes algo enigmática:
há sinusites muito extensas que têm pouca expressão
clínica e, no pólo oposto, há sinusites mínimas
que afectam muito significativamente os doentes. A obstrução
nasal (nariz entupido), as secreções nasais espessas
e com pus (de cor amarela, verde ou castanha), as dores de cabeça
e/ou nos ossos da face, muitas vezes associadas a febre, são
os sintomas mais frequentes. Mas o leque de sintomas pode ser mais
amplo, sendo habitual a existência de diminuição
ou perda do olfacto, mau hálito, tosse reflexa à escorrência
das secreções nasais pela faringe, dor nos ouvidos
e nos dentes do maxilar superior, mal-estar e cansaço. Estas
queixas, mais acentuadas nas formas agudas, podem permanecer por
longos períodos, naqueles doentes em que, por falta de uma
abordagem adequada, a doença evoluiu para o estádio
de cronicidade.
6. A dor é um sintoma
frequente?
A dor é um sintoma tão frequente que é
vulgarmente aceite que não há sinusite sem dor. Apesar
de poder ter diversas tonalidades a dor da sinusite reflecte a localização
dos seios perinasais atingidos: na fronte em caso de sinusite frontal;
por detrás e entre os olhos na sinusite etmoidal e nas maçãs
do rosto e dentes superiores nos casos das sinusites maxilares.
Já no caso da sinusite esfenoidal a dor é muitas vezes
mais difusa e referida à parte frontal ou posterior da cabeça.
7. A sinusite pode ser uma
doença grave?
Sendo uma doença incómoda, na grande maioria dos
casos ela é uma doença curável, sendo raras
as complicações graves: extensão do processo
infeccioso às meninges (meningite), aos ossos da cara (osteíte),
aos tecidos da face (celulite), estando descritos casos raros em
que a infecção se generalizou a todo o organismo (septicemia).
8. Como se diagnostica uma
sinusite?
Suspeita-se da existência de uma sinusite perante um doente
que apresente uma situação clínica com as características
acima apontadas. A confirmação é feita através
de exames radiológicos - a tomografia computorizada - que
define com precisão o estado de cada um dos seios perinasais
(frontal, maxilares, etmoidal e esfenoidal) e pode evidenciar a
existência de eventuais factores coadjuvantes, como pólipos
ou desvios do septo nasal.
9. Como se trata uma sinusite?
O tratamento desta doença requer uma abordagem especializada,
na qual se definem com muita precisão três objectivos
principais: reduzir a inflamação, promover uma adequada
drenagem das secreções nasais e tratar a infecção.
Para conseguir estes objectivos é importante que o doente beba líquidos, no sentido de manter as secreções o mais fluídas possível. Recomenda-se, também, a lavagem das fossas nasais com solutos salinos (soro fisiológico ou água do mar esterilizada) ou água termal, medicamentos fuidificantes do muco nasal e descongestionantes nasais, estes, por períodos não superiores a cinco dias já que são produtos tóxicos para a mucosa nasal. A infecção trata-se com antibióticos por períodos que oscilam entre os sete e os catorze dias nas sinusites agudas, e que se podem estender até às quatro semanas nas sinusites crónicas. É fundamental que não se interrompa o antibiótico antes do tempo prescrito pelo médico, como forma de prevenir eventuais recidivas e tendo em vista impedir o aparecimento de resistência por parte dos microrganismos infectantes. 10. No tratamento da sinusite
há espaço para a cirurgia?
O tratamento da sinusite é, em princípio, um tratamento
médico, de acordo com os parágrafos anteriores. Porém,
em algumas situações deve recorrer-se à cirurgia.
É o caso das sinusites em que o tratamento médico,
adequadamente realizado, não se revela satisfatório
(ineficácia dos antibióticos) e naqueles casos em
que há obstáculos mecânicos que o tratamento
médico não consegue resolver: sinusites associadas
a significativos desvios do septo nasal, a pólipos ou a quistos
volumosos.
11. A sinusite tem cura?
No caso das sinusites agudas a resposta é claramente
afirmativa, obtendo-se a cura no espaço de uma duas semanas
quando o tratamento é o adequado e o doente cumpridor. Na
sinusite crónica a resposta não é tão
clara. A passagem ao estado de cronicidade provoca alguma deterioração
nos mecanismos de defesa da mucosa dos seios perinasais. Assim,
é de prever que o doente passe a apresentar maior fragilidade
e tenha tendência a sofrer de episódios de inflamação/infecção
sinusal com maior frequência.
12. A sinusite pode ser
prevenida?
A prevenção da sinusite, tal como em qualquer
outra doença, é o objectivo primeiro: é preferível
prevenir do que ter que tratar.
Na prevenção das sinusites entram um conjunto enorme de factores que se integram no que chamamos a “higiene nasal”: evitar todas as formas de poluição atmosférica, evitar o contacto com substâncias que provocam reposta inflamatória alérgica do nariz, não colocar os dedos nem objectos estranhos no nariz, evitar ambientes em que a qualidade física do ar esteja fora dos padrões de qualidade (ar muito frio e húmido e ar muito seco), assoar-se com regularidade, etc. Também o controlo das doenças-base é uma etapa obrigatória na prevenção das sinusites. Por exemplo, o não controlo das alergias nasais (rinite alérgica) associa-se a um maior número de episódios de sinusite. Apesar de não haver uma evidência científica que torne indiscutível o seu aconselhamento formal na sinusite, alguns doentes têm grandes resultados com os tratamentos termais, sobretudo nas sinusites crónicas, e com os medicamentos estimulantes da imunidade – os imunomoduladores. Relativamente aos primeiros, temos um país riquíssimo em águas termais, estando referenciados trinta e sete estabelecimentos termais, a maioria no norte, com águas consideradas adequadas ao tratamento desta doença. Os tratamentos com imunomoduladores, mais conhecidos por “vacinas” visam aumentar a imunidade dos doentes no que diz respeito aos agentes bacterianos, tornando-os assim mais resistentes às infecções. Não esquecer também, em determinados grupos de risco a vacinação antigripal anual. |
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