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Imunoalergologista Coordenador do Centro de Presidente da Sociedade Portuguesa Vice-Presidente da Fundação Não encontra resposta à sua questão? |
Nas últimas décadas verificou-se, em todos os grupos etários, um aumento substancial na prevalência de rinite, a doença alérgica mais frequente, sendo o sub-diagnóstico e o sub-tratamento dificuldades acrescidas para a qualidade de vida dos doentes. Para além da asma e da conjuntivite alérgica, a rinite alérgica está também frequentemente associada à rinossinusite, assim como à otite média e à polipose nasal, sendo assim determinante o controlo desta doença inflamatória crónica, melhorando o curso de todas as outras patologias que lhe estão associadas. As perguntas mais frequentes 1. O que é uma doença alérgica ?
As alergias são respostas exageradas do organismo humano após o contacto com o ambiente que nos rodeia, sendo mais frequentes quando existe uma tendência familiar, isto é, um risco genético para a sua ocorrência. Ou seja, lutamos contra algo que os não alérgicos toleram: "as alergias são um excesso de defesas", por oposição a outras situações clínicas em que existe falta de defesas. Alguns factores de risco relacionados com o estilo de vida das sociedades ocidentais - sedentarismo, alteração da dieta, obesidade, poluição dentro e fora dos edifícios, exposição a alergénios, consumo de medicações, nomeadamente de antibióticos, são algumas dos atributos com peso significativo no aumento da expressão quase explosiva que ocorreu nas doenças alérgicas nas últimas décadas. 2. Como distinguir uma simples constipação de uma reacção alérgica ?
A qualidade e a persistência dos sintomas, que se manifestam por semanas, meses, anos, levam a uma fácil distinção entre os episódios infecciosos, agudos, ou as manifestações das doenças crónicas como são as alergias, como é caso da rinite alérgica. 3. Que prevalência tem a rinite alérgica em Portugal ?
A rinite alérgica é a doença alérgica crónica mais comum, afectando cerca de um quarto da população nacional, crianças e adultos, inclusive entre os idosos. Como acontece com outras doenças alérgicas, a rinite é mais prevalente nos grandes centros urbanos. 4. A rinite alérgica é o principal factor de risco para a asma ?
A rinite e a asma encontram-se frequentemente associadas; dados epidemiológicos, fisiopatológicos e, indirectamente, a influência que fármacos usados no tratamento da rinite alérgica têm na asma, confirmam esta associação positiva, sendo que estudos efectuados em adultos e em crianças identificaram a rinite como um dos factores de risco mais significativos para a asma. O tratamento da rinite alérgica e da rinossinusite melhora os sintomas da asma e pode mesmo prevenir o seu aparecimento; reduz significativamente os riscos de eventos relacionados com a asma, tais como hospitalizações e recursos a serviços de urgência. Importa então diagnosticar e controlar precocemente os quadros de alergias das vias aéreas superiores, o que frequentemente não ocorre, tal como verificamos na nossa prática clínica. 5. Quais as consequências directas dos elevados níveis de pólens na saúde dos doentes alérgicos ?
Os doentes alérgicos podem encontrar-se sensibilizados a vários alergénios, sendo para alguns a sensibilização a pólenes a única fonte alergénica. Assim, na estação polínica predominante, como constituem os meses que coincidem com a Primavera, as muito elevadas concentrações dos pólenes na atmosfera podem desencadear sintomas muito graves, de rinite, de asma, de conjuntivite alérgica, de eczema atópico, da criança pequena ao adulto idoso, que, com frequência, são muito perturbadores da sua qualidade de vida, justificando múltiplas consultas e recursos a serviços de urgência, para além do aparecimento de complicações, nomeadamente de rinossinusite. 6. E os doentes com rinite podem ter várias alergias ?
Em Portugal, e devido a várias condicionantes ambientais, o problema da alergia é ainda mais premente, pois efectivamente muitos doentes encontram-se polisensibilizados, isto é, são múltiplos os alergénios que lhes podem desencadear os sintomas: de pólenes e de fungos no exterior dos edifícios, de ácaros, de animais domésticos, de insectos ou de fungos, no interior das habitações. Nestes casos, a Primavera é apenas mais uma época do ano em que ocorrem sintomas, frequentemente com muitíssima mais intensidade, embora não nos possamos esquecer que outros alergénios continuam presentes e contribuem para o impacto destas doenças, sentida por vários milhões de portugueses. E, por vezes, nos indivíduos com polinoses, a gravidade aumenta de ano para ano, e também progride, de sintomas nasais e oculares, isto é, de rinoconjuntivite, evoluindo para a ocorrência de sintomas pulmonares, isto é, para asma. 7. A rinite alérgica depende apenas da presença dos alergénios ?
Como todas as outras doenças alérgicas, existe uma forte tendência genética para a expressão da rinite alérgica. No entanto é igualmente a influência do ambiente, expressa na sensibilização a alergénios comuns, que leva às manifestações clínicas. Pólenes, ácaros, fungos, animais de companhia, são dos principais agentes fornecedores de alergénios, que podem provocar queixas muito intensas, afectando muito a qualidade de vida; as complicações podem também surgir, manifestando-se nomeadamente por dores de cabeça, alterações do olfacto, dificuldades na concentração e no sono, ou por quadros infecciosos, como são exemplo os perturbadores quadros de sinusite crónica ou otites de repetição, estas últimas especialmente comuns na criança. 8. A rinite alérgica é uma doença sazonal ?
A classificação tradicional da rinite alérgica incluía três categorias, isto é, formas sazonal, perene e ocupacional. No entanto, esta classificação, longe de ser eficaz, foi recentemente substituída por outra que se baseia nas características temporais da doença e nas repercussões na qualidade de vida do doente. Assim, a rinite alérgica deverá ser classificada em intermitente ou persistente, quanto à duração da doença e em ligeira ou moderada a grave, quanto à intensidade dos sintomas e repercussão sobre a qualidade de vida e actividades diárias, diurnas e nocturnas dos doentes. 9. A febre dos fenos é uma doença provocada pelos pólens ?
A alergia aos fenos, designação já pouco usada, identifica os quadros de doença alérgica, geralmente asma e rinite alérgica, relacionados com a sensibilização a pólens, devendo ser estas as designações a utilizar. 10. A hereditariedade é um factor de risco para a ocorrência de rinite ?
A hereditariedade, isto é, o património genético herdado dos progenitores, está fortemente implicado na expressão das doenças alérgicas, fazendo com seja de cerca de 25% a probabilidade da ocorrência de doença alérgica num filho se existem sintomas de alergia em um dos progenitores e de mais de 50% se forem ambos, mas isto fundamentalmente para a doença alérgica de que sofrem os progenitores (rinite, asma,...). 11. Quais são os sintomas de rinite alérgica ?
A rinite alérgica é uma doença inflamatória crónica da mucosa nasal, resultante de uma reacção imunológica, cujos principais sintomas são as crises de espirros, prurido ou comichão nasal, o corrimento nasal e a obstrução ou congestão nasal, durando mais de uma hora na maioria dos dias sintomáticos, os quais podem melhorar espontaneamente ou por acção do tratamento. As complicações são frequentes, nomeadamente afectando a qualidade do sono e relacionando-se com processos infecciosos de sinusite e de otite. Esta doença associa-se com frequência à conjuntivite alérgica, também ela uma doença inflamatória crónica da mucosa conjuntival, que provoca queixas de comichão nos olhos, por vezes com intensa sensação de corpo estranho, edema das pálpebras, olho vermelho, lacrimejo e edema palpebral. 12. Como tratar a rinite alérgica ?
Os tratamentos dividem-se em vários componentes:
13. Durante a gravidez qual é o tratamento da rinite alérgica ?
Muitas grávidas, com ou sem asma, sofrem igualmente de rinite alérgica, sendo mandatório o seu tratamento numa percentagem significativa. Tal como na asma, é possível prescrever anti-alérgicos durante a gravidez, sempre que o benefício seja superior aos potenciais riscos, existindo pelo menos um fármaco muito seguro em cada uma das principais categorias farmacológicas necessárias para o controlo da rinite. Os corticóides inalados estão indiscutivelmente na primeira linha do tratamento da rinite na grávida. Também alguns anti-histamínicos podem ser usados com segurança, o que não acontece com os descongestionantes sistémicos comprovadamente teratogénicos, pelo que, à excepção da pseudoefedrina, não devem ser usados na gravidez. Os descongestionantes tópicos nasais devem ser prescritos por períodos muito curtos, nunca ultrapassando uma semana. 14. A auto-medicação é aconselhável na rinite alérgica ?
Normalmente, as pessoas não gostam dos medicamentos a que chamam "químicos", mas tomam-nos muito em auto-medicação. É preciso e possível fazer tratamentos, orientados pela equipa médica, para controlar a alergia e passar bem durante bastante tempo. Por exemplo, as vacinas antialérgicas são muito eficazes e podem modificar completamente o quadro clínico. No tratamento da rinite, os medicamentos mais úteis são os anti-histamínicos sedativos, por via oral ou spray nasal; e os anti-inflamatórios corticóides, também a nível nasal, dos quais as pessoas têm muito medo, mas sem qualquer motivo. No entanto, os alérgicos devem, isso sim, temer os vasoconstritores nasais, os quais não devem ser usados mais de três ou quatro dias e há pessoas que andam meses e anos a pôr as gotas no nariz! Tal procedimento provoca graves problemas de saúde, não só a nível das fossas nasais, podendo levar à destruição da mucosa, mas também, por exemplo, desencadeando hipertensão arterial. Também o recurso a anti-histamínicos sedativos não deve ser uma opção. No entanto, infelizmente, é demasiadas vezes este o conselho da vizinha ou do amigo... 15. Como se pode aprender a conviver com a rinite alérgica ?
Viva com alegria, se possível sem alergias. Mas se tem doença alérgica, não deixe que ela viva a sua vida. Assuma o controlo! As doenças alérgicas são muito frequentes e a gravidade pode ser considerável. Bons programas de controlo estão disponíveis. As equipas de saúde estão aptas para ajudar a obter um adequado nível da qualidade de vida das famílias afectadas por doenças alérgicas. Mas só pode aspirar a ter um bom convívio quem já está diagnosticado... Não acha estranho estar sempre constipada(o)? 16. As doenças alérgicas têm cura ?
As doenças alérgicas, como a rinite ou a asma, formalmente não têm cura, sendo doenças crónicas onde se pretende, como principal objectivo, obter o controlo e assim permitir uma adequada qualidade de vida. De qualquer modo, podemos estar décadas sem sentir qualquer sintoma de alergia, sendo isto muito mais provável quanto mais controlados estivermos... A intervenção com vacinação anti-alérgica pode modificar a resposta imunológica perante os alergénios e, assim, pode ser pode ser possível modificar a história natural destas doenças, caminhando no sentido da "cura". 17. O que é o Boletim Polínico e, em termos práticos, para que serve ?
A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) desenvolve o Boletim Polínico enquanto instrumento informativo sobre a prevalência de pólenes no território nacional. Durante o período da Primavera, a SPAIC garante, semanalmente e em colaboração com a Universidade de Évora, a recolha e tratamento de dados que quantificam os pólenes mais frequentes em cinco regiões do território Continental: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, bem como nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. O Boletim Polínico, à semelhança do que acontece com a Meteorologia, dá informações sobre os três pólenes clinicamente mais relevantes em cada zona do país, acompanhado de fotografias, densidade e respectivas percentagens. O Boletim Polínico permite ao doente alérgico fazer uma prevenção activa e controlar os seus sintomas, nomeadamente reconhecendo os sintomas alérgicos e sempre que necessário cumprir a terapêutica instituída pelo seu médico; permite ainda conhecer os locais e alturas do ano livres dos pólenes aos quais é alérgico, ou quando eles estão em maior concentração. 18. Esta iniciativa dirige-se apenas a quem sabe que é alérgico ?
De facto, com o Boletim Polínico pretende-se aumentar a consciência na Sociedade sobre as doenças alérgicas que afectam mais de um terço da população. Os pólenes não se visualizam, existindo uma enorme quantidade de casos de alergia não diagnosticados. Quando a população recebe a informação que existem grandes concentrações de pólens na atmosfera, pela primeira vez, com frequência, estabelece a relação com os seus sintomas, do aparelho respiratório (asma, rinite), dos olhos (conjuntivite alérgica) ou da pele (eczema) entre outros, criando as condições para se procurar ajuda junto dos profissionais de saúde, os quais são igualmente alertados para esta problemática. É que a qualidade de vida pode estar a ser muito afectada e o controlo da situação é, geralmente, simples de se obter. 19. Onde pode ser consultado ?
Para obter mais informações sobre o Boletim Polínico ou para consultar a prevalência semanal dos pólenes, pode e deve visitar o sítio www.spaic.pt (Rede Portuguesa de Aerobiologia). Nesta página da Internet pode obter informações sobre a Previsão Polínica semanal e os principais tipos e concentrações de pólenes em cada região. O conhecimento regular do Boletim Polínico é imprescindível para uma correcta actuação preventiva e terapêutica. Permite reconhecer os sintomas alérgicos, programas férias, iniciar ou ajustar a medicação anti-alérgica e prevenir ou atenuar a ocorrência dos sintomas pela instituição de medidas para reduzir a exposição de pólenes. Durante os principais períodos de polinização, existe a divulgação dos principais dados na RTP1 e na Antena 1, sendo igualmente difundidos para a generalidade dos órgãos de comunicação social pela Agência Lusa. 20. Quais as plantas que mais provocam alergias ?
As plantas que habitualmente causam alergia são as que polinizam pelo vento. Os grãos de pólen destas plantas são leves e de fácil libertação, sendo transportados até distâncias consideráveis, e ao entrarem em contacto com as mucosas, do nariz, brônquios ou olhos, são capazes de desencadear nos indivíduos propensos a reacção alérgica. Pelo contrário, as plantas que polinizam através dos insectos, mais vistosas e aromáticas, não libertam pólenes para o ar e portanto dificilmente são causa de alergia. Em Portugal, as Gramíneas, também conhecidas por fenos, são a principal causa de alergia a pólenes, ocorrendo o período de polinização de Abril a Junho. A alergia à erva Parietária, também conhecida por alfavaca-de-cobra, é igualmente muito frequente, sendo entre o grupo das chamadas ervas daninhas a que motiva maior alergia. O período de polinização é mais alargado, podendo ocorrer todo o ano, com frequências máximas em Abril e Maio. Finalmente, falando de pólenes de árvores, a Oliveira é no nosso país a principal causa de alergia, ocorrendo o período de polinização de finais de Abril a Junho. |
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