Pneumologista.

Fundação Portuguesa do Pulmão


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As perguntas mais frequentes


1 . O que é uma pneumonia?
Uma pneumonia consiste, essencialmente, numa inflamação do chamado parênquima pulmonar, que é a parte mais distal do pulmão, onde se dão as trocas gasosas, essenciais para a manutenção da vida; os alvéolos e os bronquíolos respiratórios, que se localizam nesse parênquima pulmonar, são preenchidos, no decurso da pneumonia, com um líquido resultante dessa inflamação, deixando assim de estar aptos para essas trocas gasosas e diminuindo a elasticidade do pulmão devido à consolidação das zonas do parênquima.

A pneumonia, tal como vulgarmente a conhecemos, tem uma causa infecciosa, bacteriana ou não.
2 . A pneumonia é uma doença frequente?
É. Calcula-se que a chamada “pneumonia da comunidade”, que no fundo corresponde à pneumonia que vulgarmente conhecemos, possa afectar, considerando todas as idades, até cerca de 12 casos por mil habitantes/ano sendo as crianças e os idosos os mais afectados e aqueles em que as formas da doença são mais graves, causando um maior número de internamentos!

A doença é mais frequente em países subdesenvolvidos, onde a mortalidade também é maior!
3 . Como se “apanha” uma pneumonia?
A maior parte das pneumonias é adquirida através da aspiração de bactérias que existem normalmente na parte superior da nasofaringe e se tornam agressivas em determinadas condições; mas também podem surgir através de inalação de gotículas infectadas provenientes de outros doentes, como no caso das pneumonias virais. Em casos menos frequentes a pneumonia surge após a inalação de gotículas infectadas a partir do meio ambiente ou de partículas infectadas com origem em animais.
4 . Como se manifesta uma pneumonia?
A pneumonia não dá sintomas particulares, específicos, que permitam desde logo fazer o diagnóstico; ou seja, os sintomas que normalmente se observam são comuns a muitas outras doenças do aparelho respiratório e não só! De qualquer forma os sintomas mais comuns são a febre, muitas vezes elevada, arrepios de frio, tosse com mais ou menos expectoração de cor amarelada ou esverdeada ou cor de ferrugem, dificuldade respiratória ou mesmo falta de ar, dor torácica, dor de cabeça ou musculares entre outros; estes sintomas instalam-se geralmente de forma rápida e podem, ou não, existir todos ao mesmo tempo.
5 . As pneumonias são todas “iguais”?
Não. As pneumonias são todas diferentes, até porque todos os doentes são diferentes entre si e porque os vários microorganismos causadores das pneumonias também são diferentes no seu comportamento e na sua agressividade.
6 . A execução de uma radiografia do tórax é fundamental nos casos de pneumonia?
Sim e não. Sim, porque a radiografia torácica é imprescindível para garantir o diagnóstico de pneumonia e excluir outras doenças que possam dar sintomas do mesmo tipo; não, porque muitas vezes, pura e simplesmente, não existem condições para se obter a radiografia na hora e os sintomas, e o modo como apareceram e se estabeleceram, são muito típicos da pneumonia! Nesta situação, a radiografia torna-se imprescindível se não houver melhoria em 48 a 72 horas ou se o doente tem factores evidentes de risco, que facilitem o aparecimento de complicações.
7 . O que é uma pneumonia atípica?
A chamada “pneumonia da comunidade” pode ser classificada em típica e atípica; na típica os sintomas são sobretudo respiratórios, porque os agentes causadores são essencialmente respiratórios; na atípica os doentes referem muitos sintomas extrarespiratórios, dando a sensação de uma doença mais generalizada.

Esta divisão tem interesse no que diz respeito ao tratamento que é feito com antibióticos distintos conforme se trata de uma ou de outra.
8 . O tratamento de uma pneumonia exige sempre internamento hospitalar?
Na maioria dos casos - talvez mais de 80% - não! O tratamento faz-se em ambulatório e tudo corre bem, mas há situações em que se impõe o internamento, ou porque o doente tem condições próprias, problemas subjacentes ou doenças que assim aconselham, ou porque a evolução da pneumonia não decorre de modo favorável nas primeiras 48 a 72 horas, seja pelo agravamento dos sintomas ou do quadro clínico ou pelo aparecimento de complicações.
9 . As pneumonias que afectam os doentes que já estão internados num Hospital são mais graves?
São, por vários motivos!

Desde logo porque o aparecimento da pneumonia é mais provável nos doentes com condições próprias ou problemas subjacentes que o tornam mais frágil e vulnerável: é o caso dos idosos, pessoas que vivem em instituições sociais ou lares, alcoólicos ou toxicodependentes, desnutridos, grandes fumadores, entre outros.

Por outro lado, nos Hospitais existe uma grande variedade de microorganismos, alguns dos quais marcadamente resistentes a alguns antibióticos, que podem causar pneumonia aos doentes internados por outros motivos que não uma pneumonia ou complicar a situação clínica dos internados por pneumonia; a situação é agravada pelo facto de muitos destes doentes terem outras patologias subjacentes, frequentemente doenças crónicas, ou estarem sujeitos a medicações que diminuem a sua capacidade de defesa.
10. Há vacina para a pneumonia?
A forma mais comum de pneumonia é a chamada pneumonia pneumocócica, na medida em que é provocada por uma bactéria chamada Streptococus pneumoniae.

Este tipo de pneumonia acaba por ser responsável por muitas mortes/ano, apesar de, na maior parte dos casos, ter uma evolução dita benigna.

A vacina protege as pessoas das formas mais agressivas da doença devendo por isso ser aplicada às que apresentam maior risco de saúde; são exemplos disso os idosos de mais de 65 anos de idade, os que vivem em lares ou instituições similares, os que têm doenças crónicas, pulmonares ou não, os sujeitos a tratamentos que debilitam as defesas, as grávidas e os prestadores de cuidados de saúde e conviventes de pessoas de maior risco.

A vacina da gripe e a pneumocócica podem ser administradas ao mesmo tempo, mas em locais distintos.
11 . Uma pessoa deve vacinar-se contra a gripe para se proteger das pneumonias?
Sim, deve!

Sabe-se que a infecção viral recente favorece o aparecimento de determinados tipos de pneumonia a seguir a essa infecção e, pior do que isso, aumenta a probabilidade de complicações resultantes, nomeadamente a necessidade de internamento para tratamento da doença e das referidas complicações; faz portanto sentido que as pessoas, sobretudo as tais que apresentam mais riscos de saúde, se vacinem contra a gripe.
12 . Pode-se morrer de Pneumonia?
Apesar do aparecimento de novos medicamentos e técnicas de tratamento a chamada “pneumonia da comunidade” continua a causar a morte de alguns doentes, mesmo as tratadas em regime ambulatório, sendo neste caso apontadas taxas de mortalidade em redor de 1%, mas atingindo 5% em algumas estatísticas. Na realidade, a pneumonia pode ser uma doença com bom prognóstico, que cura mais ou menos rápida e totalmente, mas também pode ser uma doença grave e até rapidamente fatal; a sua gravidade depende, em grande parte, do tipo de infecção causador da pneumonia, da idade e do estado de saúde do doente antes do aparecimento da doença e da instituição atempada de uma terapêutica adequada à situação em causa. O doente pode morrer por se demorar muito tempo a estabelecer uma terapêutica numa pneumonia aparentemente benigna, como pode morrer por causa de uma infecção muito agressiva num indivíduo antes saudável em que prontamente se estabeleceu uma terapêutica supostamente adequada. Todas as variantes são possíveis, mas, para haver sucesso, é fundamental o estabelecimento precoce de um tratamento adequado; por outras palavras, a probabilidade de vir a morrer de pneumonia aumenta muito à medida que aumenta o número de horas até se iniciar o tratamento adequado.
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