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Pneumologista Assistente Graduada de Pneumologia Hospital de Dia de Insuficientes Respiratórios Hospital Pulido Valente Fundação Portuguesa do Pulmão Não encontra resposta à sua questão? |
As perguntas mais frequentes 1. O que é a oxigenoterapia?
Basicamente, corresponde à administração de oxigénio suplementar de forma a enriquecer o ar que respiramos em oxigénio. O ar é composto essencialmente por dois gases, oxigénio e azoto, em proporções diferentes, 21 e 79%, respectivamente. O tratamento com oxigénio suplementar aumenta a proporção de oxigénio no ar inspirado. 2. O que é oxigenoterapia
de longa duração?
Consiste na administração de oxigénio por períodos prolongados, superiores a 15 horas/dia. 3. Porque é tão
importante o oxigénio para o nosso organismo
A oxigenação adequada do sangue é fundamental para a obtenção da energia necessária ao bom funcionamento de todos os órgãos. 4. O nível de oxigénio
no sangue mantém-se igual durante toda a vida do indivíduo?
Não. Com o envelhecimento o nível de oxigénio no sangue vai baixando, mesmo na ausência de doença. É um processo fisiológico normal. 5. Quem precisa de fazer
oxigénio de forma continuada?
Os doentes com Insuficiência Respiratória Crónica têm uma deficiente oxigenação do sangue. A Insuficiência Respiratória é condicionada por várias doenças com destaque para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), habitualmente relacionada com o fumo do tabaco. Nesta situação, o nível de oxigénio está abaixo do valor que assegura a oxigenação adequada dos órgãos nobres como o cérebro, o coração, o fígado e o rim. Existirão sintomas como a falta de ar com o esforço, limitando a actividade física (incluindo as tarefas da vida diária), perturbação da memória, dificuldade de concentração, entre outros. 6. Onde deve ser feita a
prescrição de oxigenoterapia?
A avaliação inicial da necessidade de oxigenoterapia deve ser feita em consulta especializada, cabendo ao médico de medicina familiar dar continuidade à prescrição depois de definido que o doente tem critérios para fazer oxigenoterapia de longa duração e depois de aferidos os débitos a recomendar. 7. Como é feita a
avaliação da oxigenação do sangue?
Através da gasometria arterial que consiste na colheita de sangue de uma artéria superficial (o sangue oxigenado circula nas artérias), sendo escolhida habitualmente a artéria radial (do punho). O sangue é depois analisado por um aparelho que mede os gases no sangue. Esta avaliação deve ser feita com o doente em fase de estabilidade, isto é, no seu normal, sem sintomas de infecção respiratória, por exemplo. O médico deve certificar-se que o doente não fuma e que a medicação dirigida à doença de base está correcta, optimizada nas doses e que é cumprida. A avaliação deve ser repetida dentro de duas semanas e se o nível de oxigénio se mantiver abaixo do valor considerado limite para o bom funcionamento dos órgãos terá de se prescrever oxigenoterapia. 8. Como é feita a
prescrição?
Existem vários requesitos que devem ser observados: - duração da oxigenoterapia – por períodos superiores a 15 horas/dia, não devendo o doente estar mais que 3 horas seguidas sem oxigénio - débito de oxigénio (quantidade em litros por minuto) – os débitos devem ser aferidos para cada doente (cada caso é um caso), nas várias situações do quotidiano: em repouso, no sono e no esforço - fonte de oxigénio – oxigénio gasoso ou líquido - meios de administração do oxigénio – óculos nasais, sonda nasal ou máscara - ensino do doente a manipular o equipamento e, sobretudo, a cumprir os débitos recomendados pelo médico. Estes não deverão ser aumentados por sua iniciativa, mesmo em situação de agudização de sintomas como a falta de ar. - humidificação – só é necessária nas situações de débitos elevados (superiores a 4l/min), não sendo frequente 9. Porque se devem cumprir
15 horas/dia?
Existem dois estudos científicos, publicados nos anos 80, que evidenciaram o aumento da sobrevida nos doentes com Insuficiência Respiratória Crónica, com critérios para oxigenoterapia, que cumpriam 15 ou mais horas por dia. 10. O doente deve ficar
em repouso enquanto faz oxigénio?
A oxigenoterapia não pode limitar as actividades do doente, que deve ser incentivado a deambular. São importantes as recomendações para a mudança do débito de repouso para esforço e vice-versa. 11. Que fontes (tipos) de
oxigénio existem?
Existem duas fontes de oxigénio: gasoso e líquido. O oxigénio gasoso está disponível em garrafas ou botijas. Consoante o débito de oxigénio recomendado assim a duração das garrafas, que têm de ser substituídas com frequência. O oxigénio gasoso é também fornecido pelos concentradores, que funcionam extraindo oxigénio do ar. Estes aparelhos têm a vantagem de não precisar de substituição, mas não fornecem débitos elevados e só funcionam ligados à corrente eléctrica. O oxigénio líquido é armazenado em contentores a temperaturas negativas. Permite que o doente, ou a família, encha um dispositivo portátil para deambulação na rua, ou seja permite ao doente uma actividade exterior mais intensa, inclusivamente a manutenção de actividade laboral. A duração do fornecimento de oxigénio pelo dispositivo portátil depende do débito prescrito e do modelo do dispositivo. O oxigénio líquido é mais dispendioso e tem a desvantagem de se evaporar se não for gasto. 12. A oxigenoterapia de
longa duração é para toda a vida?
De forma geral, sim. Por isso se deve fazer uma avaliação criteriosa antes da prescrição. Isto é, deve haver confirmação, em tempos diferentes, de que a oxigenoterapia tem indicação. Contudo, existem situações de excepção. É o caso dos doentes que necessitam de fazer oxigénio num internamento por agudização e que, à data da alta, ainda não apresentam os seus valores habituais de oxigénio no sangue. Estes doentes serão reavaliados posteriormente em consulta, já em fase de estabilidade, para determinação da necessidade de manutenção. 13. Como deve ser feito
o controlo da prescrição?
O controlo da prescrição deve ser mensal nos primeiros três meses para ajuste dos débitos e avaliação da adaptação do doente, passando depois a trimestral ou semestral. 14. Como é definido
o débito a fazer durante o sono?
Idealmente esta avaliação é feita com recurso à oximetria nocturna, exame não invasivo, que pode ser realizado no domicílio do doente. Este exame permite avaliar a saturação do sangue em oxigénio e estabelecer qual o débito adequado à sua correcção, caso esta se encontre baixa. Nos doentes com padrão sugestivo de síndrome apneia do sono (com paragens frequentes na respiração durante o sono superiores a 10 segundos), a correcção da baixa de oxigénio é feita com recurso a ventilação nocturna. 15. Como proceder para decidir
qual o débito a recomendar no esforço?
O doente efectua uma prova de marcha de 6 minutos para avaliação basal da oxigenação do sangue em situação de esforço (durante a marcha). Em caso de dessaturação significativa (baixa do oxigénio), a prova é repetida com administração de oxigénio suplementar, de forma a identificar-se qual o débito adequado. 16. Quais os cuidados a
ter com a oxigenoterapia?
Deve ser evitada a proximidade com qualquer tipo de chama/faísca, porque o oxigénio é inflamável. O oxigénio líquido, porque é armazenado a temperaturas negativas, também pode causar queimaduras se não houver cuidado no manuseamento. 17. O oxigénio tira
a falta de ar?
Existem medicamentos destinados a dilatar os brônquios (os broncodilatadores) que são administrados por via inalatória e que promovem, em pouco tempo, o alívio da falta de ar. O contributo da oxigenoterapia faz-se sentir no aumento da capacidade de exercício físico, pela melhoria da tolerância ao esforço e não na dilatação brônquica. 18. Existem outras situações
que necesssitam da administração de oxigenoterapia por
período de curta duração?
É o caso da administração de oxigénio em serviço de urgência a doentes com evidência de Insuficiência Respiratória Aguda, como por exemplo nas crises de Asma. A avaliação da oxigenação em serviço de urgência deve ser feita a todos os doentes com dificuldade respiratória, com recurso à oximetria de pulso (que nos dá informação sobre o estado de saturação do sangue em oxigénio) ou à gasometria arterial. Muitos destes doentes deixarão de necessitar de oxigénio depois de estabilizados. De salientar que os débitos de oxigénio devem ser prescritos com cuidado, de modo a obter a oxigenação pretendida sem causar efeitos deletérios, como a inibição da ventilação. 19. Quais os sintomas e
sinais da falta de oxigénio no sangue?
O doente pode referir falta de ar, apresentar-se confuso, sonolento, com ritmo cardíaco acelerado. A família poderá detectar cor azulada da pele e unhas. Em qualquer destas circunstâncias não se deve elevar o débito de oxigénio sem recomendação médica, estando indicado levar o doente ao serviço de urgência. 20. A oxigenoterapia dá
habituação?
Esta questão não se coloca. O doente tem critérios para fazer oxigénio de longa duração (domiciliário), ou não tem. A prescrição de oxigenoterapia recomenda, logo de início, que seja cumprida por período superior a 15h/dia (isto é, no mínimo). Se o doente fizer mais que 15 horas (pode ir até às 24h) terá mais benefícios. Não se trata de dependência ou de habituação. 21. A família deve
aprender a manipular o equipamento de fornecimento de oxigénio
e conhecer os débitos prescritos?
Sim. Em fase de estabilidade, o doente deverá saber, ele próprio, manusear o equipamento e que débitos lhe estão recomendados. Em situação de agudização, pode existir alguma desorientação (até relacionada com a falta de oxigénio), devendo a família ter conhecimentos sobre a doença e tratamento, de modo a apoiar o doente. 22. O doente Insuficiente
Respiratório Crónico quando planeia viagens de avião
deve aconselhar-se com o médico assistente?
Sim, porque será necessário ajustar (aumentando) o débito de oxigénio durante a viagem. O doente deverá trazer da companhia aérea um questionário próprio onde o médico prestará todos os esclarecimentos. No avião, o oxigénio disponibilizado é o da aeronave, mesmo que o doente tenha oxigénio líquido. 23. É esperado que
mesmo sob oxigenoterapia domiciliária a função
respiratória se agrave?
Sim. Independentemente da medicação e da oxigenoterapia existe um declínio anual da função respiratória, que é menor nos doentes que não fumam. De notar que também a população considerada normal regista perda anual da função respiratória, que se traduz pela diminuição da capacidade de exercício. 24. O estado comparticipa
a oxigenoterapia?
Sim. O Sistema Nacional de Saúde comparticipa integralmente a oxigenoterapia (quer se trate de oxigénio gasoso ou líquido). Alguns subsistemas como a ADSE comparticipam parcialmente. Nos doentes com concentrador de oxigénio (que só funciona ligado à corrente eléctrica), as empresas fornecedoras contribuem com uma pequena percentagem da despesa de electricidade. 25. Quais as recomendações
mais importantes?
- cumprir o número de horas recomendado - não alterar os débitos por iniciativa própria - mudar o débito de repouso para o de esforço quando executa tarefas ou actividades da vida diária e não esquecer de voltar a colocar o débito de repouso quando descansa. - não fumar - fazer a medicação broncodilatadora, quem tem critérios, porque a oxigenoterapia não substitui a acção dos inaladores. 26. O que deve ser avaliado
em todas as consultas?
A adesão do doente à oxigenoterapia, a sua adaptação e o grau de conhecimentos. O ensino tem de ser reforçado, de modo a optimizar os resultados. O doente deve explicar receios e anseios, que caberá ao médico esclarecer. 27. A oxigenoterapia melhora
a autonomia do doente?
Sim. A oxigenoterapia contribui para a melhoria da tolerância ao exercício físico. Por outro lado, o oxigénio líquido permite que o doente saia de casa, mantenha actividade exterior e vida de relação, tornando-se menos dependente. A oxigenoterapia melhora a qualidade de Vida do doente. |
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