Conclusões do I Congresso


PRÉMIO DA FUNDAÇÃO PORTUGUESA DO PULMÃO 2010

Estão abertas as candidaturas a este Prémio, destinado a galardoar a iniciativa, acontecimento, evento, actividade social, estudo ou trabalho científico que, em 2009, mais tenha contribuído para a saúde respiratória dos portugueses.

Consulte o Regulamento

03/01/2010 - 2010: O ANO DO PULMÃO

O Fórum Internacional das Sociedades Respiratórias (ATS, CHEST, ERS, UICT-MR, entre muitas outras Sociedades), reunido na 40ª Union World Conference on Lung Health, em Cancum, México em 6 de dezembro de 2009, reconhecendo que centenas de milhões de pessoas em todo o Mundo sofrem anualmente de doenças respiratórias crónicas e preveníveis, que a saúde respiratória tem sido neglicenciada no discurso público, compreendendo a necessidade de unificar os diferentes esforços de defender a saúde respiratória sob um único propósito, expressa a urgência em incrementar a tomada de consciência sobre estes dados e da concretização de medidas eficazes de acção no campo da Saúde do Pulmão. Com esses objectivos declaram
2010 : O Ano do Pulmão.

A Fundação Portuguesa do Pulmão reconhece a razão destas preocupações e das expressas na declaração então produzida, pelo que procurará, em 2010, celebrar o Ano do Pulmão, contribuindo para alertar a população e as autoridades para o problema da Saúde Respiratória em Portugal e no Mundo.

Visite o site www.yearofthelung.org

2010: ANO DO PULMÃO - DECLARAÇÃO

Notamos com grande preocupação que:

Centenas de milhões de pessoas anualmente lutam pela vida e pela capacidade de respirarem devido a doenças respiratórias, incluindo tuberculose, asma, pneumonia, gripe, cancro do pulmão e doenças respiratórias crónicas, e mais de 10 milhões morrem.

As doenças respiratórias crónicas causam aproximadamente 7% das mortes no Mundo e representam 4% do impacto de todas as doenças.

As Doenças Respiratórias atingem pessoas de todos os países e de todos os grupos sócio – económicos, mas cobram o principal tributo nos mais pobres, nos idosos, nos jovens e nos mais fracos.
Existem sinergias fatais entre doenças como a tuberculose e a SIDA, gripe e asma, DPOC e cancro do pulmão.

Doenças que em tempos atingiam principalmente os países industrializados, como a asma, DPOC e cancro do pulmão, são agora problemas major em países de baixo e médio rendimento, ameaçando sufocar os serviços de saúde.

O custo das doenças respiratórias atinge biliões de dólares anualmente, por perda de produtividade e aumento das despesas de saúde, mesmo nada contabilizando das vidas encurtadas e arruinadas.

Contudo a exigência pública e o envolvimento político, continua inadequado para que se possa alcançar uma mudança significativa.

Reconhecemos que:

A ligação entre respirar e viver é fundamental; apesar disso a evidência demonstra que a saúde respiratória não está no topo da agenda da saúde pública.

O consumo de tabaco permanece legal, ainda que mate mais de 5 milhões de pessoas anualmente, incluindo 1,3 milhões que morrem de cancro do pulmão, e prejudique a saúde de centenas de milhares de outros expostos aos efeitos do fumo e tabaco em segunda mão.

Nenhum novo fármaco contra a tuberculose foi desenvolvido nas últimas 5 décadas e a única vacina tem cerca de um século; contudo em 2007 surgiram mais de 9 milhões de novos casos da doença, matando 1,7 milhões de doentes em cada ano.

A Pneumonia mata, anualmente, mais e 2 milhões de crianças com menos de cinco anos – uma criança a cada 15 segundos- apesar de ser uma doença tratável e a baixo custo.

Mais de 250.000 mortes, em cada ano, podem ser atribuídas a falta de tratamento apropriado.

Apesar de, em 2020, vir a ser a terceira causa de morte a nível mundial, a DPOC frequentemente não é diagnosticada.

Aproximadamente metade da população mundial vive em, ou próximo de, áreas com má qualidade do ar.

Neste Ano do Pulmão apelamos aos nossos parceiros para que:

Difundam amplamente o apoio às mais de 160 nações que ratificaram o primeiro tratado internacional sobre Saúde Pública – a WHO Framework Convention on Tobacco Control - , e apelem às restante nações para o façam.

Reivindicar aumento dos fundos para investigação que permitam desenvolver novas ferramentas e tratamentos nas áreas do diagnóstico, vacinas e medicamentos.

Fortaleçam os Sistemas de Saúde e trabalhem no sentido duma distribuição justa e equitativa dos recursos de saúde a todos os que deles necessitem.

Pressionem no sentido da melhoria da legislação que proteja a qualidade do ar que respiramos.

Assegurem que todos os trabalhadores de saúde, pais, crianças, professores, empregados, lideres religiosos, lideres comunitários, representantes dos meios de comunicação e governantes, conheçam os riscos e sintomas das doenças respiratórias e como manter os pulmões saudáveis, uma vez que a saúde respiratória é essencial para respirar e viver.

Declaração do Fórum Internacional das Sociedades Respiratórias (Cancum, 6 de Dezembro de 2009)

22/12/2009 - GENOMA E CANCRO DO PULMÃO

Há dias, cientistas britânicos conseguiram estabelecer, pela primeira vez, o mapa genético do cancro do pulmão. O sequenciamento mostra as mutações do ADN que levam a esse tipo de cancro. Os cientistas acreditam que esta descoberta pode transformar nos próximos anos a maneira como esta patologia de elevada incidência (primeiro lugar a nível europeu) é diagnosticada e tratada.

Em 1990, vários cientistas em vários países iniciam uma gigantesca pesquisa sobre o genoma humano. O trabalho de identificação consistia no mapeamento genético, isto é, no registo da posição de cada um dos genes nos 23 pares de cromossomas humanos e no seu sequenciamento.

No dia 10 de Julho de 1999 foi anunciado o primeiro rascunho do genoma humano. Como a precisão do resultado necessitava de ser máxima, dez a doze análises e revisões foram feitas de modo que cada base no genoma fosse correctamente sequenciada.

Em 14 de Abril de 2003 foi anunciado que o projecto foi concluído com sucesso, com a sequenciação de 99% do genoma humano, com uma precisão de 99,99%.

Para muitos este era um marco histórico. Tão ou mais importante que a chegada do homem à Lua. O conhecimento da sequenciação permitia decifrar o código da vida. Conhecia-se as letras do livro de instruções para fazer um ser humano. Agora, teríamos de aprender a ler as palavras, ou seja, encontrar os genes que codificam o fabrico das mais de 100 mil proteínas de que somos feitos.

Neste material genético está contida toda a informação para a construção e funcionamento do organismo humano. Este código está contido em cada uma das nossas células. O genoma humano distribui-se por 23 pares de cromossomas que, que por sua vez, contêm os genes. Toda esta informação é codificada pelo ADN (ácido desoxirribonucleico) que se organiza numa estrutura de dupla hélice.

A ordem particular do alinhamento dos pares ao longo da cadeia corresponde à sua sequenciação. Estas sequências que codificam as proteínas são os genes, que constituem a menor parte do ADN. Para além dos genes, o ADN é constituído na sua maior parte por material genético inactivo(97%). Estudos recentes mostram que este material não pode ser desprezado pois coloca-se a hipótese do mesmo desempenhar funções de coordenação e de conservação do próprio ADN.

A descodificação do genoma permitiria não só uma melhor compreensão dos motivos que levam a determinadas doenças genéticas e malformações como também dos problemas mais vulgares como a diabetes ou o cancro. A utilidade evidente e imediata do conhecimento do genoma humano era permitir conhecer as causas da maioria das doenças. O seu conhecimento poderia permitir diagnosticar e curar muitas delas e prever os potenciais riscos das mesmas ocorrem em certas pessoas.

Anos atrás, no Canadá é descoberto o genoma de um tipo de tumor da mama que corresponde a 10% dos casos de cancro da mama. Utilizando uma nova técnica, uma equipe de investigadores sequenciou o genoma do tumor e identificou as mutações que permitem a propagação do cancro pelo organismo.

A investigação na área da oncologia, verdadeiro flagelo do seculo XXI, torna-se prioritária. O Reino Unido investe na pesquisa do cancro da mama, pulmão e pele. O Japão investe nos tumores do fígado e a India no cancro do pescoço. Os Estados Unidos investigam nos tumores do cerebro, ovário e pancreas. Muitos outros países, entre os quais Portugal, colaboram neste esforço mundial.

Ao identificarmos todos os genes dos tumores, seremos capazes de desenvolver novos medicamentos que combatem genes especificos alterados.

Há dias, cientistas britânicos conseguiram estabelecer, pela primeira vez, o mapa genético do cancro do pulmão. O sequenciamento mostra as mutações do ADN que levam a esse tipo de cancro. Os cientistas acreditam que esta descoberta pode transformar nos próximos anos a maneira como esta patologia de elevada incidência (primeiro lugar a nível europeu) é diagnosticada e tratada.

Cientistas compararam a sequencia de ADN em tecidos tumorais e normais. O código genético do tumor do pulmão tinha mais de 23 mil erros, em grande parte secundários à exposição ao fumo do tabaco. Se muitas dessas alterações serão inofensivas, outras estarão na origem e proliferação do cancro do pulmão. Um fumador adquire nova mutação por cada 15 cigarros que fuma. Mas para encontrar aquelas que contribuam para a proliferação, disseminação e morte dos doentes com cancro do pulmão serão necessários ainda anos de trabalho adicional.

Estas descobertas no âmbito das alterações genéticas, associam-se à recente compreensão dos fenómenos da biologia celular, às novas tecnologias de diagnóstico e estadiamento, o advento de novos fármacos citostáticos, novas modalidades de aplicação da radioterapia e importantes avanços na cirurgia. Tudo terá tradução num significativo aumento médio da sobrevida, em maior taxa de cura e em melhor qualidade de vida.

De momento todos devemos estar em alerta permanente para detectar, tão precoce quanto possível alterações clínicas e imagiológicas suspeitas desta patologia. Sempre que suspeite de cancro do pulmão, procuremos esclarecer rapidamente. A disponibilidade dos centros que diagnosticam e tratam cancro do pulmão é total.

Avançamos, ajustando cada vez mais o nosso saber ao conhecimento do perfil genético, biológico e molecular de cada doente.

Fernando Barata
Pneumologia Oncológica, Centro Hospitalar de Coimbra
Fundação Portuguesa do Pulmão

21/12/2009 - ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E DOENÇAS RESPIRATÓRIAS. A CIMEIRA DE COPENHAGUE UMA OPORTUNIDADE PERDIDA?

Terminada a United Nations Climate Conference, que decorreu em Copenhague de 7 a 18 de Dezembro, a Fundação Portuguesa do Pulmão vê com preocupação que, uma vez mais, não tenha sido possível que os responsáveis máximos dos governos tenham chegado a acordo em defesa do futuro do planeta e da humanidade.

É certo que se obteve um acordo mínimo, mas não vinculativo e sem metas definidas, o que é preocupante. Como aspecto positivo o facto de neste acordo estarem envolvidos a China e os Estados Unidos. Esperemos que se confirme a esperança do Secretário Geral das Nações Unidas de que no próximo ano, no México, seja possível chegar a um tratado, que permita envolver todas as nações no combate às alterações climáticas.

É natural que a FPP se sinta na obrigação de se envolver neste combate uma vez que as alterações climáticas, e a sua importante causa a emissão dos gases com efeito de estufa, são responsáveis pelo aumento da mortalidade e morbilidade em consequência das ondas de calor e de frio, a um aumento das agudizações das doenças cardiorespiratórias em consequência do aumento das concentrações de ozono troposférico, impacto na frequência das doenças respiratórias devido á poluição atmosférica transfronteiriça (fogos, aerossóis) e alteração na distribuição espacial e temporal de alergenos e alguns vectores de doenças infecciosas. Estes impactos influenciam não só a história natural de doenças pré existentes, como têm influência na incidência e prevalência das doenças respiratórias, nomeadamente asma, rinosinusite, DPOC e infecções Respiratórias.

No entanto o conhecimento da influência do clima na saúde respiratória baseia-se ainda em informação escassa complementada por dados especulativos, ainda que com bases científicas substanciais. È pois necessário investigação aprofundada do tema, no sentido de reconhecer a completa realidade, antecipar os impactos futuros e encontrar medidas adequadas para adaptação do homem às alterações climáticas que se avizinham.

Para avaliação da realidade portuguesa a Fundação vai dedicar o seu I Fórum sobre Ambiente e Saúde ao tema Alterações Climáticas e Doenças Respiratórias (Lisboa 31 de Maio).

06/12/2009 - Plataforma Saúde em Diálogo

A Fundação Portuguesa do Pulmão passou a integrar, desde 3 de Novembro de 2009, a Plataforma Saúde em Diálogo.

O que é a Plataforma Saúde em Diálogo?
É uma associação sem fins lucrativos, constituída por associações de doentes, de promotores e profissionais de saúde e de consumidores. A Plataforma tem por objectivo afirmar-se como parceiro participante na definição das políticas de saúde através da intervenção junto dos órgãos de decisão.

Quem representa?
A Plataforma exprime os interesses e a defesa das causas de largos milhares de doentes e utentes de Saúde portugueses, representados nas diferentes organizações que a constituem, trinta associações, entre as quais salientamos: Associação Nacional de Farmácias, Associação de Doentes com Lúpus, Associação de Mulheres contra a Violência, Associação Portuguesa da Asmáticos, Associação Portuguesa de Doentes com Parkinson, Fundação do Gil, Fundação Portuguesa de Cardiologia, Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva, Instituto de Apoio à Criança, Liga Portuguesa contra a SIDA, Liga Portuguesa contra o Cancro, União Geral de Consumidores, Fundação Portuguesa do Pulmão, etc..

O que pretende?
Desenvolver um contacto estreito e permanente entre profissionais de saúde, promotores de saúde, doentes e consumidores, para reforçar a sua capacidade de afirmação de acordo com os seus objectivos estatutários e que são: representar os interesses colectivos dos doentes ou de grupos de doentes e dos demais utentes de saúde; representar os interesses dos utentes de saúde portadores de patologias consideradas raras; defender os interesses dos consumidores; participar na elaboração da legislação relativa ao seu âmbito de actividade, nomeadamente de saúde, segurança social e educação; emitir pareceres por sua iniciativa ou a pedido do Governo e fazer-se representar em órgãos, entidades e grupos de trabalho, sempre que solicitados pelas respectivas instâncias políticas, promover a investigação, organizar seminários e outras reuniões, realizar actividades de formação, criar ou gerir estruturas de interesse comum a vários associados.

O Espaço Saúde em Diálogo como Instrumento
A Plataforma inaugurou em 22 de Setembro, em Faro, na Praceta Azedo Gneco, nº17 Bloco E - Edifício da Carreira de Tiro, o Espaço Saúde em Diálogo (ESD) que pretende ser um espaço comum a todas as Entidades que integram a Plataforma Saúde em Diálogo.

O seu objectivo é o de apoiar a população do Algarve nas várias áreas de intervenção representadas na Plataforma, divulgando, simultaneamente, as várias associações que a integram. O Espaço Saúde em Diálogo será gerido pelas Associações que integram a Plataforma, em estreita ligação com os serviços de saúde e demais estruturas locais, no sentido de fomentar o diálogo e a solidariedade entre doentes e utentes de saúde. Pretende-se que constitua um centro de referência para os doentes crónicos que aqui poderão obter informação, apoio e encaminhamento, quando necessário, relativamente à sua patologia.

A Fundação Portuguesa do Pulmão, por intermédio da sua Delegação Distrital (chefiada pelo Dr. Ulisses Brito) está-se a organizar no sentido de se integrar nas actividades desta estrutura, promovendo sessões de informação e de formação destinadas a doentes e profissionais de saúde, sobre os principais temas da Medicina Respiratória (asma brônquica, DPOC, tabagismo, tuberculose, etc.) e rastreio de doenças respiratórias.

( Ver em htpp://www.plataforma.org.pt)

30/11/2009 - PORTUGAL SEM FUMO

No dia 16 de Novembro foram apresentadas as conclusões/recomendações do Grupo de Peritos da iniciativa “Portugal sem Fumo”, no Auditório do Infarmed em Sessão Pública presidida pelo Director Geral da Saúde Dr. Francisco George

A Professora Ana Escoval apresentou as conclusões do debate entre os peritos do painel, que decorrera em 2 de Novembro, e no qual tinham sido debatidos os temas : Legislação, Prevenção, Tratamento e Criação de Plataformas Observacionais de Qualidade de Intervenção dos Profissionais dos vários Sectores na área do tabagismo. Estas conclusões foram comentadas pelos Drs António Araújo ( IPO do Porto) e A. Teles de Araújo (Fundação Portuguesa do Pulmão).

Portugal sem Fumo é um fórum de debate público que se realiza anualmente, impulsionado por um painel multidisciplinar de personalidades e representantes de entidades públicas, privadas e sociais, para discussão da temática do tabagismo e medidas de saúde públicas associadas.

Realizado desde 2007 dele têm emanado importantes documentos de reflexão, que recomendamos e que podem ser consultados em htpp://www.portugalsemfumo.org

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