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Pneumologista. Mestre em Medicina do Sono pela Faculdade de Medicina de Lisboa Fundação Portuguesa do Pulmão Não encontra resposta à sua questão? |
As perguntas mais frequentes 1. RESSONAR É NORMAL?
Não é normal, nem para crianças, nem para
adultos, apesar de mais de 50% das pessoas ressonarem.
2. PORQUE RESSONAMOS?
Porque a dormir a respiração é diferente,
com os músculos mais relaxados, especialmente nas vias aéreas
superiores. Ressonar significa que o ar tem dificuldade em passar
naquelas vias (nariz, faringe), habitualmente por obstrução.
Tudo o que facilite essa obstrução (por exemplo, dormir
de barriga para o ar (decúbito dorsal), excesso de peso,
álcool, certos medicamentos, tabaco, nariz obstruído
por “constipações” ou alergias), facilita
que se ressone. Ressonar pode ser o primeiro sinal de problemas
respiratórios muito sérios durante o sono. Quando
acordados, se tivessemos dificuldades idênticas resolvê-las-iamos
logo porque estamos conscientes. A dormir, como estamos inconscientes,
não sabemos o que acontece. É por isso que, frequentemente,
os ressonadores estranham ou não aceitam quando se lhes diz
que ressonam.
3. É GRAVE RESSONAR?
Pode ser grave para o ressonador se, além de ressonar,
tiver apneias do sono. Neste caso, o importante deixa de ser ressonar
e passa a ser a alta probabilidade de complicações
das apneias do sono de que se realça a hipertensão
arterial, angina de peito, enfarte do miocárdio, morte súbita
e acidentes, de viação e de trabalho.
4. E O QUE SÃO APNEIAS
DO SONO?
Apneia significa suspensão momentânea da respiração
(do grego, ápnoia, «falta de respiração»).
Durante o sono podem ocorrer estas paragens, principalmente por
as vias aéreas superiores se fecharem e não deixarem
passar o ar. A já referida inconsciência do sono não
permite ter uma noção correcta de quantas vezes se
pára de respirar, nem por quanto tempo, nem o que acontece
depois. Quanto mais tempo se estiver sem respirar, mais graves são
a descida de oxigénio e a subida do anidrido carbónico,
que é tóxico, no sangue. A maior parte das apneias
só termina quando a pessoa acorda por breves instantes, com
elevações significativas da frequência cardíaca
e da tensão arterial. A maior parte destes “alertas”,
de poucos segundos, não são nem apercebidos, nem recordados.
Por noite, uma pessoa pode ter centenas de apneias e acordar centenas
de vezes. Portanto, uma pessoa pode estar muito doente com apneias
do sono e não sabe.
5. QUE SINAIS E SINTOMAS
DEVEM FAZER PENSAR QUE SE PODE TER APNEIAS DO SONO?
- Ressonar intenso 6. COMO SE PODE TER A CERTEZA
SE SÓ SE RESSONA OU SE SE TEM, TAMBÉM, APNEIAS DO SONO?
Só através de um exame apropriado que se chama
POLISSONOGRAFIA. É um exame durante uma noite inteira de
sono tão natural quanto o das outras noites, ou seja, não
se dão medicamentos para dormir, mas os doentes podem tomar
os medicamentos habituais. Este exame analisa muitos dados, principalmente,
a actividade do cérebro (electroencefalograma), dos músculos
(electromiograma), dos olhos (electrooculograma), o electrocardiograma,
a respiração, os níveis de oxigénio
no sangue, o ressonar, a posição do corpo. Este exame
é feito mais frequentemente nas instalações
das clínicas e hospitais, em laboratório próprio,
permanentemente assistido por técnico devidamente preparado.
Há um outro exame, mais simples, chamado REGISTO CÁRDIO-RESPIRATÓRIO que, como nome diz, se limita a obter elementos sobre a respiração e o funcionamento do coração. Dá menos elementos, é menos rigoroso. Por exemplo, não se sabe quando o doente está a dormir ou acordado. Tem a vantagem possível de poder ser feito em casa do doente, sem o acompanhamento técnico. 7. HÁ TRATAMENTO
PARA O RESSONAR E PARA AS APNEIAS DO SONO?
Há. Porém, antes de se referir os tratamentos
mais específicos, deve-se considerar que há medidas
gerais a respeitar e que são:
• Reduzir o peso se tiver excesso de peso ou obesidade; • Não tomar álcool depois da hora do almoço para este não actuar no sono; • Ter cuidado com medicamentos calmantes ou para dormir porque muitos pioram o ressonar e as apneias do sono; • Não deixar por resolver problemas de saúde que dificultam a respiração. Depois destas orientações, os tratamentos podem ser: 1. Para o ressonar simples, depois de se esclarecer por exame ao sono que a pessoa só ressona e não tem apneias do sono, é possível que, considerando sempre as medidas gerais referidas acima e depois de estudadas as possíveis alterações das vias aéreas superiores, o problema fique (bem) resolvido com operação às vias aéreas superiores. 2. Para as apneias do sono, a sua gravidade devidamente avaliada indica o tratamento que, além do mais geral, pode chegar a incluir a aplicação de um ventilador (ventiloterapia). As apneias, o ressonar e todas as suas consequências ficam praticamente resolvidas na maioria dos casos. Os tratamentos cirúrgicos são tão mais insuficientes quanto é mais grave a doença. Resumidamente, se não há condições que garantam que alguém a dormir respire normalmente, há que usar aquilo que resolva esse problema e isso pode ter que ser a ventilação que fornece ar ambiente a uma pressão suficiente para impedir que as vias aéreas se fechem. O meio mais correcto para escolher essa pressão é durante a polissonografia. Aí, quem assiste o exame pode confirmar directamente qual a pressão a que todas as alterações do sono desaparecem. Essa deve ser a pressão a receitar ao doente. Todos os doentes são diferentes, as pressões devem ser personalizadas. Outro modo de receitar este tratamento é por ventiladores automáticos que, em princípio e às cegas, conseguem controlar as alterações respiratórias. É um método menos rigoroso, tem resultados bons em muitos casos, mas não consegue garantir uma tão boa evolução dos problemas cardíacos e vasculares ao longo dos anos. Nas crianças, como a maioria dos problemas de ressonar e de apneias do sono são consequência de aumento das amígdalas e das adenóides, a operação a estas estruturas resolve mais de 90% dos casos. 8. O QUE É, AFINAL,
O SONO?
O sono é um comportamento natural e inultrapassável.
É a única função fisiológica
verdadeiramente inadiável porque basta não dormir
uma noite para haver sinais de privação de sono. À
medida que se acumula a necessidade de dormir, mais facilmente se
pode adormecer, sem querer, por exemplo, a conduzir.
O sono é constituído por grandes mudanças no funcionamento de todo o organismo, especialmente relacionadas com a diferente actividade do cérebro. Podem identificar-se quatro fases do sono diferentes. Uma em que se sonha mais intensamente e em que há movimentos dos olhos e que se chama REM (do inglês Rapid Eye Movements) e três (Fase 1, 2 e 3), sem estes movimentos, e que são agrupadas no sono chamado NREM (NãoREM – sem movimentos rápidos dos olhos). Durante uma noite de sono estas fases repetem-se em ciclos NREM – REM. O descanso que se sente depois de dormir é o resultado da satisfação das necessidades de cada um. Durante o sono ocorrem muitas funções importantes tais como secreção de hormonas, controlos do apetite, dos metabolismos, da imunidade, da fixação de memórias, estabilização psíquica e emocional, entre muitas outras. 9. DORMIR DE DIA É
O MESMO QUE DORMIR DE NOITE?
Não, é diferente. O período em que naturalmente
o ser humano deve dormir é à noite. Por isso, quando
se é forçado a dormir de dia (por exemplo, trabalho
por turnos), é necessário respeitar algumas regras
para reduzir as consequências de um sono fora do normal.
10. COMO RESUMIR TUDO O
QUE SE DISSE ACIMA?
Qualquer criança ou adulto deve saber que não
é normal ressonar, que ressonar pode ser o sinal de alarme
de uma doença grave, que deve ser esclarecida por pessoas
experientes, por meios correctos, para obter uma orientação
de tratamento correcto e eficaz.
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