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Chefe de Serviço de Pneumologia Secretário Geral da Sociedade Portuguesa de Pneumologia de 1987 a 1992 Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia de 1992 a 1994 Director do Hospital Nossa Senhora do Rosário - Barreiro de 1996 a 2002 Assistente Convidado da Faculdade de Medicina de Lisboa de 1973 a 2002 Presidente da Associação Nacional de Tuberculose e Doenças Respiratórias 2004 - 2009 Consultor de Pneumologia do British Hospital, Lisbon XXI Presidente do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias desde 2005 Presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão Não encontra resposta à sua questão? |
Um número crescente de dados cientificamente comprovados demonstram que o ambiente no interior das nossas casas, escritórios e fábricas, pode ser tanto ou mais prejudicial para a saúde do que a poluição atmosférica. Nas zonas urbanas no cerca de 90% do tempo passa-se no interior dos edifícios e desse tempo em média 12 a 13 horas por dia são passadas nas nossas habitações. No ambiente interior existem poluentes que influenciam a saúde em geral e a saúde respiratória em particular. As pessoas expostas a poluição no interior das habitações, por maiores períodos de tempo são, muitas vezes, as mais susceptíveis aos seus efeito nocivos. Nestes grupos incluem-se as crianças, os idosos e os doentes crónicos, particularmente os que sofrem de doenças respiratórias ou cardiovasculares. Os efeitos da poluição interior nos ambientes de trabalho serão abordados no capítulo das doenças profissionais respiratórias. As perguntas mais frequentes 1. Que factores influenciam o ambiente e a qualidade do ar nas habitações?
a) Emissão de poluentes pelos materiais de construção, mobiliário, carpetes, cortinados, actividades domésticas (cozinhar, por exemplo), sistemas de aquecimento de águas e do ambiente, fumo de tabaco e disseminação de bactérias e vírus pela presença humana ( contágio da gripe, tuberculose e outras doenças) e de animais domésticos (alergénos, agentes infecciosos) . b) Temperatura e humidade inadequadas podem ser desconfortáveis, irritantes do aparelho respiratório e prejudiciais à qualidade do ar, amplificando o efeito, ou originando a formação de poluentes. c) Ventilação insuficiente prejudica a qualidade do ar interior, facilitando a acumulação de poluentes produzidos nas habitações. d) Poluição exterior - o ar exterior entra nas habitações pelas portas, janelas, frinchas e fissuras. Se estiver poluído vai transportar essa poluição para o interior. 2. Quais as condições ideais de temperatura, humidade e ventilação nas casas?
O conforto térmico é essencial ao bem estar dos habitantes. Temperaturas muito elevadas, associadas com grau de humidade também elevado, podem aumentar a concentração dalguns poluentes, nomeadamente fungos e bactérias. Ar quente e seco, ou muito frio e húmido, são irritantes do aparelho respiratório e podem facilitar o aparecimento de infecções respiratórias e a ocorrência de episódios de agudização em doentes com Asma ou DPOC. A ventilação insuficiente pode aumentar os níveis de poluentes no interior, não trazendo suficiente ar exterior, que permita diluir as emissões de fontes de poluição no interior das casas e não permitindo o seu transporte para o exterior. A temperatura no interior das habitações deve oscilar entre os 20 e os 24 graus centígrados e a humidade relativa deve situar-se entre os 30 e os 50%. Se tiver de usar humidificadores do ambiente estes deverão ser limpos frequentemente e a água mudada diariamente, para que se não acumulem fungos e bactérias. Deverá haver um gradiente de temperatura entre o interior e o exterior das habitações, para facilitar a circulação do ar. É importante aumentar a entrada de ar vindo do exterior. Se tem um sistema de aquecimento ou arrefecimento ambiente lembre-se de que, muitas vezes, eles não trazem ar do exterior em quantidade suficiente, usando a recirculação do ar interior. Se existe um sistema de captação de ar exterior é necessário assegurar-se de que essa captação não se localiza na proximidade duma fonte exterior de poluição. Abrir portas e janelas, quando o tempo o permite, é uma boa solução! Extractores localizados em cozinhas e casas de banho ajudam a remover poluentes do interior das casas e podem aumentar o ratio da ventilação exterior. 3. Quais as principais fontes de poluição do ar nas habitações?
Fumo de tabaco ambiental, ao qual estão expostos fumadores e não fumadores Fontes de combustão - gás, madeira, petróleo, carvão (combustíveis fósseis) Materiais de construção e mobiliário (particularmente o fabricado com aglomerados de madeira, contendo colas e outros agregantes) Materiais de isolamento contendo amianto Carpetes e reposteiros Produtos de limpeza doméstica e ambientadores Sistemas de aquecimento ou refrigeração e humidificadores Fontes exteriores tais como a poluição com rádon e pesticidas Poluição exterior admitida por janelas, portas, fissuras e sistemas de ventilação 4. Quais os principais poluentes do ar nas habitações?
a) Monóxido de carbono (CO) - É um dos mais potentes contaminantes tóxicos do ar interior. É um gás incolor e inodoro, resultante da combustão incompleta de combustíveis fósseis (gás, petróleo, madeira, carvão). As principais fontes são o fumo de tabaco, lareiras, aquecedores que usam esses combustíveis. Níveis elevados no sangue privam o cérebro de oxigénio e causam náusea, inconsciência e morte. b) Dióxido de carbono (CO2) - É um poluente emitido pelo homem e correlaciona-se com a sua actividade metabólica . Níveis muito elevados de CO2 levam a sonolência, cefaleias e astenia. As concentrações de CO2 no ar interior correlacionam-se com o grau de ventilação, a intensidade da actividade metabólica e o número de pessoas presentes nesse espaço. c) Ozono (O3) - Potente oxidante. É produzido pela luz ultravioleta do sol, pela iluminação e por alguns instrumentos eléctricos (tais como ionizadores do ar). O ozono presente no ar que se respira é prejudicial à saúde e irritante do tecido pulmonar; agrava ou desencadeia crises de asma no asmático. O ar admitido do exterior pode conter suficiente ozono para reagir com outros poluentes, óleos dermatológicos e cosméticos, libertando substâncias tóxicas. Alguns produtos de limpeza "limpos", contêm extractos de terpenos e citrinos, os quais reagem rapidamente com o Ozono, quando presente, libertando substâncias químicas irritantes e partículas finas e ultafinas, agressivas para o pulmão. d) Partículas finas e ultrafinas - São partículas sólidas ou líquidas suspensa no ar que respiramos. Se o seu diâmetro é inferior a 10 micra conseguem penetram no aparelho respiratório depositando-se, conforme o diâmetro, nos brônquios ou nos alvéolos. Nas habitações têm origem no ar exterior (crosta terrestre, sais marítimos, poluição automóvel, poluição industrial) ou são produzidas no interior (fumo de cigarro, fogões, alergénos, partículas de tecidos, etc). As partículas inaláveis são consideradas como um dos mais importantes factores de doença, contribuindo paro declínio da função pulmonar, o aparecimento de Asma, DPOC, Cancro do Pulmão, Doenças Cardiovasculares e são ainda responsáveis por perda significativa de anos de vida (morte prematura). e) Fibras de Asbestos - Até 1975 muitos materiais usados na construção continham amianto, dadas as suas características de resistência ao fogo, capacidade de isolamento e flexibilidade e permanecem nos nossos edifícios. Entre eles contam-se placas de fibrocimento e telas usadas em isolamentos. Destes materiais em geral não se libertam fibras em quantidade suficiente para causar doença, a menos que estejam danificados ou sejam manipulados, cortados ou arrancados, o que pode acontecer na remodelação ou desmantelamento dos edifícios em que se encontram. A inalação de fibras, mesmo em quantidades moderadas, é susceptível de causar doença, particularmente se prolongada ao longo de anos. As fibras inaladas acumulam-se nos pulmões e podem causar Cancro do Pulmão, Cancro da Pleura ou Peritoneu (mesotelioma) ou Asbestose (fibrose pulmonar irreversível, que pode ser mortal). f) Compostos orgânicos voláteis (COVs) - São emitidos como gases a partir de muitos materiais sólidos e líquidos presentes nas habitações: tintas e vernizes, materiais de limpeza, pesticidas, materiais de construção e mobiliário (particularmente se fabricados com aglomerados de madeira), fotocopiadoras, impressoras, papel de fotocopia, luvas, adesivos, marcadores, soluções fotográficas, ceras, sprays, desodorizantes do ambiente, roupa limpa a seco (percloroetileno, reconhecido cancerígeno), fumo de tabaco ambiental, etc. A concentração dos COVs é 5 a 10 vezes maior no interior dos edifícios do que no exterior. A exposição aguda pode causar irritação dos olhos, nariz e garganta, cefaleias, náuseas, astenia, exacerbação da asma, reacções alérgicas da pele, perturbação da memória e da visão. Longas exposições podem ser responsáveis por casos de cancro e lesões hepáticas, renais e do sistema nervoso central. g) Contaminantes biológicos - Incluem bactérias, fungos, vírus, caspa, saliva e pelos de animais domésticos, ácaros, excrementos de baratas e pólens. Muitos destes contaminantes podem causar infecções ou desencadear reacções alérgicas em indivíduos sensíveis: Asma, Rinite. Exemplos de infecções que se podem transmitir pelo ar em ambientes interiores são a Gripe, Varicela, Sarampo, Pneumonia e Tuberculose. Humidade relativa abaixo dos 50% inibe o crescimento de fungos. h) Fumo de tabaco ambiental - É uma mistura do fumo emitido pela extremidade incandescente do cigarro, charuto ou cachimbo, e do fumo exalado pelo fumador. Contém uma mistura de mais de 4.000 compostos, dos quais mais de 40 são reconhecidos como cancerígenos no homem e no animal. Muitos destes produtos são irritantes poderosos do aparelho respiratório e podem causar ou agravar Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e Asma. A exposição a esta poluição é chamada de fumo em segunda mão e os indivíduos a ela expostos e não fumadores de fumadores passivos. A exposição ao fumo de tabaco ambiental é particularmente grave na criança facilitando o aparecimento de Asma e as Infecções Respiratórias. i) Legionella e Fungos - Podem estar presentes em humidificadores e sistemas de ar condicionado, sendo disseminadas por eles no ar interior. A Legionella causa uma Pneumonia que pode ter gravidade acentuada; fungos e outras poeiras orgânicas podem causar Pneumonites de Hipersensibilidade, doenças do interstício pulmonar resultantes da resposta imunológica (granulomatosa) do pulmão à agressão pelo agente inalado. j) Dióxido de nitrogéneo - É um dos produtos resultantes da combustão. É um gás castanho avermelhado, irritante para as mucosas oculares, nasais e da orofaringe, causando dispneia após exposições importantes. Há evidência de que facilita o aparecimento de infecções respiratórias e de que poderá estar relacionado com o aparecimento de Enfisema. As crianças, asmáticos e doentes com outras doenças respiratórias têm risco acrescido, quando a ele expostos. k) Formaldeído - Substância química usada em muitos materiais de construção e produtos domésticos. É também sub- produto da combustão. Nas habitações as principais fontes são materiais de construção, mobiliário, sobretudo de aglomerado de madeira, fogões e esquentadores a gás não ventilados, etc. A exposição ao formaldeído causa lacrimejo, sensação de queimadura nos olhos e garganta e, por vezes, sensação de dificuldade respiratória (concentrações de 0,1 partes por milhão). Grandes concentrações podem desencadear crises nos asmáticos. É cancerígeno para os animais e possivelmente para o homem. l) Pesticidas - O uso de pesticidas nas habitações está largamente disseminado e nem sempre são usadas as precauções necessárias. Contém muitos compostos orgânicos e partículas que podem ser prejudiciais para a saúde. Devem ser usados com precaução e, se possível, não devem ser armazenados em casa. Se utilizados deve evitar-se a presença de pessoas no local, até que seja possível ventilá-lo. m) Rádon - O Rádon é um gás radiactivo formado por decaimento do urânio. Os produtos de decaimento do rádon podem ser inalados e, no pulmão, continuarão a libertar radiação á medida que o decaimento vai prosseguindo. A principal fonte no interior das habitações é a presença de urânio no solo ou nas rochas sobre as quais as habitações são construídas; entra nas habitações através de fendas no chão e paredes, por juntas ou canalizações mal isoladas e pode aí ficar retido e, se as habitações forem mal ventiladas, atingir elevadas concentrações e constituir um problema sério. As habitações em maior risco são as construídas em zonas graníticas, particularmente se térreas. O principal risco de exposição ao rádon é o Cancro do Pulmão. O problema da exposição ao Rádon em Portugal é ainda mal conhecido, mas sabe-se que há zonas do Centro e Norte do país em que se encontram altas concentrações em habitações. 5. O Ambiente no Interior das Habitações pode Prejudicar a Saúde Respiratória?
No interior das habitações passamos em média 12 a 13 horas por dia e nesse ambiente existem numerosas fontes de poluição (ver resposta à pergunta 4). A concentração dos poluentes aí gerados ou admitidos do exterior, dependerá muito da ventilação. Habitações mal ventiladas terão forçosamente maior concentração de poluentes. Por outro lado habitações situadas em áreas com muita poluição - automóvel ou industrial - ao admitirem ar do exterior (o que é essencial) vão também admitir essa poluição, o que poderá ser minimizado, quando justificável, pelo uso de filtros eficazes nas condutas de admissão. Casas com ambiente muito quente e seco, ou muito quente e húmido, ou muito frio, são desconfortáveis, e esse ambiente irrita as vias aéreas e pode contribuir para aumentar a poluição por fungos e bactérias. A poluição interior pode contribuir para o aparecimento ou agravamento de quase todas as doenças respiratórias, nomeadamente Rinite, Asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e Cancro do Pulmão. As condições do ambiente interior podem facilitar o aparecimento de infecções respiratórias: Gripe, Pneumonia e Tuberculose. 6. A má qualidade do ar nas habitações pode causar Asma?
A qualidade do ar no interior das habitações pode causar asma e pode determinar a eclosão de crises em doentes asmáticos, agravando a evolução da doença. De facto a Asma Alérgica é uma resposta imunológica e inflamatória a um conjunto de alergénos, muitos dos quais estão presentes nas habitações: ácaros, poeiras, pólens, caspa, pelos e urina de animais, por exemplo Por outro lado alguns dos objectos usados nas habitações, nomeadamente carpetes, alcatifas, reposteiros, não só facilitam a acumulação de alergénos, como eles próprios geram outros alergénos. Se alguém está sensibilizado então podem surgir crises de asma. Por outro lado numerosos poluentes nas habitações, por serem irritantes do aparelho respiratório, facilitam o aparecimento de crises nos asmáticos. É o caso do ozono, do formaldeído de compostos orgânicos voláteis, das partículas finas e ultra finas e do fumo de tabaco ambiental. 7. A má qualidade do ar nas habitações pode causar DPOC?
A poluição no interior da habitações é o segundo factor mais importante para o aparecimento da DPOC, logo a seguir ao fumo de tabaco ( o qual aliás também concorre para a poluição interior). A poluição que conta para a DPOC é principalmente a relacionada com a concentração de partículas finas e ultrafinas e a resultante da queima de combustíveis: gás, petróleo, mas sobretudo madeira, carvão e biomassa, particularmente se queimados em sistemas abertos e mal ventilados. Ora em muitas zonas do país ainda se continuam a usar lareiras e fogueiras para aquecimento e para cozinhar, sem adequados sistemas de ventilação e exaustão de fumos. Por outro lado numerosos poluentes presentes no interior das habitações desencadeiam exacerbações da DPOC (ver resposta 4). O ambiente interior de má qualidade facilita as infecções respiratórias, o que é outro factor de agravamento da DPOC. Deve ser tido em conta que o fumo de tabaco ambiental, no interior das casas, é um factor de grande relevo no aparecimento da DPOC. 8. A má qualidade do ar nas habitações facilita as Infecções Respiratórias?
Resposta é afirmativa e por várias razões: Em primeiro lugar muitos dos poluentes no interior das habitações ao irritarem a mucosa do aparelho respiratório facilitam a adesão e desenvolvimento dos agentes infecciosos, virais ou bacterianos. Em segundo lugar ambientes quentes e húmidos facilitam o desenvolvimento de fungo e bactérias que libertos no ar, ou transportados por partículas podem ser inalados e causar infecções respiratórias. É o que acontece na pneumonia por Legionella. Em terceiro lugar porque muitas das infecções respiratórias são contagiosas e transmitem-se através das gotículas emitidas pela tosse e o espirro. Em ambientes confinados, mal ventilados e sobretudo com muitas pessoas presentes, um doente pode contagiar outras pessoas com facilidade. É o que acontece com a Gripe e outras viroses respiratórias e a Tuberculose. 9. A má qualidade do ar nas habitações pode causar cancro do pulmão?
A principal causa de cancro do pulmão é o fumo de tabaco. Todavia nos ambientes domésticos existem por vezes poluentes que são agentes cancerígenos. É o que acontece com o amianto usado em isolamentos e outros materiais de construção e o rádon, gás radioactivo derivado do urânio, que existe especialmente em zonas rochosas, principalmente graníticas, e que se pode infiltrar nas habitações, onde pode atingir concentrações elevadas e causar o cancro do pulmão. Outros poluentes presentes no ambiente interior também se relacionam com o cancro do pulmão, embora de forma menos marcada. É o caso das partículas finas e ultra-finas, dos Compostos Orgânicos Voláteis e do Formaldeído. Também o fumo de tabaco ambiental, mantém a sua característica de potente agente carginogénico do cancro do pulmão. 10. Como reduzir as fontes de poluição no interior das habitações?
Existem algumas medidas gerais que podem ajudar a minimizar as fontes de poluição nas habitações: Sala de estar - zona da casa habitualmente utilizada por muitas pessoas e por longos períodos de tempo. Deve ser bem ventilada (abra frequentemente as janelas e portas, se possível). O fumo de tabaco deve ser evitado de forma absoluta, e a divisão deve ser frequentemente aspirada com aspirador de vácuo dotado de filtros eficazes (1 a 2 vezes semana). Se existirem animais domésticos mantê-los afastados de sofás e cadeiras estofadas e de brinquedos de peluche. Minimizar o uso de carpetes e reposteiros que acumulam poeiras. Lareiras são fontes de monóxido de carbono, pelo que, quando usadas, a divisão deve ser bem ventilada e assegurado o bom funcionamento das chaminés, que deverão ser completamente estanques. Lembre-se que o fumo de tabaco ambiental é especialmente prejudicial para as crianças. Quartos - Os quartos frequentemente contêm materiais que acumulam poeiras (colchões, roupas de cama, tapetes, reposteiros, cortinados, cadeiras estofadas, brinquedos de peluche). Mantenha-os limpos e aspire-os frequentemente ( pelo menos uma vez por semana, sem esquecer o colchão). Sacuda os lençóis para o exterior. Especialmente se existem pessoas com história de alergia, use colchões e coberturas de almofadas anti-alérgicas. Casa de Banho - É em regra a zona mais húmida da casa. É importante ventilar a casa de banho, enquanto está a ser usada e secar as superfícies húmidas. As casas de banho são uma fonte de contaminação por fungos, potenciais causadores de doenças alérgicas. Os chuveiros podem ocasionar a formação de névoa, o que facilita o crescimento dos fungos. A instalação e uso dum ventilador adequado, aberto para o exterior, ajuda a controlar a formação de névoa e inibe o crescimento de fungos. Cozinhas - Nelas existem equipamentos (fogões, esquentadores) que libertam gases e produtos químicos para limpeza, desinfecção e desinfestação. Se tiver de usar pesticidas não tenha alimentos expostos e ventile durante e depois do seu uso e respeite as instruções do produto. Muitos dos produtos de limpeza domésticos, muitas vezes colocados debaixo da bancada da cozinha, libertam compostos orgânicos voláteis, quando em uso e guardados. Respeite as regras de utilização e conservação. Se possível prefira produtos isentos de COVs. Para minimizar a exposição a monóxido de carbono assegure-se de que os equipamentos a gás (fogões, esquentadores) ou que usem outros combustíveis fósseis, estejam correctamente instalados, em bom funcionamento e que ventilem bem para o exterior Caves - São fontes de infiltrações de ar e gases (incluindo rádon) e nelas existem armazenados químicos variados. É importante que a ventilação seja boa, que estejam seladas todas as fissuras e entradas de canalizações, e que as substâncias químicas estejam correctamente armazenadas. Se a cave é húmida é uma fonte de desenvolvimento de fungos. Nesse caso use um desumidificador. Seque eventuais derrames ou infiltrações de água, nas primeiras horas. 11. Os sistemas de ar condicionado podem prejudicar a saúde?
Se estiverem correctamente instalados e mantidos permitirão um ambiente interior com a temperatura e grau de humidade adequados, sendo por isso vantajosos para a saúde respiratória. Todavia frequentemente estão mal regulados (demasiado calor ou frio ou inadequado grau de humidade e, nesse caso tornam-se irritantes para o aparelho respiratório. Neles, se a manutenção for deficiente, podem acumular-se fungos e bactérias, causando doenças como a Pneumonia a Legionela. Por isso é essencial que os filtros sejam substituídos, quando indicado e que as condutas sejam periodicamente limpos. Por outro lado é fundamental que seja admitido suficiente quantidade de ar vindo do exterior. É necessário que as aberturas de captação desse ar não estejam próximas de fontes de poluição, e/ou que os filtros nelas existentes sejam eficientes. Um sistema de ar condicionado deverá pois ser montado e mantido por pessoal devidamente qualificado e certificado. 12. Qual o melhor sistema de aquecimento numa habitação?
O melhor sistema de aquecimento é aquele que permita uma temperatura ambiente confortável, uma humidade relativa que garanta o conforto e inviabilize o desenvolvimento de fungos e bactérias, e ainda que não liberte poluentes no ambiente da habitação. Os sistemas de aquecimento por chão radiante obedecem a estes pressupostos, ainda que não tenham meios de manter a humidade relativa nos níveis que se pretenda. Também os sistemas de aquecimento central em que o aquecimento chega por sistemas fechados de agua ou óleo duma fonte distante, permitem regular a temperatura, sem produção local de poluentes. Mais uma vez não se regula a humidade e o ar aquecido tem tendência a ficar mais seco. O mesmo funcionamento, mas muito menos eficiente, têm os sistemas de aquecimento por equipamentos eléctricos a óleo amovíveis. Os sistemas de aquecimento por lâmpadas incandescentes, são pouco eficientes, "queimam" oxigénio do ar e secam o ambiente, sendo por isso pouco aconselháveis. Já os aquecimentos por lâmpadas de halogéneo são mais eficientes do que os anteriores, tendo a vantagem de não consumirem oxigénio, mas secando o ar ambiente. Por fim os aquecedores a gás, sendo embora bastante eficientes, consomem oxigénio, secam o ar e libertam poluentes, nomeadamente monóxido de carbono, pelo que só deverão ser usados em áreas bem ventiladas. 13. Lareiras prejudicam a Saúde?
Funcionam queimando madeira e por isso libertam poluentes, nomeadamente o monóxido de carbono, ozono e compostos orgânicos voláteis. Havendo chama consomem oxigénio e tendem a secar o ar ambiente. Por isso o seu uso deve ser criterioso e rodear-se de cuidados especiais. A divisão em que funcionam deve ser bem ventilada (nunca um quarto de dormir), a chaminé deve ter uma boa tiragem que não permita a saída de fumos a não ser para o exterior; a chaminé deve estar bem calafetada; só se deve usar madeira bem seca e apropriada para queima em lareira. Se possível usar sistemas fechados que minimizem ao máximo a saída de poluentes para o ar interior. Verificar a humidade relativa no ar e usar humidificadores, se necessário. Neste caso mudar a água diariamente para que se não acumulem fungos e bactérias. 14. Os sistemas de aquecimento de água e os fogões podem prejudicar a saúde?
Devemos ter em atenção particular os esquentadores, fogões e fornos a gás. Da combustão resulta a libertação de partículas fina e ultra finas, monóxido de carbono, dióxido de azoto, entre outros poluentes, prejudiciais à saúde e ao aparelho respiratório (ver respostas à pergunta 4). Para minimizar esta fonte de poluição usar equipamentos certificados, certificar as instalações, instalar extractores por cima de fogões e fornos, usar esquentadores ventilados e com o tubo de extracção conectado ao exterior ou a uma chaminé eficiente. Verificar se os equipamentos estão a funcionar correctamente. Uma chama amarelada indica deficiente combustão com maior produção de poluentes. É preferível que os esquentadores não tenham chama piloto permanentemente acesa. Fogões com placas térmicas (calor por irradiação) têm a vantagem de não emitirem poluentes. 15. As plantas no interior das habitações podem prejudicar a saúde?
Alguns estudos indicam que as plantas vivas, no interior das habitações, podem reduzir a concentração dalguns poluentes, especialmente a dos compostos orgânicos voláteis, como o benzeno, tolueno e xileno; estes compostos são removidos pelos microrganismos presentes nos solos dos vasos. As plantas, através da sua função clorofílica, durante o dia, consomem o CO2 e libertam O2. É possível que as plantas reduzam os micróbios presentes no ar e tendem a aumentar a humidade ambiente. É contudo discutível até que ponto o número de plantas presentes numa divisão é suficiente para influenciar a qualidade do ar desse local. Não devem ser colocadas nos quartos, pois consomem oxigénio durante a noite. O uso de insecticidas e fungicidas deve ser criterioso (apropriado para plantas interiores) e durante e após a sua aplicação a divisão deve ser bem ventilada. Devem ser evitadas plantas com floração exuberante (exposição a pólens), particularmente se existem problemas alérgicos entre os moradores. Igualmente devem ser evitadas plantas que emitam odores muito activos. 16. Os animais domésticos no interior das habitações são prejudiciais?
Animais domésticos ao interagirem com o homem dão um contributo importante ao seu bem estar, são excelente companhia e desenvolvem o sentido de responsabilidade e a comunicação, particularmente nas crianças. Contudo a maioria dos animais domésticos - cães, gatos, hamsters, porquinhos da índia, coelhos e outros mamíferos, pássaros, etc. - libertam no ambiente doméstico caspa, escamas de pele, pêlos, saliva e, por vezes, urina e fezes, que têm capacidade alergénica, podendo desencadear queixas de Rinite e Asma em indivíduos sensibilizados. A maneira mais eficaz de evitar estes alergénos é afastar os animais de casa, o que nem sempre é o desejado ou mesmo a solução ideal. Se seguir esta solução, e se em casa tiver estado um animal, é necessário que a casa seja cuidadosamente limpa, particularmente estofos e carpetes. É ainda necessário ter em conta que estes alergénos, mesmo após a limpeza, podem persistir em casa durante meses. Existem estudos que apontam no sentido de que crianças crescendo em casas com cães e gatos têm menos problemas alérgicos e asma, o que seria devido ao estímulo que a exposição a esses alergénos produz no sistema imunológico. Assim seria aconselhável que essa exposição começasse na primeira infância. Existem contudo dados contraditórios sobre a veracidade desta teoria. Perante a suspeita de que um animal doméstico é responsável por uma alergia deve ser consultado o médico especialista, o qual confirmará ou não essa alergia e indicará o que deverá ser feito. Se existem animais na habitação há algumas medidas para minimizar a exposição a potenciais alergénos: não permitir a presença do animal no quarto de dormir; se é alérgico reduzir o contacto com o animal, aspirar frequentemente a casa (2 a 3 vezes por semana) utilizando aspirador com um filtro HEPA, não usar aspiradores com filtro de água pois os alergénos, dissolvem-se na água e podem depois ser disseminados como aerossol, mude e lave a roupa após contacto prolongado com os animais. Se existem problemas alérgicos opte por animais domésticos sem pelo, como peixes e até répteis; todavia se escolher um cão ou gato opte por raças com menos pêlo e que libertem menos caspa (aconselhe-se com um veterinário). Animais domésticos podem transmitir doenças ao homem. Assegure-se do cumprimento do calendário de vacinação e mantenha o animal sob avaliação periódica do veterinário e sempre que adoecer. 17. Que fazer perante a suspeita de ter amianto na habitação?
Não entre em pânico! Se o material que julga conter amianto está bem conservado o melhor é não lhe mexer, pois que, nessas condições, em regra não liberta fibras para a atmosfera. Em todo o caso será aconselhável pedir a avaliação por um técnico credenciado. Se existirem materiais contendo amianto em sua casa, na medida do possível evite que sejam tocados, mexidos ou lesados. Nunca corte, raspe ou lixe materiais contendo amianto! Se os materiais contendo amianto estão mais do que ligeiramente danificados, ou se vai fazer obras que obriguem a mexer-lhes, cortá-los ou removê-los, chame um especialista. Antes de iniciar obras em sua casa procure identificar todos os locais em que possa existir amianto. Pondere a possibilidade de selar os materiais contendo amianto, em vez de os remover. 18. Como diminuir o risco de exposição a radiação (rádon) na habitação?
O rádon é um gás radiactivo, com semi vida curta, resultante do decaimento do urânio, com uma semi-vida de 3,8 dias, que existe sobretudo em zonas rochosas penetrando nas habitações através de fendas, fissuras e canalizações, e acumulando-se no interior de habitações térreas construídas sobre maciços rochosos (granito). Em Portugal existem zonas do Norte e Centro em que as concentrações de rádon são, por vezes elevadas. Para evitar que se atinjam concentrações elevadas de rádon nas habitações as casas deverão ser bem ventiladas (é um gás) e todas as fissuras, entradas das canalizações e chão calafetados. O rádon quando presente no ambiente interior pode ser inalado. Os produtos da sua degradação - partículas de bismuto, chumbo e polónio fixam-se no pulmão e podem causar doenças e mesmo cancro. Nos Estados Unidos calcula-se que cerca de 11% das mortes por cancro do pulmão são relacionáveis com a exposição a rádon. Em Portugal existem poucos estudos que permitam avaliar a extensão do problema. Se quiser obter mais informações sobre a possibilidade da sua habitação estar em zona de libertação de rádon contacte ao Departamento de Protecção e Segurança Radiológica da Agência Portuguesa do Ambiente. Em novas construções, em zonas em que existe rádon, podem utilizar-se sistemas de captação do rádon do solo, o qual será conduzido através de chaminés e libertado no telhado, impedindo a sua acumulação no ambiente interior. |
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