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Pneumologista Assistente Graduada dos Hospitais da Universidade de Coimbra Responsável pela Consulta de Pré- Transplantação Pulmonar dos HUC Mestre em SIDA pela Faculdade de Medicina de Coimbra Não encontra resposta à sua questão? |
As perguntas mais frequentes 1. O que é a deficiência em alfa 1 antitripsina (α1-AT)?
A deficiência em alfa 1 antitripsina é uma doença genética caracterizada por uma diminuição ou mesmo ausência desta proteína no sangue. Pode manifestar-se por doença pulmonar, do fígado, e menos frequentemente da pele. 2. O que é a alfa 1 antitripsina (α1-AT)?
A alfa 1 antitripsina é uma proteína produzida essencialmente no fígado, que passa posteriormente para o sangue. A principal função desta proteína é proteger os pulmões para que estes possam funcionar normalmente. Quando não é produzida alfa 1 antitripsina em quantidade suficiente, os pulmões são lesados e torna-se difícil respirar. Nos pulmões saudáveis, o ar entra pelo nariz e pela boca passa pela traqueia e chega aos dois principais canais do ar, que são os brônquios. Estas passagens fazem com que o ar chegue aos dois pulmões. Os brônquios, por seu lado, dividem-se em canais mais pequenos que terminam em sacos com a forma de um cacho de uvas que se chamam alvéolos. È através destes pequenos sacos que o oxigénio entra no sangue durante a inspiração, e o dióxido de carbono sai do corpo durante a expiração. O sangue é constituído entre outros elementos, por células chamadas glóbulos brancos, que protegem o corpo das infecções. No entanto, estas células também produzem uma enzima chamada elastase neutrofílica que pode atacar e destruir os pulmões. Os pulmões normais contêm alfa 1 antitripsina suficiente para os proteger do ataque e da destruição da elastase neutrofílica. 3. Como se contrai a doença?
A deficiência em alfa 1 antitripsina é como se disse, uma doença genética, o que significa que pode ser transmitida pela família. Cada pessoa recebe um gene da alfa 1 antitripsina de cada um dos pais. O gene M é o tipo de gene mais comum, e é normal. A pessoa que herde um gene M de cada um dos pais, tem taxas normais de alfa 1 antitripsina no sangue (11mmol/L; 0,8g/L) (fenótipo-MM). Já por outro lado, o gene Z (mutação), é o defeito mais frequente que causa a doença. Se a pessoa herdar um gene M e um gene Z, torna-se portadora da doença (fenótipo MZ). Neste caso, os níveis de alfa 1 antitripsina são em geral mais baixos que o normal, apesar de poderem ser ainda suficientes para proteger o pulmão. Pelo contrário, ao herdar-se um gene Z de cada um dos pais, isto é, se a pessoa tiver um fenótipo ZZ, tem taxas muito baixas de alfa 1 antitripsina, o que faz com que a elastase destrua o tecido pulmonar, pois não existe protecção suficiente da alfa 1 antitripsina. Existem ainda numerosos tipos de alterações genéticas da alfa 1 antitripsina como os casos em que as pessoas não produzem nenhuma proteína, designando-se por "null- null", ou ainda aquelas que produzem uma alfa 1 disfuncional, neste caso, os níveis no sangue podem ser normais, mas a proteína não funciona como devia. Estas situações são mais raras. Outro gene que pode provocar deficiência é o S, mas somente, quando associado a um gene Z, isto é se o indivíduo for um SZ, neste caso particular, tem um risco moderado de 20 a 50% de desenvolver enfisema pulmonar. Este gene S é mais frequente na Península Ibérica, do que o Z, que predomina nos países nórdicos. Todas as pessoas que tenham um familiar com esta doença, devem ponderar a hipótese de fazer um teste para saberem se são portadoras ou não da deficiência. 4. O que é que acontece aos Pulmões quando a alfa 1 antitripsina não é suficiente?
Quando os pulmões não têm alfa 1 antitripsina suficiente, a elastase neutrofílica ataca o tecido pulmonar destruindo-o, e os pulmões perdem a capacidade de se expandir e contrair : Estas alterações originam uma doença designada por Enfisema pulmonar, que se caracteriza por dificuldade em respirar (dispneia - respiração curta e rápida), que é a queixa mais frequente. 5. Quais são os sintomas respiratórios da deficiência em alfa 1 antitripsina?
A maior parte das pessoas com a deficiência, começa a ter sintomas por volta dos 40 anos de idade, ou mais cedo, se o indivíduo for fumador. O sintoma mais frequente é a dificuldade em respirar - Dispneia (respiração curta e rápida) que se vai agravando com os esforços físicos, tornando cada vez mais difíceis as actividades diárias. Tosse, expectoração viscosa por vezes amarelada (se houver infecção), e por vezes pieira. Estes sintomas são mais graves e a doença progride mais rapidamente, se o indivíduo for fumador. 6. Como é que o fumo do Tabaco agrava a deficiência?
O fumo do tabaco para além de irritar as vias aéreas e, provocar várias lesões nos pulmões, faz com que o corpo envie mais glóbulos brancos para o defender da agressão, mas, quanto mais glóbulos são enviados ao pulmão mais quantidade de elastase neutrofílica aí é libertada, aumentando o risco de destruição pulmonar. Para além disso, o próprio fumo do tabaco, modifica a alfa 1 antitripsina, mesmo quando esta é produzida em quantidades suficientes, tornando-a inactiva e, portanto, impedindo-a de proteger os pulmões. 7. Como se Diagnostica a deficiência em alfa 1 antitripsina?
É claro, que só o seu médico mediante o conjunto de sinais e sintomas, factores de risco e manifestações da doença, estará habilitado para lhe pedir um conjunto de exames, que associados à determinação no sangue da concentração de alfa1-antitripsina, poderão confirmar o diagnóstico. 8. A doença Pulmonar tem tratamento?
Existem várias formas de proteger os pulmões dos efeitos da doença:
9. Quais são as outras manifestações da Deficiência?
A deficiência pode manifestar-se logo após o nascimento e na infância, como uma doença do fígado, constituindo o que se designa em linguagem médica por Síndrome hepático neonatal. Esta doença tende a manifestar-se em crianças que sejam portadoras da mutação ZZ, mas também nos que só têm um gene Z, ou que são null. As crianças apresentam icterícia (cor amarelo-esverdeada) da pele e das mucosas, 50% têm alterações nas análises do fígado, e da coagulação do sangue, podendo sobretudo os que são ZZ, vir a desenvolver cirrose mais tarde. Quando esta situação se verifica, pode haver necessidade de um transplante hepático. É claro, que nem todas as situações de icterícia nos recém-nascidos ou durante a infância, se devem a alterações ou a deficiência em alfa1-antitripsina.De facto, podem estar em causa muitas outras situações. Após o período neonatal, a cirrose hepática, é a segunda manifestação mais frequente da deficiência em alfa1 antitripsina. Na idade adulta, a cirrose do fígado é mais rara que o enfisema pulmonar. No entanto, a prevalência da cirrose é maior nos indivíduos que são ZZ (50% nos indivíduos do sexo masculino acima dos 50 anos e 33% em mulheres com idade superior a 50 anos). A idade em que se pode manifestar a cirrose é variável, situando-se geralmente entre os 50 e 60 anos. Existe igualmente um risco acrescido de desenvolvimento de tumores hepáticos (19% nos homens e 13% nas mulheres). 10. Como é que a deficiência em alfa1 antitripsina é responsável pela doença hepática?
As células do fígado (hepatócitos) são as principais produtoras de alfa1 antitripsina, que depois a libertam no sangue em condições normais. Ora, quando o indivíduo tem uma mutação genética, por exemplo quando é um ZZ, apesar dos hepatócitos produzirem a alfa 1 antitripsina em quantidades suficientes, esta não é completamente libertada no sangue, acumulando-se a maioria no fígado. Esta acumulação dentro das células do fígado, vai provocar-lhes lesões, responsáveis posteriormente, pelo desenvolvimento de cirrose. Pelo contrário, os indivíduos portadores da mutação null, não têm doença hepática, porque como o fígado não produz alfa1 antitripsina, esta proteína também não se acumula nas células hepáticas. 11. Que doenças da pele provoca a deficiência em alfa 1 antitripsina?
A paniculite necrosante é uma manifestação cutânea rara, da deficiência em alfa1 antitripsina. Segundo um relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde) a prevalência é inferior a um caso por 1000. Caracteriza-se por lesões inflamatórias e destrutivas da pele e do tecido subcutâneo, com formação e drenagem espontânea de úlceras. Inicia-se pela formação de nódulos dolorosos, com sinais inflamatórios (calor e rubor), que ulceram e dão saída a um líquido amarelo claro oleoso. Pode ocorrer sobretudo em indivíduos ZZ, com deficiência grave. A evolução desta doença é variável, dependendo pelo menos em parte, da presença de outras complicações da deficiência, como o enfisema pulmonar ou a cirrose hepática. A deficiência em alfa1 antitripsina parece estar igualmente envolvida na urticária crónica, sobretudo na urticária ao frio, e no angioedema idiopático, em indivíduos MZ. 12. Outras complicações da Deficiência em alfa1 antitripsina
A inflamação e destruição das paredes dos vasos sanguíneos, situação conhecida por vasculite, tem sido associada à deficiência, devido ao número importante de indivíduos com esta doença, que são simultaneamente portadores da mutação Z da alfa1-antitripsina. |
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