Pneumologista

Especialista em Medicina do Trabalho pela Ordem dos Médicos

Assistente Hospitalar Graduado de Pneumologia do Hospital Pulido Valente

Assistente da Consulta de Imunodeficiência do Hospital Pulido Valente

Exerceu funções de docência na Escola Superior das Tecnologias da Saúde e na Faculdade de Motricidade Humana.


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As perguntas mais frequentes


1. O que é a infecção VIH (infecção pelo vírus de Imunodeficiência humana)?

É uma doença provocada por um vírus da família dos retrovírus (identificado pela primeira vez em 1984), derivado do vírus da imunodeficiência dos símios, cujo dano específico se vai reflectir no sistema imunitário, fundamental para a coordenação das defesas do organismo.

O seu alvo principal é o grupo de células sanguíneas conhecidas como linfócitos T CD4+. Depois de penetrar nestas células, produz uma cópia do seu material genético e incorpora-o no genoma humano, localizado no núcleo da célula infectada.

A diversidade genética do VIH é enorme, estando descritos dois tipos (VIH-1 e VIH-2), quatro grupos e inúmeros subtipos dentro do grupo VIH-1. Este facto tem como consequência a existência de múltiplas estirpes, inclusivamente no organismo do mesmo indivíduo, podendo qualquer pessoa ser infectada mais de uma vez.

O VIH-1 é o mais frequente, sendo mais rápido na destruição do sistema imunitário. A evolução da doença é mais rápida nos doentes com VIH-1, comparativamente aos doentes com VIH-2. O período assintomático de infecção é, em média, de 10 anos para o VIH-1 e de 30 anos para o VIH-2.

2. Quais são os sintomas da infecção VIH?

Os sintomas desenvolvem-se em 50-90% das pessoas infectadas, iniciando-se cerca de 3-4 semanas após o contacto. O quadro clínico (denominado infecção VIH aguda ou primária) assemelha-se frequentemente a uma síndroma gripal (febre, dor de garganta, fadiga, dores musculares e nas articulações) a que se associam, por vezes, gânglios linfáticos inchados no pescoço e axilas. Esta sintomatologia regride após duas semanas.

Menos frequentemente podem aparecer uma erupção cutânea, ligeiramente pruriginosa, sobretudo na face e tronco, ou úlceras inchadas e dolorosas a nível da boca, ânus e pénis.

O facto de esta sintomatologia ser indistinguível de outras doenças virais muito comuns, faz com que a maioria das pessoas não suspeite da possibilidade de estarem infectados pelo VIH. Contudo, este fase precoce é de enorme importância na propagação da doença, uma vez que a pessoa infectada é altamente contagiosa, dada a elevada quantidade de vírus no sangue e em outros fluidos corporais.

Após um período assintomático, que pode ser em média de 8 a 10 anos, surge a fase sintomática da infecção em que o doente começa a ter sintomas e sinais de doença, indicativos da existência de uma diminuição das defesas do organismo. O doente pode referir cansaço não habitual, perda de peso, suores nocturnos, falta de apetite, diarreia, queda de cabelo, pele seca e descamativa, entre outros sintomas. Podem surgir algumas manifestações oportunistas como a candidíase oral (infecção da boca por fungos), candidíases vaginais de repetição, um episódio de herpes zoster ("zona"), episódios de herpes simples de repetição (oral ou genital), etc.

Mais tarde podem surgir infecções graves, como tuberculose, pneumonia, meningite, entre outras manifestações oportunistas possíveis e indicadoras de uma grave imunodepressão (diminuição acentuada das defesas do organismo humano).

3. Como se transmite a infecção VIH?

O vírus pode penetrar no organismo, por contacto com uma pessoa previamente infectada, de três modos diferentes: a) relações sexuais (homo e heterossexuais); b) contacto com sangue infectado; c) de mãe para filho, durante a gravidez ou parto, e pela amamentação.

Com base neste conhecimento, definem-se como grupos de risco os seguintes: a) pessoas que não praticam sexo seguro, ou seja, que não usam preservativo ou que tenham mais do que um parceiro sexual; b) toxicodependentes que se injectam ou partilham agulha, seringas ou outro material usado na preparação da droga para injecção; c) profissionais de saúde (acidentes por contacto com objectos contaminados com sangue ou outros produtos biológicos).

A infecção VIH não se transmite em nenhuma destas situações: a) pela partilha de comida, talheres ou roupa; b) no contacto social, por apertos de mão, beijos ou abraços; c) tosse e espirros; d) picada de mosquitos.

4. Quando uma pessoa teve uma relação sexual não protegida (sem preservativo ou em que o preservativo se rompeu), é possível evitar a transmissão da infecção VIH?

Nesta eventualidade será necessário recorrer rapidamente aos serviços de saúde, onde cabe aos profissionais a avaliação do risco de aquisição da infecção VIH e a possibilidade de gravidez.

Se a possível fonte de contágio for uma pessoa VIH (+) ou apresentar risco para a infecção VIH (múltiplos parceiros sexuais, portador de doenças sexualmente transmissíveis ou for consumidor de drogas por via endovenosa, com partilha de material de injecção) há indicação para o início de um tratamento profilático, caso a fonte de exposição não possa ou não consinta ser testada.

Este tratamento designado por "Profilaxia pós-exposição não-ocupacional", não é 100% efectivo, devendo ser iniciado idealmente até 36 horas após a exposição ocasional, deixando de ter eficácia 72 horas após o potencial contágio.

A duração deste tratamento será de 4 semanas, devendo ser vigiado por médicos com experiência no emprego de medicamentos com actividade anti-VIH (antiretrovíricos).

Estão excluídas as situações de exposições repetidas, em que se deverá excluir a possibilidade de a pessoa já estar infectada. Nestes casos e naquelas situações em que a exposição já ocorreu há mais de 72 horas deverá fazer-se o teste para despiste do VIH e o consequente seguimento.

5. Como se faz o diagnóstico da infecção VIH?

O diagnóstico faz-se a partir de análises sanguíneas para confirmar a presença de anticorpos contra o VIH e determinar o respectivo tipo. Geralmente, estes anticorpos são detectáveis apenas três a quatro semanas após o início da infecção, não podendo haver uma certeza absoluta sobre os resultados nos primeiros três meses após o contágio.

Se a suspeita clínica for grande e os resultados das análises forem negativos, pode-se estar em presença de um contacto recente (o chamado "período de janela"), pelo que os testes deverão ser repetidos três meses após a primeira análise.

6. Uma pessoa pode estar infectada pelo VIH e não ter SIDA (Síndroma de Imunodeficiência do Adulto)?

Sim. A SIDA representa um estádio avançado da infecção pelo VIH, que costuma surgir anos após a infecção inicial, quando as células responsáveis pelas defesas do organismo (linfócitos T CD4+) atingem valores de concentração sanguínea muito reduzidos.

A partir do momento em que se adquire a infecção e até que surjam sintomas de doença decorre um período de tempo, designado como fase assintomática da infecção pelo VIH (que pode durar em média 8 a 10 anos), em que a pessoa infectada não tem qualquer sintoma e se sente bem. Nesta fase a infecção pode ser detectada apenas se se efectuarem as análises específicas para o VIH. Esta é a fase da doença em que se diz que o indivíduo é seropositivo.

Apesar de se manifestar e evoluir de forma diferente de pessoa para pessoa, a tendência geral é para o organismo ficar progressivamente debilitado, como resultado da destruição progressiva do sistema de defesa do organismo, contraindo infecções oportunistas e alguns tipos de neoplasias (cancros). Quando uma pessoa infectada pelo VIH tem uma destas infecções oportunistas ou tumores passa a dizer-se que já tem SIDA.

Uma das neoplasias mais características é o Sarcoma de Kaposi, caracterizado pelo aparecimento de pequenos tumores de aspecto violáceo ou acastanhado, na pele e em várias zonas do corpo, com especial relevância para as mucosas do aparelho gastrointestinal e respiratório.

O diagnóstico clínico de SIDA é baseado na contagem de linfócitos T CD4+ (inferior a 200 células/µl de sangue) e/ou presença de infecções ou tumores denominados "indicadoras de Sida", de acordo com o consenso de organizações científicas internacionais.

Quer um seropositivo, quer um indivíduo com SIDA podem transmitir a infecção a outras pessoas através de comportamentos de risco.

7. O que são infecções oportunistas?

Dizem-se oportunistas porque não ocorrem nas pessoas saudáveis ou nos doentes sem alterações significativas do sistema imunitário, nem se transmitem de pessoa a pessoa, mas surgem apenas quando o nível de defesas é significativamente baixo (geralmente com contagem de linfócitos T CD4+ inferior a 200 células).

As infecções oportunistas podem localizar-se em qualquer órgão, sendo as que atingem o aparelho respiratório das mais frequentes, como sejam a tuberculose e a pneumonia.

Também são muito comuns as infecções extra-respiratórias, tais como as infecções por fungos (candidíase da orofaringe e da vagina), as infecções parasitárias (toxoplasmose cerebral e criptosporidíase intestinal) e as infecções víricas (citomegalovírus que pode afectar os olhos ou aparelho gastrointestinal).

8. Quais são os factores que influenciam a progressão da infecção VIH?

Desde o início da epidemia VIH que foi patente uma grande variabilidade na evolução dos doentes para o estádio de SIDA, relacionada quer com factores individuais da pessoa infectada, quer com as características do vírus.

Embora o sexo e raça não tenham relação com a taxa de progressão da doença, ficou demonstrado que, quanto mais avançada for a idade na altura da infecção, mais rápida será a progressão da doença. Também a circunstância de a pessoa ter contraído ou vir a contrair outro tipo de infecções (hepatite, tuberculose e doenças sexualmente transmitidas, etc.) ou apresentar hábitos de toxicodependência ou alcoolismo, constituirão factores de evolução desfavorável.

Por outro lado, quanto mais sintomática tiver sido a infecção primária, mais rápida será a progressão da doença.

Relativamente às características do vírus foi documentada a maior virulência do VIH-1, subtipo D.

9. A infecção VIH afecta homens e mulheres de modo diverso?

Embora não se tenham observado diferenças significativas entre homens e mulheres no que diz respeito à evolução da doença e suas manifestações sintomáticas, têm-se verificado diferenças entre géneros no que diz respeito aos seguintes factores: a) concentração sanguínea do vírus; b) aparecimento de infecções oportunistas; c) reacções adversas aos medicamentos antiretrovíricos; d) complicações específicas relacionadas com o aparelho reprodutor e gravidez; e) impacto psicossocial; f) acesso aos cuidados médicos.

À escala mundial, apenas os aspectos relacionados com repercussão psicossocial da infecção e a qualidade da assistência médica estão associados a diferenças na gravidade da doença e mortalidade, sendo de excluir quaisquer factores de ordem biológica que possam justificar uma progressão mais agressiva da doença.

10. Na SIDA, de que modo é afectado o sistema respiratório?

Apesar da incidência de infecções oportunistas ter decrescido muito significativamente após a introdução de medicamentos antiretrovíricos de elevada potência, o conjunto das complicações pulmonares da SIDA continua a ser uma das causas mais frequentes de incapacidade e morte.

As doenças pulmonares incluem diferentes tipos de infecções, tumores malignos e doenças inflamatórias.

No entanto, as infecções pulmonares são, de longe, as complicações mais comuns, podendo ser frequentemente o primeiro sinal de que a pessoa tem SIDA. De facto, a tuberculose e a pneumonia dez vezes mais frequentes nos doentes VIH positivos do que naqueles sem infecção VIH.

11. O que deve fazer uma pessoa portadora de infecção VIH, se desenvolver queixas respiratórias?

Uma pessoa infectada pelo VIH pode ter dificuldades em se aperceber se está perante uma complicação respiratória relacionada com a infecção VIH, dado que existe uma enorme semelhança entre os sintomas mais comuns das diversas doenças respiratórias.

Os sintomas podem não ser necessariamente devidos a uma doença grave, mas se ela existir, quanto mais precoce for o diagnóstico, maior será a probabilidade de um tratamento com sucesso.

Assim, deve procurar o médico caso apresente febre, tosse persistente, com ou sem expectoração, falta de ar ou pieira. Outros sintomas de carácter geral, como a fadiga, falta de apetite, perda de peso e suores nocturnos, também devem merecer toda a atenção, uma vez que podem ser sintomas relacionados com infecções graves ou cancro.

Por outro lado, nos fumadores e nos doentes portadores de bronquite crónica associada (que se caracterizam por ter tosse e expectoração persistentes) será muito importante despistar qualquer doença respiratória subjacente, se as características habituais da tosse ou da expectoração se modificarem, se surgir sangue na expectoração, falta de ar, cansaço ou dor no peito ou nas costas.

12. Quais são os sintomas da pneumonia?

Os sintomas de pneumonia são semelhantes às pessoas que não são portadoras da infecção VIH.

Assim, a febre, a tosse, frequentemente acompanhada de expectoração escura ou "ferruginosa", a dor torácica e a falta de ar constituem o quadro clínico habitual, de início geralmente agudo e de evolução rápida (horas ou dias).

A pneumonia provocada por Pneumocystis (microrganismo do grupo dos fungos) é uma excepção a esta regra geral, uma vez que trata de uma forma clínica de evolução mais insidiosa (semanas ou meses); caracteriza-se por febre, tosse geralmente seca, cansaço e falta de ar muito intensos, para além de um impacto sobre o estado geral, com emagrecimento significativo.

13. Quais são os factores de risco para a pneumonia?

Embora as pneumonias possam ocorrer ao longo de todo o curso da infecção VIH, o seu aparecimento é mais frequente nos estádios avançados de depressão do sistema imunitário. Vários estudos têm demonstrado esta relação directa, tendo-se constatado uma incidência de 18 casos de pneumonia/ ano, por cada cem doentes, frequentemente complicados de disseminação invasiva da corrente sanguínea.

No grupo de doentes infectados pelo VIH, para além da situação imunitária, têm sido identificados alguns factores demográficos ou constitucionais associados à eclosão de pneumonia: a) toxicodependência por via endovenosa; b) fumadores; c) sem-abrigo e/ou imigrantes originários de países em via de desenvolvimento; d) doença pulmonar pré-existente; e) hospitalização prévia; e) desnutrição significativa.

14. Quais são os sintomas da tuberculose pulmonar?

A tuberculose é consequência da infecção pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis, tendo como característica distintiva o facto de, relativamente às infecções frequentemente associadas à evolução da doença VIH, ser a única que é transmitida de pessoa a pessoa. Daqui se deduz que são essenciais um diagnóstico e tratamento precoces, no sentido de prevenir a sua transmissão no seio da comunidade.

A forma de apresentação sintomática da tuberculose pulmonar está largamente dependente do grau de depressão sistema imunitário.

Se o estádio da infecção VIH for precoce, os sintomas característicos da tuberculose pulmonar são muito semelhantes aos doentes VIH negativos, ou seja, caracterizam-se por tosse, expectoração (com ou sem sangue) e afectação do estado geral (febre, suores nocturnos, emagrecimento e mal estar).

Nos doentes com estádios avançados de depressão imunitária podem surgir sintomas relacionados com a disseminação para os órgãos extra-pulmonares, como sejam gânglios linfáticos, coração, cérebro, fígado, baço, aparelho genital e urinário.

15. É verdade que a maior parte dos doentes com tuberculose pulmonar têm infecção VIH ou SIDA?

Não. A nível mundial a maioria das pessoas com tuberculose pulmonar não estão infectadas pelo VIH.

Contudo, em consequência do VIH afectar o sistema imunitário, estas pessoas tornam-se muito mais susceptíveis a contrair a tuberculose. Assim, nestes doentes o risco de contrair uma tuberculose é cinquenta vezes superior às pessoas que são VIH negativas.

Em muitas regiões do globo, particularmente em África, a infecção VIH é a responsável pelo significativo aumento na incidência da tuberculose (cerca de 4 vezes mais), onde a infecção VIH é geralmente adquirida por via heterossexual.

16. Como são diagnosticadas as infecções pulmonares?

A avaliação clínica inicial, de um doente suspeito de ter contraído uma infecção pulmonar, deve incluir uma radiografia do tórax, exame bacteriológico da expectoração e análises de sangue.

A realização destes exames cumpre vários objectivos: a) confirmação do diagnóstico através do isolamento do agente microbiológico responsável pela infecção; b) apoio à prescrição do tratamento antibiótico ou outros, com vista ao controlo ou erradicação da infecção; c) determinar a gravidade de apresentação da doença, de modo a escolher o local mais adequado ao tratamento da infecção (ambulatório, internamento hospitalar, cuidados intensivos, isolamento respiratório, etc.)

17. Qual a prevenção para evitar o aparecimento das infecções pulmonares?

As estratégias preventivas contra as infecções pulmonares incluem as imunizações, a profilaxia com antibióticos e a cessação tabágica.

Apesar do conhecido défice na resposta imunitária das pessoas infectadas pelo VIH, recomenda-se a vacinação contra o Pneumococcus, contra a gripe sazonal (anual) e a gripe A, tão precocemente quanto possível.

De modo inverso, está contra-indicada a vacinação com o BCG contra a tuberculose.

Por outro lado, no caso de viagens será aconselhável efectuar antecipadamente imunizações específicas, consoante as áreas geográficas a visitar, de acordo com as recomendações internacionais e sob supervisão das chamadas "Consultas do Viajante".

A profilaxia com antibióticos (trimetoprim-sulfametozaxol) está indicada para doentes com contagem de linfócitos T CD4+ inferior a 200 células.

Uma vez que o tabagismo representa um factor de risco muito importante para a pneumonia, estando associado também a um acréscimo da mortalidade global nos doentes infectados pelo VIH, todos os esforços devem ser feitos no sentido de promover a cessação tabágica.

18. Quais são os sintomas dos tumores pulmonares?

A evolução da infecção VIH está associada a uma maior incidência e gravidade de alguns tumores a nível do aparelho respiratório, como sejam o cancro do pulmão, o sarcoma de Kaposi e o linfoma. No entanto, os sintomas respiratórios dos tumores pulmonares não têm características sugestivas ou particulares que permitam o diagnóstico diferencial das outras doenças do aparelho respiratório, pelo que o recurso a exames complementares de diagnóstico se torna absolutamente indispensável.

Assim, e dado que a maioria dos doentes é fumador, será de esperar que apresentem os mesmos sintomas que acompanham a bronquite crónica e/ou infecções pulmonares, isto é, tosse, expectoração e falta de ar.

Se houver persistência ou agravamento destes sintomas, se surgir expectoração com sangue, dor torácica ou se se associarem sintomas de carácter geral (febre emagrecimento e suores nocturnos), a presença de uma patologia tumoral é muito mais provável.

Esta hipótese sai tanto mais reforçada, quando também se observam nódulos cutâneos arredondados, indolores e de aspecto violáceo ou acastanhado, nas extremidades inferiores, face, mucosa oral e regiões genitais, aspectos estes muito sugestivos de sarcoma de Kaposi (com provável envolvimento pulmonar e cutâneo).

19. Quais são os efeitos das complicações pulmonares sobre a infecção VIH?

Numa pessoa infectada pelo VIH, a ocorrência de uma pneumonia pode ter consequências a curto e a longo prazo.

Na fase aguda da pneumonia, e sobretudo nos doentes que não estão a fazer tratamento antiretrovírico, observa-se uma quebra ainda mais acentuada do sistema imunitário, que poderá recuperar parcialmente após o tratamento da mesma.

Por outro lado, ficou demonstrado que as pneumonias estão associadas a declínio irreversível da função pulmonar o que a acarreta, a longo prazo, um aumento na mortalidade de duas a cinco vezes, comparativamente aos doentes que não sofreram de pneumonia.

Também a tuberculose tem um impacto negativo sobre a evolução da infecção VIH, aumentando o risco de evolução para a SIDA ou para morte. Este facto está relacionado com uma activação do sistema imunitário, que tem como resultado final um aumento na destruição dos linfócitos T CD4+. Sabe-se que, a nível mundial a tuberculose mata cerca de metade dos doentes com SIDA. As duas doenças são mais destrutivas em conjunto do que qualquer uma delas em separado.

Tal como nas outras infecções oportunistas, a concentração sanguínea de vírus HIV diminui após o tratamento dessas infecções.

20. Um doente com tuberculose pulmonar e infecção VIH é mais contagioso do que um tuberculoso VIH negativo?

Dado que a tuberculose pode ocorrer numa fase relativamente precoce da evolução da infecção VIH, progredir mais rapidamente e ser mais difícil de diagnosticar é frequente haver algum atraso no diagnóstico. Consequentemente, as medidas de isolamento e tratamento imediato serão mais tardias.

Assim, quando a tuberculose se desenvolve num doente com infecção VIH, assiste-se geralmente a uma progressão rápida da doença pulmonar que, se não for rapidamente diagnosticada e tratada, poderá ser fatal.

Por outro lado, embora não se possa afirmar que um doente com infecção VIH possa eliminar mais bacilos (Mycobacterium tuberculosis, responsável pela infecção tuberculosa), poderá transmiti-los durante mais tempo às pessoas com quem sucessivamente contacta.

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